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Mostrando postagens com o rótulo #Crítica

Dumbo (2019) | Bela produção, falha no roteiro

As cores escuras e frias, o exótico e o bizarro, a narrativa excêntrica e a presença constante do onírico. Não é difícil supor que estamos diante de um filme do diretor Tim Burton , conhecido por diversos outros filmes consagrados pelo público e pela crítica, como Edward, mãos de tesoura (1990), A Noiva-Cadáver (2005) e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet  (2007). Em 2019, o diretor, que há alguns anos andava sumido das grandes bilheterias, arrisca junto à Disney na produção live-action do polêmico clássico de 1940:  Dumbo . Nesta versão, em um 3D completamente desnecessário, o elefantinho voador das grandes orelhas não anda com animais falantes e consegue manter o protagonismo, mesmo dividindo a tela com elenco de peso. Os créditos, entretanto, não devem ser somente aos animadores, que fizeram um bom trabalho com a construção digital de Dumbo e sua mãe, mas sim pelo roteiro, que não faz jus aos grandes nomes. Entre eles,  Michael Keaton -  ...

TAG inéditos #2: O Bom Filho (2019) | Thriller tem trama arrastada, mas cumpre exatamente o que promete

Yu-Jin é acordado pelo cheiro de sangue. E somos despertados pela curiosidade para continuar lendo para descobrir o porquê. Em poucas linhas, infelizmente perdemos a curiosidade, pois a medida que o personagem coreano explica sobre sua condição de epilético já nos fazer esquecer do principal.  "Bom Filho", obra de You-Jeong Jeong , sul-coreana considerada uma das grandes escritoras contemporâneas de suspense do país, e segundo livro do ano da série TAG inéditos traz thriller satisfatório, de fato. Ser comparada a Stephen King talvez seja exagero, mas de fato a autora consegue, mesmo que por meio de clichês e uma trama enrolada, construir suspense por entre suas linhas. O leitor talvez precisa de um pouco de coragem, mas assim que se ultrapassa as primeiras 100 páginas, não se torna difícil chegar ao final.  Após acordar certo de que a próxima tempestade mental chegaria em breve, causada por sua teimosia em interromper seus medicamentos, Yu-Jin escuta a voz da mã...

TAG inéditos #1: Um Casamento Americano (2019) | A dívida histórica que não para de aumentar

A dívida considerada histórica, na verdade, não e antiga o suficiente para alcançar o nível histórico. É atual. A abolição da escravatura no Brasil mal completou cento e trinta anos. O apartheid acabou há míseros 25 anos. O movimento Oscar So White ainda precisou acontecer em plenos 2016, em que internautas reclamavam a "palidez" de basicamente todos os indicados aos prêmios da Academia. E mesmo assim, ainda ouvimos e lemos, no nosso dia-a-dia, manifestações racistas disfarçadas de opinião. Dessa forma, ler um romance que traz como assunto central de sua trama o racismo, mesmo que disfarçado e escondido entre uma história particular, é mais do que uma leitura prazerosa, é basicamente uma aula de história contemporânea.  A obra da autora afro-americana Tayari Jones foi escolhida como um dos livros do clube do livro da Oprah, sendo também a autora representante para a edição de janeiro do C lube do Livro Tag: experiências literárias , na série inéditos, que dá origem ...

Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo! (2018) | Uma boa segunda dose de ABBA

Mamma Mia é como uma batata-frita do cinema: une carnívoros e vegetarianos. Seja você amante de películas conceituais um tanto envergonhado em falar que sabe quase todas as músicas e se encanta com Donna ( Meryl Streep ) e Sophie ( Amanda Seyfried ), ou você que gosta de filmes mais usuais e entende o filme como uma excelente história de mãe e filha.  Crítica: Mamma Mia - Lá Vamos Nós de Novo! (2018) Uma boa dose de ABBA Após dez anos do lançamento do primeiro filme, a sequência Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo!  se passa um ano após a morte de Donna e cinco anos desde a primeira versão. Sophie está prestes a reinaugurar o hotel da mãe, agora totalmente reformado, e convida seus três pais. O reencontro serve para desenterrar memórias sobre a juventude de Donna ( Lily James ), no final dos anos 70, quando ela resolve se estabelecer na Grécia. A parte dois dessa história conta com um musical cativante, e o foco não busca ser conceitual, mas sim no entretenimento c...

13 Reasons Why: Porque a 2ª temporada foi a maior decepção de 2018

Desde o primeiro anúncio da segunda temporada de "13 porquês", eu já me pronunciei contra. A primeira temporada tinha sido boa adaptação, decente e, o mais importante, completa. Não tinha deixado pontas soltas que não precisasse deixar e havia finalizado a história como tinha que ser. O final aberto? Necessário. Era um desfecho que precisaríamos continuar sozinhos. Nós todos éramos Hannah Baker e Clay Jensen, incentivados a continuar nossas histórias por então desmascarar Bryce Walkers de nosso dia-a-dia ao mesmo tempo em que lidávamos com nossos próprios porquês. Assim como Tyler, tínhamos os recursos para o caos, mas a incógnita deixada acabaria com nossas próprias decisões. +  13 Porquês | As Razões para dizer adeus Mas eis que, ignorando ao mesmo tempo a revolta de profissionais de saúde pela suposta irresponsabilidade ao trabalhar temática polêmica (leia-se suposta porque em momento algum estudei sobre como se trabalha temática do suicídio), Brian Yorkey , desen...

A Casa Torta (2018) | Filme decente, má adaptação

A notícia inesperada que diversas obras da escritora Agatha Christie iriam ser adaptadas para o cinema (como a " Casa Torta " e " Assassinato no Expresso Oriente ") e para a televisão (como " O Caso dos Dez Negrinhos " e " Os Crimes ABC "), movimentou a internet e trouxe mais uma vez ao topo diversas obras da Rainha do Crime. O resultado foi satisfatório, apesar de não tão surpreendente, em Assassinato no Expresso Oriente , uma das obras mais famosas da autora. A história, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh , fez até questão de deixar um gancho para uma próxima adaptação, que seria de  "Morte no Nilo". + Crítica: Assassinato no expresso oriente (1933) +  Crítica: Assassinato no expresso oriente (2007) Mas, agora em mãos da direção de Giles Paquet-Brenner , a responsabilidade duplicou. Já havíamos provado do sabor de Poirot, então adaptar A Casa Torta , livro sem o grande detetive protagonista, foi um grande risco. D...

Tudo que Quero (2018) | Jornada escrita em klingon*

Enquanto assistia a algum filme ou seriado, você já pensou consigo mesmo “esse personagem é igual a mim”? Para Wendy, protagonista do longa Tudo que Quero (2018), esse pensamento ocorreu ao assistir Spock, da famosa franquia Star Trek. Interpretada por Dakota Fanning , a garota é autista e tem dificuldades para compreender seus sentimentos e relacionar-se com outras pessoas, tal qual o herói intergaláctico. Carismática à sua maneira, ela é o foco do estudo de personagem (literalmente) que ocorre no filme de Ben Lewin (responsável pelo drama As Sessões, de 2012), lançado de forma tímida nas telonas (e, em alguns países, apenas nas telinhas). Carregando um astral leve com suas pitadas de comédia e também certo nível de inspiração com as suas dramáticas, o roteiro de Michael Golamco (cujos créditos de escrita para tela ainda são poucos) não se demora em explicar a rotina de Wendy, assim como suas obsessões e dilemas familiares. Moradora de um lar para jovens com transtornos ment...

O Homem das Cavernas (2018) | Novo filme da Aardman não decepciona e se torna um dos melhores do ano

O Homem das Cavernas , novo filme de Nick Park , é, provavelmente, uma das obras infantis mais divertidas dos últimos anos. Enquanto a criatividade dos cineastas da Pixar, Disney, Ghibli e outros estúdios se concentram em longas emocionais, a Aardman mantém o gênero de comédia que, mesmo brincando com os outros estilos, consegue entreter como os filmes de Charlie Chaplin dos anos 1930, cujas ações corporais geravam o riso sem dificuldade. Por sinal, vários personagens do estúdio Aardman e de O Homem das Cavernas são mudos, confirmando a capacidade que o diretor tem para criar situações cômicas com o corpo, e não com o texto. Apesar da complexidade de entreter com poucos diálogos e de contar uma história somente com imagens, Park simplifica o roteiro o máximo que pode, ocasionando, em certos momentos, um estranhamento com tamanha síntese e rapidez para contar a história. Esse trabalho é mérito do texto, que foi escrito por  Mark Burton ,  John O’Farrell  e  Jam...

Pedro Coelho (2018) | Absurdamente ousada, comédia familiar diverte

À primeira vista, Pedro Coelho (2018) parece um tanto quanto vergonhoso. Híbrido de CGI com live action, o filme “moderniza” a charmosa e consagrada obra infantil de Beatrix Potter , já adaptada múltiplas vezes em seriados de animação. Devido ao boom de filmes semelhantes que vêm surgindo desde a virada do século, o sentimento inicial sobre o filme é amargo e conservador, como um pressentimento bastante negativo de que uma preciosidade foi destruída. Mas, e se a surpresa for boa? Inacreditavelmente, apesar de não ser excelente, ela aconteceu: eis que a nova empreitada do coelho de jaqueta azul é divertida. E muito. Crítica: Pedro Coelho (2018) Absurdamente ousada, comédia familiar diverte Sob a direção de Will Gluck , veterano da comédia por trás de A Mentira (2010), Amizade Colorida (2011) e Annie (2014) - este último seu primeiro filme familiar -, Pedro Coelho adquiriu um novo tom: absurdo, debochado e violento, ainda que com sua cota de fofura, o filme aproxima seus ...

Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (2017) | Chacota politizada sobre moral

Uma piada política com toques de novela criminal. Essa é uma das definições para Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (2018), longa-metragem com direção de George Clooney e um atrevido roteiro escrito a quatro mãos: além do próprio Clooney e de Grant Heslov , o texto foi concebido pelos renomados irmãos Ethan e Joel Cohen , o que certamente aumenta a responsabilidade e as expectativas sobre a produção. Com tantos nomes já aqui citados, seria adequado simplificar a trama (já não tão complexa como parece) em apenas uma frase? No caso da artificial (mas desorganizada) Suburbicon , talvez, mas não seria interessante ignorar suas críticas à “moral” e aos “bons costumes”; ao “recatada e do lar” e, principalmente, ao “ make America great again ”. Introduzindo, já em seus minutos iniciais, a atmosfera cômica e artificial do “estilo de vida americano” permeada pelo filme - que, neste caso, situa-se no final da década de 1950, em uma vizinhança de subúrbio denominada Suburbicon -, a trama ...

The End of the F***ing world (1ª temporada) | Violência e identidade (além de uma bela surpresa da Netflix)

The End of the F***ing World não faz um pingo de cerimônia antes de mostrar sua essência. Logo nas primeiras cenas, é fácil perceber que o mais novo seriado original da Netflix, baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Charles S. Forsman, não pretende poupar o espectador com seu humor negro e seu enredo absurdamente exagerado e original Com vários pacotes de sangue falso e dois protagonistas com altos problemas de identidade, a série começa ao apresentar James ( Alex Lawther ), um garoto que tem quase certeza que é um psicopata e que não faz esforço para não sentir nada, e Alyssa ( Jessica Barden ), uma garota rebelde e irritada que pode muito bem ser sua próxima vítima. Ambos constroem sua personalidade com vários pontos em comum: nada a perder, traumas de infância e um desejo quase que inconsciente de se encontrar. Seja por algum desses motivos ou por James ter certeza que Alyssa seria a vítima perfeita para se provar um verdadeiro assassino, os dois criam, durante a série, um...

Extraordinário (2012) | História infantil para adultos

A obra Extraordinário , de R. J. Palacio , soube se vender; isso é fato. Com o anúncio do longa-metragem, que conta em sua ficha técnica com grandes nomes, dentre eles Julia Roberts (Uma Linda Mulher), Jacob Tremblay (Quarto de Jack), e Owen Wilson (Meia-Noite em Paris), a ideia do rosto “diferente” de Auggie Pullman, protagonista da obra em pauta, circulou redes sociais, sites e se tornou a concepção chave para um dos livros mais falados no último ano. + Quarto | O preço da liberdade + O Quarto de Jack (2015) | O confinamento de nossas vidas Carregando forte e incisiva lição de moral, o que chega a ser educativo, o livro pode atrair e agradar principalmente jovens e adultos. Mas é impossível ignorar que a trajetória do garoto fisicamente diferente, que decide ir para uma escola após anos de estudos em casa, por mais digna que seja, não passa de uma história destinada às crianças. Entre o público inesperado das Gerações Y e Z, que abrange os nascidos entre os anos 80 e meados dos an...