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Mostrando postagens com o rótulo Musica

Marina Lima: Show em Fortaleza é pontuado por hits do passado e rock do futuro

(Foto: Rogério Cavalcanti/Divulgação) Não é todo mundo que consegue emplacar 40 anos de carreira no Brasil. Marina Lima , no entanto, conseguiu mais que isso. Em 2018, por exemplo, reafirmou sua essência como uma das rainhas da MPB com o álbum pop Novas Famílias , o 21º de sua carreira. O primeiro single foi o funk Só os Coxinhas , que ironiza aqueles que vivem apenas de aparências e de poder. É uma riqueza sonora que arde os ouvidos dos que se identificam. É um disco que tem crítica social e política em Mãe Gentil , Árvores Alheias e na faixa-título. É sobre ser uma gigante do passado e continuar se atualizando com o que vem acontecendo no presente. E, incrivelmente, a artista consegue realizar as mesmas proezas em um show como aconteceu no último sábado, 11, no festival Férias na PI, em Fortaleza, na Praia de Iracema. Marina Lima:  Show em Fortaleza é pontuado por hits do passado e rock do futuro   CRÍTICA ...

Camaleoa, uma artista cearense entre a música, teatro e cinema

Foi quando começou a tocar violão e a criar intimidade com o instrumento, aos 17 anos, que a cantora Camaleoa começou a expressar seus sentimentos e retratar suas vivências de forma despretensiosa criando músicas. Hoje, aos 22 anos, a jovem, porém madura, a artista reúne dez de suas canções em seu primeiro disco, intitulado de forma homônima “Camaleoa”, já disponível em todas as plataformas de música digital. Camaleoa: uma artista cearense entre a música, teatro e cinema Para o Quarto Ato, Camaleoa conta de surgiu sua vontade de se vestir de pop. Confira a entrevista. Com um nome que reflete a personalidade mutável da artista, o disco é um registro íntimo, pessoal e verdadeiro sobre as delícias e as dores (enfrentadas com muito amor próprio, força e poder) de ser mulher e a capacidade de se adaptar e mudar como as situações exigem. É complementado por uma produção audiovisual de cerca de oito minutos que ilustra as músicas, sendo a primeira artista a lançar um álbum-filme em ...

Cidadão Instigado - Uhuuu!: Dez anos do disco que marca a viagem entre o experimentalismo e brega romântico

Cidadão Instigado não é pra todo mundo. A cada disco colocado na praça, a banda vai se aproximando mais e mais da estética psicodélica pensada por Fernando Catatau , que sempre flertou com o rock pinkfloydiano unido ao brega clássico nordestino. Provando a estranheza de quem o escutava, os ouvintes entravam em clima de experimentação, dualizando com a essência de uma droga alucinógena entrando no sangue de todo mundo, passando pelo desconhecido, encontrando a sua essência, se entregando ao que é dito.  Já em 2009, depois da picardia de O Ciclo da Dê-Cadência (2002) e da pegada brega de O Método Túfo de Experiências (2005), o disco Uhuuu! , considerado por muitos como o melhor trabalho da banda, entrava em cena. Tudo voltava, sendo que de uma forma mais palatável, onde o autor criava um exercício de ressignificar o pop nas diluídas batidas que misturam, com o apoio de um groove, o funk e jazz.  Cidadão Instigado - Uhuuu!:  Dez anos do disco que marca a viage...

Adriana Calcanhotto às margens do fim do mundo

Adriana Calcanhotto entra em palco pescada do mar, como os peixes que lá vivem e os plásticos que lá foram jogados, enquanto por trás, um véu azul despenca do teto e se esparrama pelo chão por detrás de seus músicos. Apresentada neste domingo em Fortaleza, a turnê Margem consagra o desfecho de uma trilogia sonora que passeou pelo mar e dissecou suas metáforas - além de Margem , lançamento desse ano, a aventura embarca também nos álbuns Marítimo (1998) e Maré (2008), estabelecendo uma transição de sensações imediatas diante a imensidão de significados por detrás dessas ondas.  Adriana Calcanhotto às margens do fim do mundo Cantora e compositora gaúcha passou por Fortaleza deixando os rastros de “Margem”, seu último álbum lançado em junho Emaranhada numa rede de pesca, Adriana canta todas as novas composições, de Margem à Meu Bonde , que são apresentadas numa mistura com as sensações tão diferentes de suas outras viagens. Isso porque Margem não é mais sobre o mar calmo e...

Marcos Lessa e Superbanda na programação do 29º Cine Ceará

Intitulada de "Música na Praça", esse ano o 29º Cine Ceará  terá um bloco de apresentações musicais na Praça do Ferreira, em frente ao Cineteatro São Luiz, logo após os filmes de longa-metragem exibidos em competição oficial. Por volta das 23h, os shows serão gratuitos. Dentre os artistas anunciados estão Marcos Lessa e Superbanda , que se apresentam nos dias 30 e 31 de agosto, respectivamente.  29º Cine Ceará: Marcos Lessa e Superbanda na programação musical Apresentações acontecerão após as exibições no Cineteatro São Luiz Confira abaixo todas as atrações confirmadas e os dias de apresentação, sempre às 23h na Praça do Ferreira: 30/08 | Marcos Lessa 31/08 | Superbanda 01/09 | DJ Priscila Delgado 02/09 | DJ Serginho Gouveia 03/09 | DJ Estácio Facó 04/09 | Las Tropicanas 05/09 | Pedro Falcão e a Sertônica 06/09 | Aldo & Os Transaldos 

Resenha: Merdada - “Hang Loose Para Jesus” (2018)

Uma sucessão de desgraças políticas e sociais. Esse poderia ser o resumo antecipado do que foi o ano de 2018. O Brasil elegeu um meme para presidente, facilitando a presença do fascismo entre vários núcleos da sociedade brasileira. Um gosto amargo difícil de sair. Por mais indigesto que esses fatores são, serviram de combustível do ódio para o disco “Hang Loose Para Jesus” (Läja Records), lançado no último dia 16 de novembro pelo Merdada. O grupo jovem é formado pelas bandas Facada, de Fortaleza, e Merda, de Vila Velha.  Resenha: Merdada - “Hang Loose Para Jesus” (2018) É Merda e Facada tudo ao mesmo tempo agora Uniões entre bandas no cenário do rock underground geralmente resultam em álbuns split, onde as músicas de cada artista ficam separadas em lados opostos do disco. Diferente do padrão, o Merdada é uma mistura homogênea entre o grindcore corrosivo do Facada e o powerviolence tosco moleque do Merda. Os componentes dessa empreitada são Carlos James (vocal), Danyel N...

Era pra ser só Pop: Thank you, Ari

Eu pensei que ficaria pra sempre com o Sean / Mas nós não combinamos / Escrevi algumas músicas sobre o Ricky / Agora eu as escuto e rio / Até quase me casei / E, ao Pete, sou muito grata / Gostaria de poder dizer obrigada ao Malcolm / Porque ele era um anjo.  É com uma declaração de gratidão aos seus ex-namorados que a pequena Ariana Grande dá a partida do seu mais recente sucesso, “Thank You, Next”. A música debutou em #1 na Hot 100 da Billboard , a mais importante parada de música do mundo, e quebrou recordes nas plataformas digitais, reconduzindo o pop ao topo - esta é a primeira música solo pop e de uma mulher a debutar na primeira posição da parada desde 2015, com “Hello” de Adele. Era pra ser só Pop: Thank you, Ari De estrela teen à nova Mariah, da mulher perigosa ao sonoro obrigado O feito faz com que Ariana ocupe um protagonismo dentro do cenário pop atual que já era ensaiado por ela há alguns anos. Diferente da chiclete “Problem” e do super featuring “Bang ...

Da Bahia ao Espírito Santo: a “Transa” de Silva

1972. Caetano Veloso voltava de seu amargo exílio e lançava “Transa”, álbum dos mais intensos e “objetivos” de sua carreira. 2018. Silva, chamado simplesmente desse jeito, retorna ao campo autoral e lança “Brasileiro”, álbum que vai em contramão direta a toda a sonoridade que o colocou no mundo da música sete anos atrás. Não parece muito claro o que esses eventos podem ter em comum, mas há em torno deles dois Brasis que sangraram apesar de toda revolta e apesar dos curativos.  Da Bahia ao Espírito Santo: a “Transa” de Silva A vontade de ser brasileiro Em Londres, Caetano lembra de um Brasil que era capaz de ir muito além do regime militar, da censura e do horror. Um Brasil que ainda é muito lindo por tudo que produziu, pelas pessoas, pelos sons únicos, por uma história pulsante em torno da música, da arte. “Transa” me parece uma colcha de retalhos do que é ser brasileiro, ou baiano, como nunca escondeu seu autor. You Dont Know Me ,  It’s a Long Way e Triste Bahia...

7 vezes em que a música pop foi política sem, necessariamente, ser partidária

Recorrentemente acusado de ser um gênero menor, fútil e demasiadamente comercial, a música pop nunca se limitou ao espaço que parte da crítica especializada lhe reserva. Entre escândalos, manchetes, grandes êxitos e até mesmo “boicotes”, listei 7 vezes em que o pop foi político - e sem necessariamente ser partidário.  Madonna, o fim dos anos 80 / começo dos 90 e a AIDS Quando parte para Nova York com 35 dólares no bolso e o desejo de ser uma estrela, Madonna Louise Veronica Ciccone encontra em seus amigos gays a aceitação e o sentimento de pertencimento que nunca experimentara até então. À época, a comunidade gay “saia do armário” e ali começava a se desenhar o que hoje conhecemos como o ativismo pela causa.  A epidemia de AIDS que surgiria nos anos seguintes jogaria sobre a comunidade gay um estigma ainda maior do que já carregara e é aí que entra Madonna. Entre tantas perdas - sendo duas especialmente dolorosas: o seu professor de dança, Christopher Flynn, e a de ...

A Tristeza de Caetano

“Estou triste, tão triste, estou muito triste” um verso que só parece simples demais para a boca de Caetano. Há uma tristeza comum ao seu olhar que se escondeu durante o amadurecimento rebelde. A anarquia, o grito contra a ditadura, a Tropicália, ele esteve a frente de muito, até agressivo, debochado, afrontoso, mas sempre triste. Basta olhar, e sentir. Caetano feliz ainda é triste, talvez seja o estado favorito de toda poesia. A Tristeza de Caetano O olhar que ainda é feliz Isso não significa que se apresente sem emoção, carisma, sem sensação. Caetano canta com a alma, é o alguém que canta de tão longe, longe porque é de dentro. “ A voz de alguém nessa imensidão, que canta como que pra ninguém”. Parece que ninguém vê o olhar triste que tanto contrasta com o sorriso alegre que doou a Bethânia. Demorei pra sentir que “Estou Triste” é uma canção prazerosa. A gente sabe que a tristeza é um sentimento lindo, é como ser feliz pra dentro. Só tem você lá dentro e isso pode pare...

Arte Pop: Hermeto Pascoal, Lady Gaga e Sócrates

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal tem uma fala muito bonita no documentário “Hermeto e o Quarteto” de Francis Vale (ainda a ser lançado), sobre uma viagem que fez aos Estados Unidos quando não entendia o inglês: "A música não tem idioma, a música é o sentir". Em outro momento, diz: "A música é como o vento, como as estrelas, como o céu, como as montanhas. Não é de ninguém. Principalmente o ar que a gente respira” O depoimento é sobre o cinquentenário do único álbum do Quarteto Novo, lançado em 1967 por um grupo instrumentalista que além de Hermeto, era formado por Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira. Sem uma só palavra, oito músicas acessam quase matematicamente (notas e arranjos) a imaginação do consumidor de um estilo musical que diz mais de si mesmo que as letradas.  É mais ou menos essa compreensão do termo “música” que explica o conceito surtado de “ARTPOP”, terceiro album de estúdio da cantora norte-americana Lady Gaga. Não que Hermeto ...