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Mostrando postagens com o rótulo critica

Vingadores: Ultimato (2019) | Marvete agora é elogio

Em 2008, no fim do primeiro Homem de Ferro , Tony Stark, personagem completamente mesquinho, machista e fascista, entregava ao público a seguinte afirmação: “Eu sou o Homem de Ferro”. Aquilo mudou o gênero, visto que se mostrou como o primeiro passo de uma saga que se encerra agora com Vingadores: Ultimato . O mesmo público, que acompanhou por 11 anos essa franquia, cresceu, mudou, amadureceu. Ou, pelo menos na teoria, deveriam ter amadurecido. Tony Stark, felizmente, evoluiu com os anos. Ele continua metido, mas não pronuncia mais a frase com egocentrismo ou paixão pelos holofotes. Em Ultimato ele fala por altruísmo. E é apaixonante perceber essa mudança. Mudamos com eles. + Homem de Ferro (2008) | O grande primeiro passo da Marvel Studios Nesse sentido, Vingadores: Ultimato funciona como uma final de Copa do Mundo, onde todo mundo vai conferir o desfecho. Independente da nação campeã, a celebração deixa de ser uma festa frequente para se tornar um evento. Se diferenciando de t...

Dumbo (2019) | Bela produção, falha no roteiro

As cores escuras e frias, o exótico e o bizarro, a narrativa excêntrica e a presença constante do onírico. Não é difícil supor que estamos diante de um filme do diretor Tim Burton , conhecido por diversos outros filmes consagrados pelo público e pela crítica, como Edward, mãos de tesoura (1990), A Noiva-Cadáver (2005) e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet  (2007). Em 2019, o diretor, que há alguns anos andava sumido das grandes bilheterias, arrisca junto à Disney na produção live-action do polêmico clássico de 1940:  Dumbo . Nesta versão, em um 3D completamente desnecessário, o elefantinho voador das grandes orelhas não anda com animais falantes e consegue manter o protagonismo, mesmo dividindo a tela com elenco de peso. Os créditos, entretanto, não devem ser somente aos animadores, que fizeram um bom trabalho com a construção digital de Dumbo e sua mãe, mas sim pelo roteiro, que não faz jus aos grandes nomes. Entre eles,  Michael Keaton -  ...

A Casa Torta (2018) | Filme decente, má adaptação

A notícia inesperada que diversas obras da escritora Agatha Christie iriam ser adaptadas para o cinema (como a " Casa Torta " e " Assassinato no Expresso Oriente ") e para a televisão (como " O Caso dos Dez Negrinhos " e " Os Crimes ABC "), movimentou a internet e trouxe mais uma vez ao topo diversas obras da Rainha do Crime. O resultado foi satisfatório, apesar de não tão surpreendente, em Assassinato no Expresso Oriente , uma das obras mais famosas da autora. A história, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh , fez até questão de deixar um gancho para uma próxima adaptação, que seria de  "Morte no Nilo". + Crítica: Assassinato no expresso oriente (1933) +  Crítica: Assassinato no expresso oriente (2007) Mas, agora em mãos da direção de Giles Paquet-Brenner , a responsabilidade duplicou. Já havíamos provado do sabor de Poirot, então adaptar A Casa Torta , livro sem o grande detetive protagonista, foi um grande risco. D...

The End of the F***ing world (1ª temporada) | Violência e identidade (além de uma bela surpresa da Netflix)

The End of the F***ing World não faz um pingo de cerimônia antes de mostrar sua essência. Logo nas primeiras cenas, é fácil perceber que o mais novo seriado original da Netflix, baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Charles S. Forsman, não pretende poupar o espectador com seu humor negro e seu enredo absurdamente exagerado e original Com vários pacotes de sangue falso e dois protagonistas com altos problemas de identidade, a série começa ao apresentar James ( Alex Lawther ), um garoto que tem quase certeza que é um psicopata e que não faz esforço para não sentir nada, e Alyssa ( Jessica Barden ), uma garota rebelde e irritada que pode muito bem ser sua próxima vítima. Ambos constroem sua personalidade com vários pontos em comum: nada a perder, traumas de infância e um desejo quase que inconsciente de se encontrar. Seja por algum desses motivos ou por James ter certeza que Alyssa seria a vítima perfeita para se provar um verdadeiro assassino, os dois criam, durante a série, um...

Extraordinário (2012) | História infantil para adultos

A obra Extraordinário , de R. J. Palacio , soube se vender; isso é fato. Com o anúncio do longa-metragem, que conta em sua ficha técnica com grandes nomes, dentre eles Julia Roberts (Uma Linda Mulher), Jacob Tremblay (Quarto de Jack), e Owen Wilson (Meia-Noite em Paris), a ideia do rosto “diferente” de Auggie Pullman, protagonista da obra em pauta, circulou redes sociais, sites e se tornou a concepção chave para um dos livros mais falados no último ano. + Quarto | O preço da liberdade + O Quarto de Jack (2015) | O confinamento de nossas vidas Carregando forte e incisiva lição de moral, o que chega a ser educativo, o livro pode atrair e agradar principalmente jovens e adultos. Mas é impossível ignorar que a trajetória do garoto fisicamente diferente, que decide ir para uma escola após anos de estudos em casa, por mais digna que seja, não passa de uma história destinada às crianças. Entre o público inesperado das Gerações Y e Z, que abrange os nascidos entre os anos 80 e meados dos an...

O Rei do Show (2017) | O legado satisfatório de La La Land

Desde a abertura, O Rei do Show não hesita em nem um segundo em mostrar seu espírito. As cores vibrantes, os recursos sonoros, a música e, claro, a visão imediata de Hugh Jackman no papel principal, fazem dos primeiros minutos algo já memorável. Dessa forma, é difícil identificar o diretor Michael Gracey como quase que um novato na direção, mas fica ainda mais fácil perceber seu conforto e afinidade com a arte visual. O Rei do Show é livremente baseado na história de P. T. Barnum , empresário de peso na história do entretenimento americano, reconhecido por ser o criador do circo que conhecemos hoje. O longa se inicia, então, com uma introdução decente e breve, o que dispensa o uso de flashbacks e torna a história mais linear, sem fugir da temática do teatro. Conhecemos logo no começo a história secundária da trama - um pouco genérica -, entre Phineas Barnum ( Jackman ) e Charity ( Michelle Williams ). Mas o verdadeiro ouro do longa, que infelizmente não foi tão bem explorado...

Festa no Céu (2014) | A excelência da temática

Não só de Halloween e terror vive o Quarto Ato . O Dia de los Muertos (Dia dos Mortos) é uma comemoração latina que se assemelha ao conhecido Finados no Brasil, mas se diferencia em várias formas, principalmente na decoração e na comemoração. Nos países latinos, a morte é celebrada nos dias 31 de outubro, 01 e 02 de novembro com música, banquetes e muita festa. É nessa data que os espíritos de familiares voltam à Terra e visitam, com muita alegria, seus entes queridos ainda vivos. E é para essa festividade que a animação de 2014 de Jorge R. Gutierrez, "Festa no Céu" , se volta, com excelência e em muitas cores. No centro do México, que por sua vez é o centro do mundo, a cidade da San Angel é a casa de três amigos e de um triângulo amoroso que envolve a vida e a morte. Um pouco óbvio, mas impossível se saturar com a história cativante de amor entre seus protagonistas: o encantador Manolo (Diego Luna), um músico que é imposto a seguir com a tradição da família de...

Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) | Filme traz desfecho decente etrabalha ideologias atuais

War for the Planet of the Apes (EUA) Em meio ao mundo que vivemos hoje, com políticos radicais, destruição da natureza, a rejeição do ser humano por ele mesmo, sem falar das guerras, que muitas vezes não parecem ter o menor sentido, não é incomum diversas distopias surgirem à tona em algumas plataformas. Entre elas, a obra de ficção científica do escritor francês Pierre Boulle , " Planeta dos Macacos ", publicada em 1963, pela qual rendeu cinco filmes, entre 1968 e 1973, e um remake em 2001, dirigido por Tim Burton .   Com o sucesso recente da temática, a nova franquia de filmes - dirigida primeiramente por Rupert Wyatt ( A Origem ) e atualmente por Matt Reeves - veio em um bom momento.  + Planeta dos Macacos (1968) | Utopia ou distopia? Em " A Guerra ", seguindo os acontecimentos que sucederam " Planeta dos Macacos: A Origem " (2011) e " Planeta dos Macacos: O Confronto " (2014), eis que nos deparamos com a batalha final. Após ...

Coração e Alma (2015) | A morte e a vida bem trabalhadas

Répare les Vivants (Francça) Ah, o cinema francês... Sendo um referencial da chamada cultura erudita, esta indústria cinematográfica possui diversas características marcantes, como suas alusões ao clássico e o seu ritmo um pouco mais lento — que dispensa o chamado clímax — em comparação a outras produções, principalmente as blockbusters . No filme "Coração e Alma" (2015), pelo qual, em tradução livre, possui o título original "Reparar os Vivos" , o universo francês não poderia divergir tanto de sua essência principal, mesmo que adaptando-o para a demanda atual de assuntos modernos. Explorando o contemporâneo e mesclado-o com elementos clássicos, o trabalho da diretora Katell Quillévéré emociona constantemente, mesmo nas cenas mais monótonas, e consegue arrancar lágrimas dos despreparados nas horas certas, sabendo exatamente em qual momento tocar nas feridas e nos tabus que o ser humano carrega por natureza. Entre eles, seu principal, aquele que não deve ser ...

A Múmia (2017) | O mal começo do "Universo Sombrio"

The Mummy (EUA) O universo egípcio está longe de ser saturado. Seus deuses, sua localização exótica e sua influência na história antiga são fatores que fazem desse contexto um dos mais ricos a serem trabalhados. Por ser um sistema completo, foi uma escolha arriscada — apesar de interessante — que o primeiro filme que dê início a tão aguardada saga do Dark Universe contemple um dos monstros ma is   isolados do terror. Por ser pioneiro e a peça fundamental para o começo de um novo universo, seguindo o já conhecido sistema de diversos filmes interligados por personagens e enredos, era de se esperar que "A Múmia"  (2017) fosse a entrada triunfal da Universal na nova tendência de Hollywood, já explorada por seus companheiros (e não necessariamente concorrentes) Marvel e DC Comics.   A audácia da Universal Studios e do diretor Alex Kurtzman , conhecido principalmente por seu trabalho como roteirista do novo "Star Trek"  (2016) e de "O Espetacular Ho...

Terra de Minas (2016) | Olhar sobre humanidade

Under Sandet (Dinamarca) Não só no patriotismo de produções hollywoodianas, mas também no cinema estrangeiro, o Oscar tem um tema constantemente favorito: dramas de guerra. Especificamente no subtema que envolve conflitos nazistas (o húngaro 'Filho de Saul' foi o vencedor em melhor filme estrangeiro na edição passada). Mas o que torna o dinamarquês 'Terra de Minas' um projeto diferente é não comprar um debate moral, e sim flertar com ele de modo próximo.  A primeira cena registra um de seus protagonistas em um ato protecionista e agressivo contra os soldados inimigos. A imersão em um ambiente de intransigência é injetada sem muito rodeios e a elaboração do Sargento Carl ( Roland Mølle ) é propositalmente superficial. Torna-se ainda mais instigante quando o roteiro usa isso a seu favor mais tarde. Carl é designado a comandar um grupo de prisioneiros nazistas obrigando-os a uma cooperação não-sedutora: retirar milhões de minas terrestres de praias da Dinamar...

A Luz Entre Oceanos (2016) | Drama é eficiente e bem executado

"A Luz Entre Oceanos" (2016), filme roteirizado e dirigido por Derek Cianfrance ("Namorados Para Sempre", 2010) e baseado na obra literária homônima de M. L. Stedman, parece, à primeira vista, uma mera produção do gênero, apresentando-se como muitos dos longa-metragens de romance da atualidade, em que os estúdios   extraem de best-sellers todo o seu potencial para histórias de sucesso.  No entanto, a excelência desta produção carrega um caráter "Oscar bait" , cujo empenho acaba por torná-la uma das melhores de sua proposta lançadas este ano.  The Light Between Oceans (EUA, Reino Unido, Nova Zelândia) A trama, que toma início na década de 20, segue Tom Sherbourne (Michael Fassbender), um veterano da Primeira Guerra Mundial que, em busca de estabilidade, dispõe-se para um emprego de faroleiro na costa australiana. O ex-militar logo apaixona-se por uma local, a doce e vivaz Isabel Graysmark (Alicia Vikander), com quem pouco depois atinge e co...

Cinema Novo (2016) | Uma intrigante memória do cinema nacional

Cinema Novo (Brasil) É inevitável não devanear, durante o primeiro contato com a obra Cinema Novo,  sobre o pouco interesse dos demais em discorrer sobre este movimento homônimo. Enquanto 1960, o cinema nacional possuía o apoio requintado da distribuidora DiFilme, hoje, infelizmente, grande parte dos longas brasileiros são produzidos, distribuídos e comercializados sem encanto ou intenção alguma de atingir alguém com a arte. A Globo Filmes e suas "Globochanchadas" encontram em suas inúmeras salas definições similares ao ápice da tolice e mediocridade, algo que o movimento conhecido mundialmente se dedicava em ser do contra.  Inclusive, o público contemporâneo contribui no falecimento constante das produções competentes, como aconteceu com tantos filmes independentes do ano. Já em 1960, o nosso cinema merecidamente era valorizado por muitos outros tipos de movimentos e pelos brasileiros que notaram a essência logo após o justo reconhecimento que tantos cineasta...