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Mostrando postagens com o rótulo Hillary Maciel

Lady Bird: A Hora de Voar (2018) | O cinema sincero

Não há alguém melhor para retratar o amadurecimento feminino se não uma mulher. Greta Gerwig adaptou esse tema para seu olhar, nos entregando um filme sobre relações, descobertas e juventude. Lady Bird: A Hora de Voar é sincero e causa um sentimento de identificação muito fácil ao retratar pontos principais de uma transição da adolescência para a vida adulta.  A cidade de Sacramento se torna quase um personagem pela forma que lhe é referida, com muitos planos destinados a exibi-la. Christine “Lady Bird” ( Saiorse Ronan ) está no último ano de seu colegial e seu sonho é ser aceita numa universidade longe da sua cidade-natal. Greta, que assina a direção e o roteiro, se utiliza desse plot para construir camadas em seus personagens, dos quais parece ter tanta propriedade. O uso da câmera parada e dos enquadramentos centrais optados pela diretora mostra como ela se sente à vontade naquela posição. O pertencimento causado por Lady Bird: A Hora de Voar ecoou primeiro em sua criador...

Três Anúncios Para um Crime (2018) | A tríade que compõe o ser humano

Perdas, ódio e perdões: é sob essas três condições que Três Anúncios Para um Crime se constrói. Em um estilo que pode ser definido como um faroeste contemporâneo, o novo trabalho de Martin McDonagh possui um texto ácido e sincero que ganha vida através de um elenco primoroso. A harmonia criada por estes elementos entrega um filme com a capacidade de imersão, provocando sensações que ultrapassam as paredes da sala de cinema.  O peso carregado pela trama já se torna explícito em seu argumento: uma mãe em busca de justiça para a filha que fora estuprada e brutalmente assassinada. A partir daí, não é difícil sentir empatia pela protagonista em sua posição desfavorável de mulher e de mãe solteira. A performance de Frances McDormand emana os sentimentos de raiva, frieza, compaixão e vulnerabilidade, que acompanham a sua personagem de forma equilibrada, que em uma aliança com o roteiro de McDonagh, cria camadas para Mildred Hayes.  O desenvolvimento de personagem não fic...

A Forma da Água (2018) | Um diálogo íntimo com o nosso interior

Os contos de fada são umas das histórias mais antigas a serem contadas. Dos muitos romances que existem pelo mundo, a maioria segue a mesma estrutura deste gênero, diferenciados pela personalidade que ali é colocada. Conhecido por seus monstros e pelo estilo gore, Guillermo del Toro se aventura em criar um conto de fadas à sua maneira. A Forma da Água une um romance que encanta à originalidade de del Toro, carregando consigo um discurso que deve ser lembrado para além da temporada de premiações. Logo no início da projeção não há hesitação em nos introduzir àquele universo de maneira fantasiosa. A breve narração de Richard Jenkins como contador de história e a direção de del Toro que passeia calmamente pelo cenário submerso acompanhados dos primeiros minutos da espetacular trilha sonora de Alexandre Desplat já definem a estética que o filme irá manter. A escolha certa a fim de conquistar o espectador de início. O cuidado em apresentar a rotina de Elisa Desposito ( Sally Ha...

Eu, Tonya (2018) | Verdades contadas com estilo

Biografias com temáticas esportivas tendem a ser direcionadas para um nicho muito específico de público e perder visibilidade. Mas ao nos depararmos com produções como Touro Indomável e Rush – No Limite da Emoção , percebe-se que o esporte se torna mero detalhe perante o que aquela obra realmente quer dizer. Eu, Tonya segue esta mesma linha e surpreende ao trazer um dos maiores escândalos do esporte com um ritmo excelente e atuações memoráveis. + Rush: No Limite da Emoção | A Obsessão Dual A ideia era trazer diferentes perspectivas sobre o acontecimento. Para isso, Steven Rogers se apropriou de recursos narrativos distintos para que Eu, Tonya não se preenchesse de diálogos expositivos e ainda ganhasse a dinamicidade e o tom desejado. Numa mistura ambiciosa com docuficção, voice-over e quebra de quarta parede, Craig Gillespie compreende exatamente as intenções de seu roteirista e, em conjunto à exemplar montagem de Tatiana S. Riegel (não à toa concorrendo ao Oscar), entreg...

Maze Runner: A Cura Mortal (2018) | Quando o último é o melhor

Em 2014, histórias de mundo distópico protagonizados por adolescentes alcançava seu auge de sucesso com Jogos Vorazes . Não ficando para trás, nesse mesmo ano, a Fox não tardou em lançar o primeiro filme da trilogia Maze Runner com o mesmo tema. O sucesso foi satisfatório o suficiente para que se fossem trabalhadas as continuações e, após quatro anos e muitos problemas no set, Maze Runner: A Cura Mortal conclui a sua história e se mostra como o melhor da trilogia.  Wes Ball encabeçou a trilogia desde o início assumindo a direção dos três filmes. Isso permite que a linguagem e o estilo dos filmes façam sentido entre si e que não haja discrepâncias. O uso da câmera levemente tremida nas sequências de ação permanece e, ainda que A Cura Mortal tome grandes proporções comparado ao Correr ou Morrer , a direção de Ball permanece equilibrada e sem novidades. Ainda assim, tudo é muito bem executado e é perceptível um amadurecimento do diretor, que parece muito certo sobre cada de...

The Post - A Guerra Secreta (2018) | Triunfos de um jornalismo distante

Alguns ainda creem no jornalismo como uma entidade totalmente independente de interesses econômicos. O antigo sonho do jornalismo como ferramenta para democratizar a informação se torna uma utopia, ao nos depararmos com a indústria do fake news , o uso desesperado de clickbaits e todo graves tipos de parcialidades intrínsecas em cada reportagem. Steven Spielberg , que vivenciou diferentes fases dos jornais, retoma uma era distante com sua nova obra. The Post – A Guerra Secreta , ainda que com artifícios cafonas, coloca em cena a luta pela liberdade de imprensa e exalta todo o glamour da comunicação.  Spielberg, com sua vasta experiência, demonstra total conforto em sua posição como diretor. Todas suas decisões tomadas a respeito da direção de cena evidenciam seu domínio de câmera e suas decisões certas para cada sequência. Movimentos de câmera, os sensatos usos de contra-plongée, closes e até a câmera parada contribuem para a narrativa do filme, dialogando com recursos que vã...

Me Chame Pelo Seu Nome (2018) | Sutilmente fantástico

A grande particularidade que os romances de verão carregam consigo é a sua finitude. Por isso, quando se trata de uma história assim, já podemos imaginar o seu fim, com a separação do casal. Me Chame Pelo Seu Nome , porém, se utiliza disso a seu favor. Transformando a então previsibilidade em criação de expectativa, entregando algo mais intenso que um simples amor de verão.   Como uma adaptação do livro do mesmo título do autor André Aciman , e roteirizado por James Ivory , Me Chame Pelo Seu Nome ganhou a afeição do público pela sutileza e a sensibilidade que constrói o seu romance homossexual, sem cair nas armadilhas dos clichês que o tema possui. Luca Guadagnino traduz as páginas com uma direção inicialmente tímida, câmera nos cantos dos aposentos, e que acompanhando a aproximação do casal, conquista seu espaço e apresenta aquele amor de forma natural e sensível, sem forçar nada contra o público. As belíssimas locações, bem como a ambientação do início dos anos ...

Touro Ferdinando (2018) | Um discurso importante

Animação é um ótimo recurso para transmitir uma mensagem séria, mas de forma sutil e lúdica. Os filmes da Pixar já fazem isso com maestria, porém, não ficando para trás, Touro Ferdinando aborda temas complexos, como a exploração nas touradas e o abatimento animal, sem deixar de equilibrar com humor e momentos divertidos em tela.  Sob a direção do brasileiro Carlos Saldanha , que assina trabalhos com as animações trilogia Era do Gelo e Rio , Touro Ferdinando já exibe uma técnica mais sofisticada de animação. As cores, as texturas e os movimentos faciais mostram a qualidade da animação na qual o filme possui. Seu roteiro, que é baseado na obra – que sofreu censura devido ao fascismo – de Munro Leaf e Robert Lawson , o grupo de roteiristas adaptaram o enredo à tela que, mesmo com mais de 80 anos de existência, possui um discurso atual e necessário. E isso para além das touradas.  E a forma como o discurso é inserido ao público se torna verossímil, sutil e nada forçad...

O Destino de uma Nação (2018) | Sem surpresas, mas competente

Em menos de um ano, duas produções de grande porte tratam do mesmo evento: Operação Dínamo. O primeiro (em questão de lançamento), retrata com o formato de guerra, com viés mais contemplativo; o segundo, abrange com outra perspectiva, falando da guerra sem mostrá-la, focando em uma identidade particular: Churchill . Estas disparidades frisam as diferentes percepções artísticas sobre um mesmo “objeto”, no qual O Destino de Uma Nação de Joe Wright em nada se assemelha de Dunkirk de Christopher Nolan . Não se prendendo à obra de Nolan (a qual já tem sua crítica  aqui ), O Destino de Uma Nação reforça a identidade e o gosto de Wright em dirigir filmes de época. Embora não sendo o primeiro a ser ambientado nos anos 40 (vide Desejo e Reparação ), este trabalho ainda carrega consigo uma identidade que condiz com o contexto. A Londres suja, cinzenta e amedrontada é retratada com a sua direção que explora os ambientes e os personagens, em movimentos de câmera que se repetem e criam...

Roda Gigante (2017) | Outro filme sobre Woody Allen

Que Woody Allen gosta de falar sobre si em suas obras, todo mundo sabe. O aspecto cinematográfico criado pelo cineasta já é muito bem definido a ponto de bater o olho em tela e dizer: “Este filme é do Woody Allen.”. Refém de sua própria criação, Allen se perde na sua mesmice e seu novo trabalho Roda Gigante não traz muito do que já não tenha sido visto em sua própria filmografia. Relacionamentos, traições, um protagonista amante da arte, um lugar central: esses elementos fazem parte de outros filmes assinados pelo diretor (vide Meia-Noite em Paris; Manhattan; Para Roma, Com Amor ; e tantos outros). Sua identidade cinematográfica se encaixa em um padrão que se repete em suas estruturas narrativas criadas, e com uma filmografia tão extensa, acaba por saturar com histórias que já foram contadas pelo próprio Woody. Em Roda Gigante , a arte em questão é o teatro, no qual se costura uma relação íntima, não só em história, mas em narrativa, que se faz presente em todo o filme. A ...

Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2018) | Um novo olhar para um clássico

Trabalhar com um filme que marcou tantas infâncias desde seu lançamento é assumir um risco e já ser aguardado com preconceito pelos fãs do original. O ditado já dizia:  “Não mexa no que está quieto”. Entretanto, uma história recontada por um novo olhar pode render bons momentos no cinema. Jumanji: Bem-vindo à Selva não se perpetua como uma obra memorável como a que lhe deu origem, mas ainda assim, cumpre bem a principal proposta de um filme de aventura: divertir.  Os primeiros minutos de tela já apresentam o filme e trazem o primeiro elemento nostálgico, a fim de ambientar o público, sem que cause antipatia, agora que a plataforma do jogo Jumanji não é mais o tabuleiro e sim um console de videogame. O estranhamento é natural, mas ao colocar em paralelo com o que a indústria dos games se tornou, a ideia em transformar o clássico jogo em digital faz muito sentido. O que antes era estranho, agora é novidade. Em um roteiro colaborativo de Chriks McKenna , Erik Sommers , ...

Boneco de Neve (2017) | Apenas mais um filme de suspense policial

Um ótimo elenco, uma história baseada em um livro de sucesso do gênero de suspense policial, Martin Scorsese como produtor executivo e um diretor com experiência são excelentes indicativos para um bom filme, certo? Errado! Boneco de Neve prova que nem mesmo sob essas condições é possível salvar uma adaptação de ser genérica, sem graça e esquecível.  A direção de Tomas Alfredson permanece na zona de conforto e não entrega nada de novo. Ser original é o básico, sobretudo em um gênero cinematográfico com frequentes produções, como suspense policial. A maioria parte da mesma premissa: busca pelo autor de um crime brutal. E o desafio está em entregar algo diferente do que é visto todos os anos nas telonas.  Para isso, a escalação de um elenco talentoso e notável pode contribuir para a qualidade de um filme. Colocar Michael Fassbender como protagonista, de fato, já chama atenção (inclusive, mais um filme que mostra como 2017 não foi um bom ano para o ator). Além de no...

Liga da Justiça (2017) | O que a DC precisava

Os super-heróis da DC Comics sempre foram bem reconhecidos por grande parte das pessoas que têm um contato, ainda que pequeno, com TV, cinema ou quadrinhos. Nas telonas, sempre fomos habituados a ver filmes solo desses heróis e heroínas, na esperança de que eles se juntassem e criassem uma união que beira o épico. Esse dia chegou com Liga da Justiça . O histórico dessa nova leva de filmes do universo cinematográfico da DC é um tanto instável. O que antes estava fadado ao fracasso, se renovou com o ótimo Mulher-Maravilha (2017), que foi um fator crucial para se repensar as decisões que seriam tomadas para o Liga da Justiça . Na direção de Zack Snyder , veterano na casa, já era esperado a carga dramática pesada, o clima sombrio e a seriedade. Reviravoltas depois, Joss Whedon (veterano da casa rival), assumiu a direção e trouxe o tom que faltava no DCU.  + Crítica: Mulher-Maravilha (2017) | A Redenção da DC Liga da Justiça já se distancia por não se levar tão a sério ...

Dona Flor e Seus Dois Maridos (2017) | O cinema literal

Adaptar uma obra com mais de 50 anos é um grande desafio para todos os envolvidos no projeto do filme. É indiscutível a genialidade do autor que faz sua história se renovar por tantos tempo. Após 40 anos desde a última adaptação às telonas, Pedro Vasconcelos dirige e roteiriza a sua leitura de Dona Flor e Seus Dois Maridos  para os cinemas. De fato, uma leitura – quase literal.  O diretor já tem intimidade com o livro. Trabalhou com ele nos teatros por muito tempo, se sentindo bastante à vontade para fazer o mesmo no cinema. O resultado disso é que o filme todo tem uma direção teatral, desde a escolha dos planos, em ambientes limitados, até a condução dos atores. Os diálogos, que pareciam ser cópia das páginas do livro, não ficam naturais como deveriam. O uso da narração em momentos pontuais da trama poderia ser substituído por desenvolvimento de personagem de forma mais sutil.  O grande trunfo de Dona Flor e Seus Dois Maridos é o elenco, o qual conseguiu com...

Juliana Paes: "Eu fiquei muito livre para criar minha própria Dona Flor"

Na última terça-feira, 24, Juliana Paes , Marcelo Faria e Pedro Vasconcelos desembarcaram em Fortaleza, Ceará, para a divulgação do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos , que tem estreia marcada para a próxima quinta-feira, 2 de novembro. O Quarto Ato já conferiu o filme e conversou com a atriz e protagonista, Juliana Paes. Dona Flor e Seus Dois Maridos é a segunda adaptação do livro de Jorge Amado para os cinemas. A história é sobre a professora de culinária, Dona Flor, que se encontra dividida entre dois amores: seu atual esposo Dr. Teodoro e o falecido marido Vadinho. Confira a entrevista concedida por Juliana Paes, na qual ela fala um pouco sobre a sua atuação como Dona Flor. Quarto Ato: Juliana, como você faz para trabalhar no cinema e na televisão ao mesmo tempo? Você divide o tempo ou faz simultaneamente?  Juliana Paes: Simultaneamente é impossível. Quando você está  fazendo novela, não sobra tempo para uma carga horária com diária de cinema. Entã...

Kingsman: O Círculo Dourado (2017) | Segunda dose de diversão

Diferentemente dos filmes de ação da última década, Kingsman: Serviço Secreto   (2015) chamou atenção do público com uma ação frenética e estilizada, humor na medida e um elenco de peso. O sucesso de bilheteria não deixou a Fox tardar em trabalhar na sua sequência. Agora, Kingsman: O Círculo Dourado se apropria da mesma fórmula do primeiro e perde parte daquela ousadia que outrora nos extasiou. + Kingsman (2015) | Ação jovem e inteligente Matthew Vaughn , que comandou o antecessor da  obra, demonstra estar novamente muito à vontade, mesmo sendo seu primeiro trabalho com sequência. O roteiro (também de autoria de Vaughn) casa perfeitamente com sua filmagem, sobretudo nas cenas de ação, o que prende o público à tela. Todos atributos técnicos cinematográficos são executados com classe e propriedade: montagem ritmada, trilha sonora nas alturas, coreografias e estudo de cena são características que o diretor já mostrou entender e ter a perspicácia para trabalhar no f...

Mãe! (2017) | O apocalipse é o agora

Vaias e aplausos: essas foram as primeiras reações ao novo filme de Darren Aronofsky . Essa é uma das principais evidências de que Mãe! não é passível de indiferença do público. Ele vai te fazer pensar e querer formar uma opinião sobre. Mas nada de imediatismo. O que o diretor propõe em seu longa é tão intenso, que são necessárias algumas horas – ou dias – para digerir o que foi visto. Por isso, não espere que essa crítica seja definitiva. Mãe! é, certamente, um filme para se extrair algo novo toda vez que for assistido. Aronofsky não é tímido em externar as suas referências e inspirações. Mãe! possui elementos em sua narrativa que lembram propositalmente o terror de Roman Polanski , O Bebê de Rosemary (1969). A mulher que presta o seu papel social de esposa atenciosa, os vizinhos intrusos, o confinamento e o mistério são alguns desses elementos em comum. Não à toa, o pôster de divulgação homenageou o clássico. Porém, mais do que isso, o diretor (e também roteirista) se bas...