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Mostrando postagens com o rótulo Cinema 2017

A Babá (2017) | O nerd prova o seu valor

Logo na introdução somos apresentados a uma ambientação de colegial que respira o “American Way of Life” (O jeito de vida americano), impresso em uma fotografia saturada com luzes quentes e trilha sonora adolescente. O roteiro tem incluso os hormônios agitados da vivacidade juvenil, mas sem tropeços, com detalhes que tornam toda sua estrutura bastante enxuta ainda mais atraente à medida que revelam sua importância. A simplicidade da obra não a trás demérito, mas sim um entretenimento envolvente e fervilhante.  Crítica: A Babá (2017) O nerd prova o seu valor O filme apresenta a história que discorre, inicialmente, sobre diversas crises de um estereótipo de aborrescente nerd. Sempre estamos com o Cee, o protagonista. Por vezes, a câmera subjetiva nos põe no local dele, literalmente. Essa estética entrega seu público alvo, todos aqueles que se identificam com o garoto, que já viram aquelas cenas, mostradas pelos “seus olhos” (câmera). Para esse público, o filme respira uma no...

O Rei do Show (2017) | O legado satisfatório de La La Land

Desde a abertura, O Rei do Show não hesita em nem um segundo em mostrar seu espírito. As cores vibrantes, os recursos sonoros, a música e, claro, a visão imediata de Hugh Jackman no papel principal, fazem dos primeiros minutos algo já memorável. Dessa forma, é difícil identificar o diretor Michael Gracey como quase que um novato na direção, mas fica ainda mais fácil perceber seu conforto e afinidade com a arte visual. O Rei do Show é livremente baseado na história de P. T. Barnum , empresário de peso na história do entretenimento americano, reconhecido por ser o criador do circo que conhecemos hoje. O longa se inicia, então, com uma introdução decente e breve, o que dispensa o uso de flashbacks e torna a história mais linear, sem fugir da temática do teatro. Conhecemos logo no começo a história secundária da trama - um pouco genérica -, entre Phineas Barnum ( Jackman ) e Charity ( Michelle Williams ). Mas o verdadeiro ouro do longa, que infelizmente não foi tão bem explorado...

"Morte no Nilo" é confirmado como continuação de "Assassinato no Expresso Oriente"

Dias antes da estreia do filme " Assassinato no Expresso Oriente ", baseado no livro da  Agatha Christie , a revista americana Variety anuncia que outro livro da Rainha do Crime também vai parar nas telonas. O roteiro também fica por conta de Michael Green e a expectativa é que o diretor e ator  Kenneth Branagh  retorne para o novo longa. + Assassinato no Expresso Oriente (1933) | História confusa, mas competente "Morte no Nilo" foi publicado em 1937 e traz mais uma das histórias de mistério de Hercule Poirot. Desta vez, o detetive se encontra de férias no Egito, mas o crime não. Assassinato no Expresso Oriente relata um dos mistérios mais famosos de Agatha Christe. Após um assassinato no meio da noite de uma viagem de trem, o culpado só pode ser um dos passageiros e cabe ao detetive Hercule Poirot, presente por acaso, descobrir, em meio à passageiros tão misteriosos quanto o próprio assassinato em si, quem teria as motivações para cometer tal crime. O filme tem ...

Dona Flor e Seus Dois Maridos (2017) | O cinema literal

Adaptar uma obra com mais de 50 anos é um grande desafio para todos os envolvidos no projeto do filme. É indiscutível a genialidade do autor que faz sua história se renovar por tantos tempo. Após 40 anos desde a última adaptação às telonas, Pedro Vasconcelos dirige e roteiriza a sua leitura de Dona Flor e Seus Dois Maridos  para os cinemas. De fato, uma leitura – quase literal.  O diretor já tem intimidade com o livro. Trabalhou com ele nos teatros por muito tempo, se sentindo bastante à vontade para fazer o mesmo no cinema. O resultado disso é que o filme todo tem uma direção teatral, desde a escolha dos planos, em ambientes limitados, até a condução dos atores. Os diálogos, que pareciam ser cópia das páginas do livro, não ficam naturais como deveriam. O uso da narração em momentos pontuais da trama poderia ser substituído por desenvolvimento de personagem de forma mais sutil.  O grande trunfo de Dona Flor e Seus Dois Maridos é o elenco, o qual conseguiu com...

A Morte Te Dá Parabéns (2017) | A Ilusão do Mistério

É engraçado como a indústria americana enxerga na repetição um elemento de atração, de tornar a ficção “mística” por um roteiro escrito em “níveis” genéricos de imersão. Em A Morte Te Dá Parabéns , Tree vive o dia do seu aniversário várias vezes porque é sempre assassinada ao fim da noite por um alguém mascarado (que parece ter saído de Uma Noite de Crime , 2013). A missão, lógico, é descobrir quem teria razões para isso. E se já na abertura, com a vinheta “estilizada” da Universal Pictures, vem à mente Contra o Tempo (2011), não demora muito para reconhecer que ambos caem na mesma armadilha embora climaticamente distintos. Crítica: A Morte Te Dá Parabéns (2017) A Ilusão do Mistério O roteirista/quadrinista Scott Lobdell , conhecido por episódios da série animada de X-Men na década de 90, investe muito para que essa narrativa engessada pareça algo além do gênero firmado na mediocridade - aí as tentativas de entregar sequências de humor que ora só espelham um ambiente vindo ...

Kingsman: O Círculo Dourado (2017) | Segunda dose de diversão

Diferentemente dos filmes de ação da última década, Kingsman: Serviço Secreto   (2015) chamou atenção do público com uma ação frenética e estilizada, humor na medida e um elenco de peso. O sucesso de bilheteria não deixou a Fox tardar em trabalhar na sua sequência. Agora, Kingsman: O Círculo Dourado se apropria da mesma fórmula do primeiro e perde parte daquela ousadia que outrora nos extasiou. + Kingsman (2015) | Ação jovem e inteligente Matthew Vaughn , que comandou o antecessor da  obra, demonstra estar novamente muito à vontade, mesmo sendo seu primeiro trabalho com sequência. O roteiro (também de autoria de Vaughn) casa perfeitamente com sua filmagem, sobretudo nas cenas de ação, o que prende o público à tela. Todos atributos técnicos cinematográficos são executados com classe e propriedade: montagem ritmada, trilha sonora nas alturas, coreografias e estudo de cena são características que o diretor já mostrou entender e ter a perspicácia para trabalhar no f...

Mãe! (2017) | O apocalipse é o agora

Vaias e aplausos: essas foram as primeiras reações ao novo filme de Darren Aronofsky . Essa é uma das principais evidências de que Mãe! não é passível de indiferença do público. Ele vai te fazer pensar e querer formar uma opinião sobre. Mas nada de imediatismo. O que o diretor propõe em seu longa é tão intenso, que são necessárias algumas horas – ou dias – para digerir o que foi visto. Por isso, não espere que essa crítica seja definitiva. Mãe! é, certamente, um filme para se extrair algo novo toda vez que for assistido. Aronofsky não é tímido em externar as suas referências e inspirações. Mãe! possui elementos em sua narrativa que lembram propositalmente o terror de Roman Polanski , O Bebê de Rosemary (1969). A mulher que presta o seu papel social de esposa atenciosa, os vizinhos intrusos, o confinamento e o mistério são alguns desses elementos em comum. Não à toa, o pôster de divulgação homenageou o clássico. Porém, mais do que isso, o diretor (e também roteirista) se bas...

Os Guardiões (2017) | Vingadores Russo?

Há pouco mais de um ano, era divulgado o trailer do novo filme de super-heróis a ser lançado em 2017. Não era Marvel, não era DC, tampouco Fox ou Sony. Os Guardiões , filme russo do gênero, causou tanto entusiasmo e falatório nas redes sociais que foi carinhosamente apelidado de “ Os   Vingadores Russ o”. De fato, o apelido até faria sentido, se Os Guardiões se assumisse como sátira do maior sucesso da Marvel. Na verdade, o principal fator que diferencia Os Guardiões de uma real sátira é porque ele se leva a sério até demais. Com uma narrativa forçada de Andrey Gavrilov somada à direç ão nada original de Sarik Andreasyan , o filme encontra soluções tolas para justificar os acontecimentos. Em menos de 10 minutos, vemos os heróis do grupo sofrerem as experiências genéticas e, duas sequências seguintes, um general russo em uma reunião relatando tudo que é preciso saber para acompanhar a história, graças à incompetência do roteiro em desenvolver uma trama e seus personagens. ...

It - A Coisa (2017) | Engajante, antes de mais nada. Bem interpretado, acima de tudo

It - A Coisa , filme de Andy Muschietti ( Mama ) adaptado do clássico livro homônimo de Stephen King , conta a história de sete crianças socialmente desajustadas que, após presenciarem eventos assustadores com Pennywise ( Bill Skarsgård ), um palhaço aterrorizante e sedento por medo, resolvem se unir e traçar uma jornada em defesa dos habitantes da estranha cidade de Derry. Logo de cara, precisamos comentar sobre o grande vilão da narrativa: o palhaço. A presença corporal de Bill Skarsgård em tela é, ao mesmo tempo, energética e ameaçadora, entregando um Pennywise tão cruel quando o da primeira adaptação de It (1990) , porém ainda mais impiedoso e violento. A vilania do personagem funciona tão bem como objeto de terror para o público quanto como agente catalisador da união entre os sete amigos. + Crítica:  It: Uma Obra-Prima do Medo (1990) | A linha tênue entre ser um clássico ou uma bobagem  Essa, aliás, é uma daquelas tramas que dependem, acima de tudo, de um...

Lino – Uma Aventura de Sete Vidas (2017) | Animação brasileira ganha seu espaço

Com as franquias multimilionárias dos grandes estúdios de animação do mundo, é difícil para as animações brasileiras ganharem espaço em um mercado tão competitivo, no qual a força-motriz de distribuição está no dinheiro envolvido no projeto.  Rafael Ribas , no entanto, aceitou o desafio e todas as suas dificuldades, tomando frente da animação 3D brasileira ao dirigir  Lino – Uma Aventura de Sete Vidas . Em um enredo simples, Lino tem um início dramático, no qual o protagonista se mal diz com a vida e se coloca como azarado. Reviravoltas depois, Lino (dublado por  Selton Mello ) se transforma em sua fantasia de gato gigante e luta para retornar ao seu corpo normal. As soluções que o filme encontra para fazer sentido são despretensiosas e comuns. O roteiro dá a Lino e a seus coadjuvantes (com dublagens de  Dira Paes  e  Paolla Oliveira ) o carisma necessário para cativar a atenção do público - seja a criançada ou seus pais. As piadas no time ...

Atômica (2017) | Atomic Pop "Bond"

Por ser um referencial feminista moderno, a Furiosa de ‘Mad Max’ é evocada na divulgação de ‘Atômica’ , nova ação estrelada (e produzida) por Charlize Theron . A menção está disfarçada em um dos pôsteres: “Mais furiosa do que nunca” . Embora pareça um apetrecho de marketing alheio ao filme, isso faz lembrar do que brilha em sua essência: a figura de uma mulher imponente que jamais cogita a falha diante qualquer missão.  É factual que suas desenvolturas (da personagem Lorraine e de Theron) sejam responsáveis por sustentar tudo o que a câmera vertiginosa de David Leitch vende como uma ação hollywoodiana. Mas "Atômica" quer ser mais do que a aventura elétrica sobre uma mulher imbatível, e é por aí que desanda brevemente como história a ser contada.  A abertura texturizada como videoclipe explicita uma estilização extrema (algo como as “cores neon” vendidas na publicidade de “Esquadrão Suicida” ), dando destaque a um tom de azul tão burlesco que inclusive lembra a p...

Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) | Filme traz desfecho decente etrabalha ideologias atuais

War for the Planet of the Apes (EUA) Em meio ao mundo que vivemos hoje, com políticos radicais, destruição da natureza, a rejeição do ser humano por ele mesmo, sem falar das guerras, que muitas vezes não parecem ter o menor sentido, não é incomum diversas distopias surgirem à tona em algumas plataformas. Entre elas, a obra de ficção científica do escritor francês Pierre Boulle , " Planeta dos Macacos ", publicada em 1963, pela qual rendeu cinco filmes, entre 1968 e 1973, e um remake em 2001, dirigido por Tim Burton .   Com o sucesso recente da temática, a nova franquia de filmes - dirigida primeiramente por Rupert Wyatt ( A Origem ) e atualmente por Matt Reeves - veio em um bom momento.  + Planeta dos Macacos (1968) | Utopia ou distopia? Em " A Guerra ", seguindo os acontecimentos que sucederam " Planeta dos Macacos: A Origem " (2011) e " Planeta dos Macacos: O Confronto " (2014), eis que nos deparamos com a batalha final. Após ...

Carros 3 (2017) | Depois da alucinação, a repetição

Cars 3 (EUA) O universo de ‘Carros’ já nasceu inverossímil quando apresentado em 2006. Mas a mente que havia concebido há mais de 10 anos a família de personagens mais empática da animação moderna, John Lasseter , encontrou rapidamente em toda a inconsistência uma aventura divertida. Desde os primeiros segundos, compreende-se que seu protagonista Relâmpago McQueen é um personagem que convém às fórmulas do estúdio; mais tarde, ao encontrar a Radiator Springs, é emocionante reconhecer que um dos alicerces de sua construção dramática está em tudo que se assemelha a ‘Toy Story’ . A outra parte é pura diversão desse mundo da velocidade – as cenas de corrida parecem uma versão benéfica da arrogância de ‘Velozes e Furiosos’ com o que resta de bom do lirismo de impacto à lá Michael Bay . E, de repente, ‘Carros’ funciona muito bem. Mas há uma centelha de exagero muito evidente, e não demorou muito para isso ser exposto: ‘Carros 2’ é ridículo em tudo que tenta. A terceira aposta da...

OKJA: A Indústria e o "Vilão Social"

O objetivo mais aparente de ‘Okja’ (polêmico lançamento da Netflix dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-Ho) é contar uma história de amor. A superporca Okja, embora produto desenvolvido pelo mecanismo do capital, possui sentimentos que nenhum cachorro de estimação é capaz de ter. Para que essa história faça seu sentido emocional, Okja é quase um humano, capaz de matematizar soluções para salvar quem ama e de ter uma noção do mundo mais abrangente que qualquer outro animal na Terra. Essa aventura dualiza, porém, com a vontade de criticar o sistema responsável por Okja: a indústria alimentícia.  É claro, portanto, que a obra possua uma personalidade óbvia diante tantas plateias ao redor do mundo; situação incitada pelo lançamento que ocorreu de modo surpreendentemente simultâneo. Era meia noite na Coréia do Sul, 8 da manhã na Califórnia, quando estreou meio-dia em ponto na plataforma brasileira. Essa universalidade permite que o filme tenha essa cara unicamente crítica a compre...

Na Vertical (2017) | Liturgia de desejos

Rester Vertical (França) O cinema de Alain Guiraudie é sempre uma experiência desconcertante. Nada é óbvio, nem os rótulos que empregamos aos personagens e sequer os desvios e caminhos que seguem suas histórias. Não a toa, 'Na Vertical' se parece muito com a improbabilidade narrativa de 'Um Estranho no Lago' . É desafiador que Alain esteja interessado em criar suspenses íntimos com histórias tão sinceras quanto estranhas. Estranho porque adiciona valor exclusivo aos impactos sexuais sem parecer fetichista, e os filmes se reforçam como mediador desses desejos. Aqui não é diferente. Não é mais surpresa que Alain precise de algo além de seus personagens para a verossimilhança de seu tom exaustivamente ameaçador. Para além das constantes incitações dos possíveis conflitos (e parece que a ideia é jamais acertar), o filme precisa ser uma pintura de textura única. E quanto a essa textura, ainda não cheguei à conclusão do que é mais sufocante: o silencio ou a escur...