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Mostrando postagens com o rótulo 2017

Boneco de Neve (2017) | Apenas mais um filme de suspense policial

Um ótimo elenco, uma história baseada em um livro de sucesso do gênero de suspense policial, Martin Scorsese como produtor executivo e um diretor com experiência são excelentes indicativos para um bom filme, certo? Errado! Boneco de Neve prova que nem mesmo sob essas condições é possível salvar uma adaptação de ser genérica, sem graça e esquecível.  A direção de Tomas Alfredson permanece na zona de conforto e não entrega nada de novo. Ser original é o básico, sobretudo em um gênero cinematográfico com frequentes produções, como suspense policial. A maioria parte da mesma premissa: busca pelo autor de um crime brutal. E o desafio está em entregar algo diferente do que é visto todos os anos nas telonas.  Para isso, a escalação de um elenco talentoso e notável pode contribuir para a qualidade de um filme. Colocar Michael Fassbender como protagonista, de fato, já chama atenção (inclusive, mais um filme que mostra como 2017 não foi um bom ano para o ator). Além de no...

Liga da Justiça (2017) | O que a DC precisava

Os super-heróis da DC Comics sempre foram bem reconhecidos por grande parte das pessoas que têm um contato, ainda que pequeno, com TV, cinema ou quadrinhos. Nas telonas, sempre fomos habituados a ver filmes solo desses heróis e heroínas, na esperança de que eles se juntassem e criassem uma união que beira o épico. Esse dia chegou com Liga da Justiça . O histórico dessa nova leva de filmes do universo cinematográfico da DC é um tanto instável. O que antes estava fadado ao fracasso, se renovou com o ótimo Mulher-Maravilha (2017), que foi um fator crucial para se repensar as decisões que seriam tomadas para o Liga da Justiça . Na direção de Zack Snyder , veterano na casa, já era esperado a carga dramática pesada, o clima sombrio e a seriedade. Reviravoltas depois, Joss Whedon (veterano da casa rival), assumiu a direção e trouxe o tom que faltava no DCU.  + Crítica: Mulher-Maravilha (2017) | A Redenção da DC Liga da Justiça já se distancia por não se levar tão a sério ...

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) | O sonho que virou pesadelo

Valerian and the City of a Thousand Planets (EUA) Valerian e a Cidade dos Mil Planetas  foi pensado para ser um blockbuster. E com essa classificação, é fácil atingir o público médio do cinema: o grupo de amigos; o casal que assiste filmes esporadicamente; os curiosos. O estranho, porém, é quando nem o público para o qual o filme foi desenvolvido aceita ou gosta do que está vendo. O exemplo disso aconteceu na sessão que assisti Valerian , quando um rapaz saiu no meio da sessão e ainda sentiu a necessidade de xingar o filme para todos que estavam ali. Ele estava decepcionado – e com razão.    De um sonho antigo do diretor e roteirista  Luc Besson , Valerian é uma adaptação dos quadrinhos de ficção científica de 1967, que ganha forma na grande tela com a promessa de entreter o seu público. Isso é o mínimo que se pode esperar de uma trama espacial, com dois atores jovens, raças alienígenas diferentes, contínuo uso de CGI e, claro, da Rihanna . ...

Em Ritmo de Fuga (2017) | Um serviço ao cinema moderno

Baby Driver (EUA) Edgar Wright , diretor conhecido pela icônica Trilogia Corneto e  Scott Pilgrim Contra o Mundo , retornou. Depois de sua demissão inexplicável na Marvel e de quatro anos sem lançar nenhuma obra, o diretor nos presenteia  Baby Driver , que, além de um longa-metragem brilhante, é uma homenagem aos clássicos filmes de perseguição de carro e aos cinéfilos contemporâneos que, com obras como estas, aprendem muito sobre cinema. Baby, vivido por  Ansel Elgort , é um jovem motorista talentoso que trabalha para uma organização de ladrões de bancos encabeçada por Doc, interpretado por  Kevin Spacey . Durante as reuniões do grupo, uma tensão se estabiliza entre o protagonista e os bandidos, uma vez que Baby possui a responsabilidade de conduzir o carro após os assaltos.  Jamie Foxx , deste modo, interpreta Bats, o sociopata do grupo que, durante os atos do filme, ajuda na criação de expectativa e na transformação da obra, dado que vira algo m...

Cannes 2017: A segunda recepção calorosa de Todd Haynes

O americano Todd Haynes foi premiado já na primeira vez que pisou em Cannes. O prêmio de Contribuição Artística foi entregue em 1998 por Velvet Goldmine, uma ambiciosa história de investigação e sexualidade que chamou atenção por onde passou. E cinco trabalhos depois, 17 anos mais tarde, 'Carol' jogou novamente Haynes no auge da atenção mundial. Levando o prêmio de atriz em Cannes 2016, o filme alçou voo até "parar" na premiação da Academia. + Crítica: Carol (2015) Haynes não esperou muito para retornar; esse ano, com o misterioso 'Wonderstruck' (Sem Fôlego, na tradução brasileira), concorre novamente à Palma de Ouro. O pequeno extrato divulgado previamente no site do Festival entrega um clima que oscila por uma estética essencialmente sonora; há um ritmo nessa pequena cena que jamais vimos em outras de suas obras. E esse é o principal destaque da maioria das críticas, reviews e primeiras impressões que o filme veio recebendo após sua primeira exibiç...

Alien: Covenant (2017) | Outra tentativa frustrante

Alien: Covenant (EUA) Ridley Scott mudou o cinema ao criar o terror especial de maior sucesso com o filme Alien, o Oitavo Passageiro (1979) . Quase 40 anos se passaram e o diretor trouxe a saga de volta às telonas com o objetivo de contar a história de origem do xenomorfo. Talvez ele devesse reconsiderar sua decisão. + Alien, o Oitavo Passageiro (1979) | Ridley Scott de raiz Alien: Covenant é o segundo filme prequel da franquia e aborda a missão colonizadora da nave espacial que está no título do filme. A direção ficou sob responsabilidade do idealizador Ridley Scott, mas a roteirização é de John Logan e D.W. Harper , que se perdem em referências e trazem uma narrativa esquecível e sem criatividade. Trabalhar com uma franquia tão bem estabilizada no cinema é um risco que facilmente leva os criativos a contar histórias repetidas e maçantes. É uma mera ilusão de que o sucesso obtido na época em que o gênero era novidade vá se repetir, deixando de lado todas as ...

Fragmentado (2017) | Redenção de Shyamalan

. Refém de sua própria fórmula, M. Night Shyamalan construiu uma carreira com altos e baixos. Para quem acompanha as obras do diretor, é intrigante saber que o idealizador dos aclamados Sexto Sentido (1999) , Corpo Fechado (2000) e Sinais (2002) , tenha sido responsável por filmes como Fim dos Tempos (2008) e Depois da Terra (2013) . Porém, após um declínio progressivo, Shyamalan tenta se redimir com seu público e com a arte cinematográfica através de Fragmentado . Num roteiro original do controverso diretor, é inevitável esperar alguma reviravolta – que agora está bem mais sutil. Slipt nos apresenta Kevin ( James McAvoy ), um homem de 23 personalidades distintas, que sequestra três adolescentes e as mantém em cativeiro. Até a primeira metade, o filme desperta o desejo de compreender o modo de agir e as motivações das personalidades que Kevin assume. Com os planos fechados característicos do diretor, não fica difícil se aproximar e sentir a mesma angústia e confusão ...

Silêncio (2017) | Fé colocada à prova

Um antigo desejo do renomado diretor  Martin Scorsese  finalmente ganha forma.  Silêncio  é a nova obra do diretor e, desde sua estreia nos EUA (em dezembro de 2016), tem dividido opiniões.  O filme, que é uma adaptação do livro “Chinmoku” (O Silêncio, 1966), do escritor católico japonês Shusaku Endo , retrata a história de dois missionários portugueses que vão até o Japão e presenciam a dizimação de japoneses convertidos ao cristianismo. A partir disso Scorsese consegue traduzir à tela um tema controverso com imparcialidade que se faz necessária. O roteiro de Jay Cocks faz questão de apresentar as religiões e seus impactos sob as duas perspectivas. De um lado, a postura ofensiva dos japoneses em detrimento de sua religião local – o budismo – e do outro, padres jesuítas entrando em outro país, convertendo e impondo a população às suas crenças ocidentais, uma prática comum no continente africano e na América (vide a nossa herança religiosa). O q...

Monster Trucks (2017) | Aventura esquecível

Monster Trucks (EUA) Ao selecionar os filmes que entrarão em cartaz, os cinemas  devem  ser   cuidadosos,  pois  é  preciso, ao menos, um filme para cada tipo de público – isso inclui   os filmes infanto-juvenis bobos. Assim, após dois anos de atraso da sua estreia, Monster Trucks finalmente chega às salas de cinema. A princípio, a única coisa que chama atenção no filme é o seu absurdo. Colocar criaturas com tentáculos dirigindo caminhão foge do normal, até para um filme infantil. Dirigido por Chris Wedge ( A Era do Gelo ), Monster Trucks se esforça para alcançar o propósito para o qual foi feito: ser um filme divertido para o seu público. O roteiro, que não sai da zona de conforto, traz resoluções fáceis e previsíveis, seguindo apenas o padrão do gênero. Provavelmente os idealizadores sequer tiveram a cautela de pensar num roteiro cabível, sustentando todo argumento do filme no animal aquático pré-histórico que...

A Cura (2017) | Monotonia insustentável

Do momento que se iniciou a divulgação de trailers de A Cura , muitas expectativas foram  criadas entorno. Antes mesmo da sua estreia, o filme já chamava atenção devido sua estética e o ar de suspense e terror. O diretor Gore Verbinski , que já experimentou o gênero em O Chamado (2002), dessa vez apostou em um terror psicológico que, em contrapartida, se mostrou deveras superficial. A Cura é um dos filmes que tem grande potencial, mas não aproveita as oportunidades para trabalhar o roteiro. A trama cumpre com a missão de envolver o público logo no início, tecendo um tom misterioso, o qual desperta a curiosidade do espectador. O primeiro ato abrange o equilíbrio entre a construção estética e o teor de suspense. Esse equilíbrio, porém, fica restrito apenas às primeiras sequências. Quando o longa tem a necessidade de desenvolver a sua história, o roteiro de Justin Haythe fica obcecado em criar um mistério que perdure todos os 127 minutos de projeção. E, ainda que o pro...

Assassin's Creed (2017) | Oportunidade mal aproveitada

O histórico de adaptação de games às telonas não é muito promissor. O recente  lançamento de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016) não obteve sucesso nem em crítica, nem em bilheteria, mesmo com o jogo sendo tão popular. Assim, qualquer nova adaptação já pode ser considerada arriscada, visto que a aceitação costuma ser baixa. No entanto, a Ubisoft decidiu explorar cinematograficamente uma das suas franquias de jogos mais famosas: Assassin’s Creed . + Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos A direção ficou com a responsabilidade de Justin Kurzel , que já trabalhou ao lado do elenco principal em seu último filme, MacBeth: Ambição e Guerra (2015). O diretor executou um bom trabalho na direção ao explorar planos abertos e evidenciar o que ocorria em tela. Porém, o grande problema presente em Assassin’s Creed é a superficialidade do roteiro e isso nem a boa direção de Kurzel pôde resolver. + MacBeth: Ambição e Guerra Um problema recorrente na...