I, Daniel Blake (UK) O Festival de Cannes 2016 foi imediatamente compreendido como uma edição muito questionada pela crítica. Além de tantos prêmios imprevisíveis, como o vaiado do Xavier Dolan “É Apenas o Fim do Mundo” , muita coisa importante foi deixada de lado, como o alemão “Toni Erdmann” e até mesmo “Aquarius” – ambos causadores de muita expectativa. Essa questão gerou um mal-estar diante a “legitimação” dos grandes ganhadores. “Eu, Daniel Blake” , vencedor da Palma de Ouro, no entanto, é uma das certezas da premiação por ser uma obra de atualidade muito enérgica. Contando a trajetória de Daniel ( Dave Johns ), um homem que enfrenta a burocracia do Estado, o diretor britânico Ken Loach não esconde seu desejo de trazer um olhar parcial para essa relação historicamente incompatível. E surpreende ao fazer isso de modo brusco, entregando ao filme uma narrativa clássica de “enfrentamento”, denunciando o sistema por meio de um tédio intencional diante um antagonista i...
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