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Mostrando postagens com o rótulo Brasil

Brasileiro "Bacurau" vence o Prêmio do Júri no 72º Festival de Cannes

É o segundo prêmio para o Brasil no 72º Festival de Cannes! O longa Bacurau , de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles venceu o Prêmio do Júri empatado com Les Misérables , de Ladj Ly . Com Bacurau, o aguardado terceiro longa-metragem de Kléber, codirigido com Juliano Dornelles, o diretor faz a memória nos levar a Glauber Rocha . Terra em Transe estreou em 1967 na 20ª edição do Festival, exatamente três anos após a estreia de Glauber com Deus e o Diabo na Terra do Sol.  O mesmo acontece agora, e Cannes recebe Bacurau três anos após os aplausos que Aquarius recebeu. Agora, o Prêmio do Júri põe a carreira de Mendonça Filho e Dornelles em outro nível. 72º Festival de Cannes: Brasileiro "Bacurau" vence o Prêmio do Júri  Longa de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles dividiu o prêmio com "Les Misérables", de Ladj Ly + Cannes 2019: Os Miseráveis do 'Spike Lee francês' expõe um país de violência e preconceito + Cannes 2019: O delírio de ...

Dona Flor e Seus Dois Maridos (2017) | O cinema literal

Adaptar uma obra com mais de 50 anos é um grande desafio para todos os envolvidos no projeto do filme. É indiscutível a genialidade do autor que faz sua história se renovar por tantos tempo. Após 40 anos desde a última adaptação às telonas, Pedro Vasconcelos dirige e roteiriza a sua leitura de Dona Flor e Seus Dois Maridos  para os cinemas. De fato, uma leitura – quase literal.  O diretor já tem intimidade com o livro. Trabalhou com ele nos teatros por muito tempo, se sentindo bastante à vontade para fazer o mesmo no cinema. O resultado disso é que o filme todo tem uma direção teatral, desde a escolha dos planos, em ambientes limitados, até a condução dos atores. Os diálogos, que pareciam ser cópia das páginas do livro, não ficam naturais como deveriam. O uso da narração em momentos pontuais da trama poderia ser substituído por desenvolvimento de personagem de forma mais sutil.  O grande trunfo de Dona Flor e Seus Dois Maridos é o elenco, o qual conseguiu com...

Animal Político (2017) | Verdade superficial

Animal Político (Brasil) O espaço mundial para o cinema experimental/contemplativo foi bastante reduzido por diretrizes óbvias de mercado. Mas a coerção da lógica narrativa exata não o tangeu por completo, deixando seu espaço reservado em festivais de cinema. 'Brasil S/A' de Marcelo Pedroso e até mesmo o cearense 'O Último Trago' do coletivo Alumbramento, vêm atraindo foco em suas carreiras. 'Animal Político' , filme do pernambucano Tião entra nesse grupo. E, como é comum nessa parcela do cinema, ‘Animal’ é um filme de distinção imensa a qualquer outro experimento narrativo. Tendo como protagonista uma vaca que busca o sentido da vida, Tião faz questão de compreender a improbabilidade do filme e justificar isso com uma genial necessidade de distanciamento.  O filósofo se incomoda com o espaço que ocupa e isso é o ponto de partida para questionar as normalidades. Colocando em risco a "superioridade" do humano, Tião se pergunta por quê nós...

Com os Punhos Cerrados (2017) | A Fuga e a Resistência

“E no final das contas, ainda nos tiram o direito de enlouquecer” , diz um dos personagens da rádio pirata que se torna tema de ‘Com os Punhos Cerrados’ , lançamento do coletivo audiovisual Alumbramento. E, se tem uma coisa que eles compreendem muito bem, é a conversão da própria loucura. Conhecido por temas e abordagens experimentais, o coletivo vem marcando presença há alguns anos - em 2016, a obra ‘O Último Trago’ impressionou a crítica por ser igualmente confuso e magnético. E, assim como nele, em ‘Com Os Punhos Cerrados’ há uma mensagem que é recepcionada além das metáforas lógicas como um inquietante processo de incitação. Com os Punhos Cerrados: A Fuga e a Resistência O desafio está lançado Ao começar com diálogos e interpretações artificiais, compreende-se que este é um trabalho de caráter independente. Fato que não poderia estar mais alinhado em um filme que tem como foco discutir de modo livre textos de pensamentos “libertários”. Apresentando jovens de uma rádi...

Jonas e o Circo sem Lona (2017) | Sonho que se sonha só

Jonas e o Circo Sem Lona (Brasil) Um dos meus projetos pessoais guardados na gaveta é um curta-documentário sobre meu avô paterno. Isso porque, apesar de ser uma pessoa “desconhecida”, sempre vi nele e em suas histórias um potencial dramático impressionante. A ideia partia dessa vontade de olhar para pessoas da vida real e compreender suas conquistas, crises e desafios. O longa-metragem ‘Jonas e o Circo Sem Lona’ nasce exatamente disso. A realidade simplista começa apresentando um grupo de amigos carismático para com a câmera que o registra; esse prólogo prontamente lúcido gera uma proximidade impulsiva. Jonas Laborda é um garoto “comum” de um bairro periférico da Bahia que divide diversão e estudos com a angústia de sempre. Sua diversão, porém, é sonhar com a vida de circo. Com a ajuda da avó – e apoio da mãe -, constrói o próprio circo com os amigos, elaborando e dirigindo os números do espetáculo. Tudo autossuficiente e com uma garra que gera uma relação muito rápida co...

Campo Grande (2016) | Traumas urbanos

Campo Grande (Brasil) Com um país de problemas sociais tão emergentes, o cinema nacional sempre teve o interesse de trazer essas questões para a tela de forma ficcional. E, recentemente, filmes como ‘Que Horas Ela Volta?’ , de Anna Muylaert , ‘Casa Grande’ , de Fellipe Barbosa e até mesmo ‘Aquarius’ , de Kléber Mendonça Filho , vêm configurando cada vez mais essa expressão. ‘Campo Grande’ traz como tema o abandono de menores, mas não olha para essa ocorrência unicamente como uma reflexão social. Sandra Kogut está mais interessada nas nuances do que rotula como uma “pequena aventura” e encaixa, sutilmente, questões maiores. Só em construir uma dualidade improvável entre Carla Ribas (Regina no filme) e o jovem Ygor Manuel de modo incrivelmente real, ‘Campo Grande’ já esbanja mérito. Isso porque Sandra é inteligente ao não congelar suas vítimas à figura óbvia. Ygor, mais que Rayanne, tem um espaço de respiro dentro do filme capaz de lhe engrossar como objeto principal da n...

Pequeno Segredo (2016) | Emoção, entre o crível e o artificial

"Pequeno Segredo" (Brasil) É impossível não entrar na sala de cinema para assistir a “Pequeno Segredo” sem pensar  na polêmica em que esteve envolvido após sua indicação brasileira à corrida do Oscar 2017. Dos concorrentes à indicação, todos os olhares passaram despercebidos pelo longa sobre a família Schürmann. Desde então, formou-se uma áurea de desconfiança e curiosidade em torno do que o filme seria capaz de conter. Após finalmente assisti-lo, fiquei, em parte, tranquilizado por ser um filme de características respeitáveis. Por outro lado, inquieto com o fato de que sua estrutura genérica jamais seria capaz de representar o cinema brasileiro como um todo – ainda mais em um ano de tantos exemplos mais significativos.  O primeiro grande impacto é sua preocupação estética, visual e sonora. Seja na brutalidade do grafismo em uma cena tensa ou na abordagem calma de seus momentos-chave, há um requinte totalmente divergente do de ‘Aquarius’ , por exemplo. E, ao pinc...