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Mostrando postagens com o rótulo Crítica

Guerra Fria (2018) | O retrato, e a beleza, da guerra improvável

São muitos (às vezes até demasiados), os filmes que revivem a Segunda Guerra Mundial e seus acontecimentos em territórios já padrões. Japão, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Rússia estão sempre em destaque na narração desse acontecimento, o que cria uma rotina e uma visão quase unilateral de um grupo pré-definido. A quantidade é tão vasta que é possível criar uma classificação para o tema. Por essas e outras que a audácia - ouso dizer -, do diretor Pawel Pawlikowski (mais conhecido por seu filme Ida ) de construir enredo em torno da Guerra Fria na Polônia deve ser reconhecida, não só pela coragem em si, mas pelo êxito em seu resultado. Crítica: Guerra Fria (2018) O retrato, e a beleza, da guerra improvável A Polônia da década de 50, oficialmente República Popular de Polônia, foi marcada pela consolidação do Estado Socialista e pelas repercussões da Segunda Guerra. Desta forma, um grupo de produtores artistas decidem construir um grupo musical para reviver a tradição...

The End of the F***ing world (1ª temporada) | Violência e identidade (além de uma bela surpresa da Netflix)

The End of the F***ing World não faz um pingo de cerimônia antes de mostrar sua essência. Logo nas primeiras cenas, é fácil perceber que o mais novo seriado original da Netflix, baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Charles S. Forsman, não pretende poupar o espectador com seu humor negro e seu enredo absurdamente exagerado e original Com vários pacotes de sangue falso e dois protagonistas com altos problemas de identidade, a série começa ao apresentar James ( Alex Lawther ), um garoto que tem quase certeza que é um psicopata e que não faz esforço para não sentir nada, e Alyssa ( Jessica Barden ), uma garota rebelde e irritada que pode muito bem ser sua próxima vítima. Ambos constroem sua personalidade com vários pontos em comum: nada a perder, traumas de infância e um desejo quase que inconsciente de se encontrar. Seja por algum desses motivos ou por James ter certeza que Alyssa seria a vítima perfeita para se provar um verdadeiro assassino, os dois criam, durante a série, um...

Extraordinário (2012) | História infantil para adultos

A obra Extraordinário , de R. J. Palacio , soube se vender; isso é fato. Com o anúncio do longa-metragem, que conta em sua ficha técnica com grandes nomes, dentre eles Julia Roberts (Uma Linda Mulher), Jacob Tremblay (Quarto de Jack), e Owen Wilson (Meia-Noite em Paris), a ideia do rosto “diferente” de Auggie Pullman, protagonista da obra em pauta, circulou redes sociais, sites e se tornou a concepção chave para um dos livros mais falados no último ano. + Quarto | O preço da liberdade + O Quarto de Jack (2015) | O confinamento de nossas vidas Carregando forte e incisiva lição de moral, o que chega a ser educativo, o livro pode atrair e agradar principalmente jovens e adultos. Mas é impossível ignorar que a trajetória do garoto fisicamente diferente, que decide ir para uma escola após anos de estudos em casa, por mais digna que seja, não passa de uma história destinada às crianças. Entre o público inesperado das Gerações Y e Z, que abrange os nascidos entre os anos 80 e meados dos an...

O Rei do Show (2017) | O legado satisfatório de La La Land

Desde a abertura, O Rei do Show não hesita em nem um segundo em mostrar seu espírito. As cores vibrantes, os recursos sonoros, a música e, claro, a visão imediata de Hugh Jackman no papel principal, fazem dos primeiros minutos algo já memorável. Dessa forma, é difícil identificar o diretor Michael Gracey como quase que um novato na direção, mas fica ainda mais fácil perceber seu conforto e afinidade com a arte visual. O Rei do Show é livremente baseado na história de P. T. Barnum , empresário de peso na história do entretenimento americano, reconhecido por ser o criador do circo que conhecemos hoje. O longa se inicia, então, com uma introdução decente e breve, o que dispensa o uso de flashbacks e torna a história mais linear, sem fugir da temática do teatro. Conhecemos logo no começo a história secundária da trama - um pouco genérica -, entre Phineas Barnum ( Jackman ) e Charity ( Michelle Williams ). Mas o verdadeiro ouro do longa, que infelizmente não foi tão bem explorado...

Festa no Céu (2014) | A excelência da temática

Não só de Halloween e terror vive o Quarto Ato . O Dia de los Muertos (Dia dos Mortos) é uma comemoração latina que se assemelha ao conhecido Finados no Brasil, mas se diferencia em várias formas, principalmente na decoração e na comemoração. Nos países latinos, a morte é celebrada nos dias 31 de outubro, 01 e 02 de novembro com música, banquetes e muita festa. É nessa data que os espíritos de familiares voltam à Terra e visitam, com muita alegria, seus entes queridos ainda vivos. E é para essa festividade que a animação de 2014 de Jorge R. Gutierrez, "Festa no Céu" , se volta, com excelência e em muitas cores. No centro do México, que por sua vez é o centro do mundo, a cidade da San Angel é a casa de três amigos e de um triângulo amoroso que envolve a vida e a morte. Um pouco óbvio, mas impossível se saturar com a história cativante de amor entre seus protagonistas: o encantador Manolo (Diego Luna), um músico que é imposto a seguir com a tradição da família de...

O Médico e o Monstro (1886) | O terror psicológico como nunca houve

Assuntos que se relacionam à natureza humana e que abordam o psicológico, por mais contemporâneos que às vezes possam parecer, principalmente em diversos livros e filmes de lançamento recente (como no livro “ Objetos Cortantes ”, de 2015, ou no filme “ Fragmentado ”, de 2017), são temas que datam de séculos passados. Em 1886, por exemplo, o inglês Robert Louis Stevenson lançava “O Médico e o Monstro” , um dos livros de terror mais cultuados de todos os tempos. De forma rápida e com poucos detalhes, somos apresentados por meio da ilustre narração do advogado Sr. Utterson à misteriosa relação entre Dr. Henry Jekyll, médico respeitado e de renome, e Mr. Edward Hyde, homem deformado que “surge” em Londres e que começa a causar suspeitas por seu comportamento agressivo e por desaparecer tão rápido quanto aparece. A trama tem início quando o advogado descobre que o médico, sem motivo aparente ou lógico, coloca o nome de Mr. Hyde em seu testamento. Quando questionado sobre o assun...

Stranger Things – 2ª Temporada (2017) | Seriado volta explorando uma de suas principais forças

Quando Stranger Things estreou há pouco mais de um ano, a comoção geral sobre a série girava em um torno de basicamente um aspecto: as homenagens à cultura da década de 80, não só pelos pôsteres de filmes e bandas expostos, mas sobretudo pelas referências estéticas na direção e no som. Agora, com uma base de fãs já estabelecida, a segunda temporada entregue pela Netflix confia totalmente em seus personagens para contar uma nova história. Não que as referências oitentistas dos criadores Matt e Ross Duffer tenham sido abandonadas: elas ainda podem ser vistas aos montes, até mesmo nos materiais de divulgação. A forma, porém, não é desprovida de conteúdo, pois o seriado entende que, depois de um ano (o gap também ocorre no enredo), estamos ansiosos para saber o que mudou na vida dos habitantes de Hawkins e como os eventos passados afetaram a vida daqueles envolvidos. É proveitosa, por exemplo, a exploração de Will ( Noah Schnapp ), que, antes desaparecido, só agora pôde mostrar ...

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) | O sonho que virou pesadelo

Valerian and the City of a Thousand Planets (EUA) Valerian e a Cidade dos Mil Planetas  foi pensado para ser um blockbuster. E com essa classificação, é fácil atingir o público médio do cinema: o grupo de amigos; o casal que assiste filmes esporadicamente; os curiosos. O estranho, porém, é quando nem o público para o qual o filme foi desenvolvido aceita ou gosta do que está vendo. O exemplo disso aconteceu na sessão que assisti Valerian , quando um rapaz saiu no meio da sessão e ainda sentiu a necessidade de xingar o filme para todos que estavam ali. Ele estava decepcionado – e com razão.    De um sonho antigo do diretor e roteirista  Luc Besson , Valerian é uma adaptação dos quadrinhos de ficção científica de 1967, que ganha forma na grande tela com a promessa de entreter o seu público. Isso é o mínimo que se pode esperar de uma trama espacial, com dois atores jovens, raças alienígenas diferentes, contínuo uso de CGI e, claro, da Rihanna . ...

Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) | Filme traz desfecho decente etrabalha ideologias atuais

War for the Planet of the Apes (EUA) Em meio ao mundo que vivemos hoje, com políticos radicais, destruição da natureza, a rejeição do ser humano por ele mesmo, sem falar das guerras, que muitas vezes não parecem ter o menor sentido, não é incomum diversas distopias surgirem à tona em algumas plataformas. Entre elas, a obra de ficção científica do escritor francês Pierre Boulle , " Planeta dos Macacos ", publicada em 1963, pela qual rendeu cinco filmes, entre 1968 e 1973, e um remake em 2001, dirigido por Tim Burton .   Com o sucesso recente da temática, a nova franquia de filmes - dirigida primeiramente por Rupert Wyatt ( A Origem ) e atualmente por Matt Reeves - veio em um bom momento.  + Planeta dos Macacos (1968) | Utopia ou distopia? Em " A Guerra ", seguindo os acontecimentos que sucederam " Planeta dos Macacos: A Origem " (2011) e " Planeta dos Macacos: O Confronto " (2014), eis que nos deparamos com a batalha final. Após ...

Coração e Alma (2015) | A morte e a vida bem trabalhadas

Répare les Vivants (Francça) Ah, o cinema francês... Sendo um referencial da chamada cultura erudita, esta indústria cinematográfica possui diversas características marcantes, como suas alusões ao clássico e o seu ritmo um pouco mais lento — que dispensa o chamado clímax — em comparação a outras produções, principalmente as blockbusters . No filme "Coração e Alma" (2015), pelo qual, em tradução livre, possui o título original "Reparar os Vivos" , o universo francês não poderia divergir tanto de sua essência principal, mesmo que adaptando-o para a demanda atual de assuntos modernos. Explorando o contemporâneo e mesclado-o com elementos clássicos, o trabalho da diretora Katell Quillévéré emociona constantemente, mesmo nas cenas mais monótonas, e consegue arrancar lágrimas dos despreparados nas horas certas, sabendo exatamente em qual momento tocar nas feridas e nos tabus que o ser humano carrega por natureza. Entre eles, seu principal, aquele que não deve ser ...

A Múmia (2017) | O mal começo do "Universo Sombrio"

The Mummy (EUA) O universo egípcio está longe de ser saturado. Seus deuses, sua localização exótica e sua influência na história antiga são fatores que fazem desse contexto um dos mais ricos a serem trabalhados. Por ser um sistema completo, foi uma escolha arriscada — apesar de interessante — que o primeiro filme que dê início a tão aguardada saga do Dark Universe contemple um dos monstros ma is   isolados do terror. Por ser pioneiro e a peça fundamental para o começo de um novo universo, seguindo o já conhecido sistema de diversos filmes interligados por personagens e enredos, era de se esperar que "A Múmia"  (2017) fosse a entrada triunfal da Universal na nova tendência de Hollywood, já explorada por seus companheiros (e não necessariamente concorrentes) Marvel e DC Comics.   A audácia da Universal Studios e do diretor Alex Kurtzman , conhecido principalmente por seu trabalho como roteirista do novo "Star Trek"  (2016) e de "O Espetacular Ho...

Alien: Covenant (2017) | Outra tentativa frustrante

Alien: Covenant (EUA) Ridley Scott mudou o cinema ao criar o terror especial de maior sucesso com o filme Alien, o Oitavo Passageiro (1979) . Quase 40 anos se passaram e o diretor trouxe a saga de volta às telonas com o objetivo de contar a história de origem do xenomorfo. Talvez ele devesse reconsiderar sua decisão. + Alien, o Oitavo Passageiro (1979) | Ridley Scott de raiz Alien: Covenant é o segundo filme prequel da franquia e aborda a missão colonizadora da nave espacial que está no título do filme. A direção ficou sob responsabilidade do idealizador Ridley Scott, mas a roteirização é de John Logan e D.W. Harper , que se perdem em referências e trazem uma narrativa esquecível e sem criatividade. Trabalhar com uma franquia tão bem estabilizada no cinema é um risco que facilmente leva os criativos a contar histórias repetidas e maçantes. É uma mera ilusão de que o sucesso obtido na época em que o gênero era novidade vá se repetir, deixando de lado todas as ...