O sentido de ser intransigente no cinema pode ter inúmeras funções – a maioria delas positiva. Mas quando o caos principal se perde no meio de uma ambição duvidosa, a necessidade de ser “complexo” se desqualifica. Isso porque o hermetismo de 'O Ornitólogo' é coagido pela recriação de símbolos católicos por cima de novos “ambientes”. É uma vontade de ser emblemático que torna uma jornada promissora em um espetáculo insensível de enfrentamento. Suas mensagens se tornam muito óbvias e os referenciais religiosos se perdem numa tediosa metáfora de conversão. Por mais que incite a quebra de paradigmas católicos, ao relacionar Santo Antônio de Pádua com um Jesus “tolo” e incomunicável, o filme se monta como uma ladainha quase maniqueísta – ainda mais ao sugerir que em cada homem “sem fé” mora um espírito de redenção. Para essa última indicação, o próprio diretor João Pedro Rodrigues surge no lugar de Paul Hamy como o futuro resultado de sua jornada. E, se logo em seguida ...
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