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Mostrando postagens com o rótulo Natália Coelho

Como foi minha experiência de 7 meses na Tag Inéditos

Caixas chegando todo mês, surpresas ao receber um livro completamente novo e, infelizmente, algumas decepções. Comecei a participar do clube do livro da TAG - experiências Literárias, na categoria inéditos em janeiro de 2019, e mantive minha assinatura até julho deste ano. A proposta é receber todos os meses um livro nunca publicado no Brasil - e preparado pela TAG - e desfrutar da leitura inédita. A caixa também conta com outras lembrancinhas, como marca páginas, uma espécie de panfleto explicativo e uma lembrancinha nova todo mês - como um quadro de frases e um sachê perfumado. Foram sete livros que tive o prazer de receber em casa (porque quando o correio passava, era sempre um sentimento de alegria e ansiedade. Qual seria o livro do mês?): "Um casamento americano", de Tayari Jones , "O bom filho", de You-jeong Jeong , "A retornada", de Donatella di Pietantronio , "Os sete maridos de Evelyn Hugo", de Taylor Jenkins Reid , "A rede de...

Tag inéditos #3: A Retornada | a identidade italiana

"Ser ou não ser. Eis a questão". Já dizia Hamlet no clássico que dá nome ao protagonista de uma das tragédias mais importantes de Shakespeare. No caso, a personagem se indagava sobre ser ou não um assassino, mas já trazia grande discussão que existe até os dias de hoje: a questão da identidade. E é esse o principal tema tratado pela edição de março da Tag - experiências literárias , categoria inéditos, em obra da italiana Donatella Di Pietrantonio . A identidade de uma menina que, após ter sido criada pela prima distante de seu verdadeiro pai, é enviada de volta para a família original. Em a Retornada , a protagonista, após retornar para sua cidade natal, onde não volta desde basicamente recém-nascida, se encontra em uma família menos afortunada, com vários irmãos que nem sabia que tinha e com pais que nem mesmo parecem que a queriam de volta. Essa situação, misturada com a dúvida do porquê de sua volta, a faz tentar criar uma nova rotina, mas nunca entrar realmente ...

Dumbo (2019) | Bela produção, falha no roteiro

As cores escuras e frias, o exótico e o bizarro, a narrativa excêntrica e a presença constante do onírico. Não é difícil supor que estamos diante de um filme do diretor Tim Burton , conhecido por diversos outros filmes consagrados pelo público e pela crítica, como Edward, mãos de tesoura (1990), A Noiva-Cadáver (2005) e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet  (2007). Em 2019, o diretor, que há alguns anos andava sumido das grandes bilheterias, arrisca junto à Disney na produção live-action do polêmico clássico de 1940:  Dumbo . Nesta versão, em um 3D completamente desnecessário, o elefantinho voador das grandes orelhas não anda com animais falantes e consegue manter o protagonismo, mesmo dividindo a tela com elenco de peso. Os créditos, entretanto, não devem ser somente aos animadores, que fizeram um bom trabalho com a construção digital de Dumbo e sua mãe, mas sim pelo roteiro, que não faz jus aos grandes nomes. Entre eles,  Michael Keaton -  ...

TAG inéditos #2: O Bom Filho (2019) | Thriller tem trama arrastada, mas cumpre exatamente o que promete

Yu-Jin é acordado pelo cheiro de sangue. E somos despertados pela curiosidade para continuar lendo para descobrir o porquê. Em poucas linhas, infelizmente perdemos a curiosidade, pois a medida que o personagem coreano explica sobre sua condição de epilético já nos fazer esquecer do principal.  "Bom Filho", obra de You-Jeong Jeong , sul-coreana considerada uma das grandes escritoras contemporâneas de suspense do país, e segundo livro do ano da série TAG inéditos traz thriller satisfatório, de fato. Ser comparada a Stephen King talvez seja exagero, mas de fato a autora consegue, mesmo que por meio de clichês e uma trama enrolada, construir suspense por entre suas linhas. O leitor talvez precisa de um pouco de coragem, mas assim que se ultrapassa as primeiras 100 páginas, não se torna difícil chegar ao final.  Após acordar certo de que a próxima tempestade mental chegaria em breve, causada por sua teimosia em interromper seus medicamentos, Yu-Jin escuta a voz da mã...

TAG inéditos #1: Um Casamento Americano (2019) | A dívida histórica que não para de aumentar

A dívida considerada histórica, na verdade, não e antiga o suficiente para alcançar o nível histórico. É atual. A abolição da escravatura no Brasil mal completou cento e trinta anos. O apartheid acabou há míseros 25 anos. O movimento Oscar So White ainda precisou acontecer em plenos 2016, em que internautas reclamavam a "palidez" de basicamente todos os indicados aos prêmios da Academia. E mesmo assim, ainda ouvimos e lemos, no nosso dia-a-dia, manifestações racistas disfarçadas de opinião. Dessa forma, ler um romance que traz como assunto central de sua trama o racismo, mesmo que disfarçado e escondido entre uma história particular, é mais do que uma leitura prazerosa, é basicamente uma aula de história contemporânea.  A obra da autora afro-americana Tayari Jones foi escolhida como um dos livros do clube do livro da Oprah, sendo também a autora representante para a edição de janeiro do C lube do Livro Tag: experiências literárias , na série inéditos, que dá origem ...

Por que Cem Anos de Solidão?

José Arcadio Buendía e o próprio García Márquez devem estar se remexendo direto de seus túmulos neste exato momento. A notícia de que os direitos do célebre livro " Cem anos de solidão ", do autor ganhador do Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, foram comprados pelo serviço de streaming Neflix foi uma surpresa - boa e ruim - que chegou em plena quarta-feira de cinzas, como um presente de fim de Carnaval.  Nunca antes adaptado para nenhuma tela - seja cinema ou televisão -, a história que encantou e ainda encanta gerações desde 1967 tem previsão para se tornar seriado com produção-executiva assinada pelos filhos do autor. Mas por que essa notícia é tão relevante? E por que essa obra, e não " Amor nos tempos do cólera ", umas das favoritas pelo público? Para começar, temos que entender o que significa " Cem anos de solidão ".  Lá pela década de 1950, após os grandes movimentos de literatura da América Hispano-americana terem se consol...

Guerra Fria (2018) | O retrato, e a beleza, da guerra improvável

São muitos (às vezes até demasiados), os filmes que revivem a Segunda Guerra Mundial e seus acontecimentos em territórios já padrões. Japão, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Rússia estão sempre em destaque na narração desse acontecimento, o que cria uma rotina e uma visão quase unilateral de um grupo pré-definido. A quantidade é tão vasta que é possível criar uma classificação para o tema. Por essas e outras que a audácia - ouso dizer -, do diretor Pawel Pawlikowski (mais conhecido por seu filme Ida ) de construir enredo em torno da Guerra Fria na Polônia deve ser reconhecida, não só pela coragem em si, mas pelo êxito em seu resultado. Crítica: Guerra Fria (2018) O retrato, e a beleza, da guerra improvável A Polônia da década de 50, oficialmente República Popular de Polônia, foi marcada pela consolidação do Estado Socialista e pelas repercussões da Segunda Guerra. Desta forma, um grupo de produtores artistas decidem construir um grupo musical para reviver a tradição...

13 Reasons Why: Porque a 2ª temporada foi a maior decepção de 2018

Desde o primeiro anúncio da segunda temporada de "13 porquês", eu já me pronunciei contra. A primeira temporada tinha sido boa adaptação, decente e, o mais importante, completa. Não tinha deixado pontas soltas que não precisasse deixar e havia finalizado a história como tinha que ser. O final aberto? Necessário. Era um desfecho que precisaríamos continuar sozinhos. Nós todos éramos Hannah Baker e Clay Jensen, incentivados a continuar nossas histórias por então desmascarar Bryce Walkers de nosso dia-a-dia ao mesmo tempo em que lidávamos com nossos próprios porquês. Assim como Tyler, tínhamos os recursos para o caos, mas a incógnita deixada acabaria com nossas próprias decisões. +  13 Porquês | As Razões para dizer adeus Mas eis que, ignorando ao mesmo tempo a revolta de profissionais de saúde pela suposta irresponsabilidade ao trabalhar temática polêmica (leia-se suposta porque em momento algum estudei sobre como se trabalha temática do suicídio), Brian Yorkey , desen...

A Casa Torta (2018) | Filme decente, má adaptação

A notícia inesperada que diversas obras da escritora Agatha Christie iriam ser adaptadas para o cinema (como a " Casa Torta " e " Assassinato no Expresso Oriente ") e para a televisão (como " O Caso dos Dez Negrinhos " e " Os Crimes ABC "), movimentou a internet e trouxe mais uma vez ao topo diversas obras da Rainha do Crime. O resultado foi satisfatório, apesar de não tão surpreendente, em Assassinato no Expresso Oriente , uma das obras mais famosas da autora. A história, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh , fez até questão de deixar um gancho para uma próxima adaptação, que seria de  "Morte no Nilo". + Crítica: Assassinato no expresso oriente (1933) +  Crítica: Assassinato no expresso oriente (2007) Mas, agora em mãos da direção de Giles Paquet-Brenner , a responsabilidade duplicou. Já havíamos provado do sabor de Poirot, então adaptar A Casa Torta , livro sem o grande detetive protagonista, foi um grande risco. D...

Oscar 2018: Cinco filmes vencedores do Oscar de "Melhor Filme" baseados em livros (e você provavelmente não sabia)

A maior premiação de produções cinematográficas já glorificou diversos filmes com o grande prêmio da noite, o de Melhor Filme: musicais, histórias reais, dramas, aventuras e fantasias. No meio de toda essa diversidade - que finalmente tem crescido da forma que merece no último ano -, o mundo da literatura não pode e nem fica para trás. Não é recente ou raro encontrar filmes baseados em livros que concorrem ao Oscar em diversas categorias. Quando fala-se de "melhor filme", um dos maiores títulos da premiação, é normal encontrar filmes baseados em livros homônimos. Um caso recente foi a edição do Oscar de 2016, onde sete dos oito filmes indicados à melhor filme eram baseados em obras literárias. Já no de 2018, Me Chame Pelo Seu Nome marca sua presença entre os concorrentes. Oscar: Cinco filmes vencedores de "Melhor Filme" baseados em livros (e você provavelmente não sabia) Em 2016, sete dos oito filmes indicados a Melhor Filme eram adaptação literária. Esse an...

The End of the F***ing world (1ª temporada) | Violência e identidade (além de uma bela surpresa da Netflix)

The End of the F***ing World não faz um pingo de cerimônia antes de mostrar sua essência. Logo nas primeiras cenas, é fácil perceber que o mais novo seriado original da Netflix, baseado nos quadrinhos de mesmo nome de Charles S. Forsman, não pretende poupar o espectador com seu humor negro e seu enredo absurdamente exagerado e original Com vários pacotes de sangue falso e dois protagonistas com altos problemas de identidade, a série começa ao apresentar James ( Alex Lawther ), um garoto que tem quase certeza que é um psicopata e que não faz esforço para não sentir nada, e Alyssa ( Jessica Barden ), uma garota rebelde e irritada que pode muito bem ser sua próxima vítima. Ambos constroem sua personalidade com vários pontos em comum: nada a perder, traumas de infância e um desejo quase que inconsciente de se encontrar. Seja por algum desses motivos ou por James ter certeza que Alyssa seria a vítima perfeita para se provar um verdadeiro assassino, os dois criam, durante a série, um...

Extraordinário (2012) | História infantil para adultos

A obra Extraordinário , de R. J. Palacio , soube se vender; isso é fato. Com o anúncio do longa-metragem, que conta em sua ficha técnica com grandes nomes, dentre eles Julia Roberts (Uma Linda Mulher), Jacob Tremblay (Quarto de Jack), e Owen Wilson (Meia-Noite em Paris), a ideia do rosto “diferente” de Auggie Pullman, protagonista da obra em pauta, circulou redes sociais, sites e se tornou a concepção chave para um dos livros mais falados no último ano. + Quarto | O preço da liberdade + O Quarto de Jack (2015) | O confinamento de nossas vidas Carregando forte e incisiva lição de moral, o que chega a ser educativo, o livro pode atrair e agradar principalmente jovens e adultos. Mas é impossível ignorar que a trajetória do garoto fisicamente diferente, que decide ir para uma escola após anos de estudos em casa, por mais digna que seja, não passa de uma história destinada às crianças. Entre o público inesperado das Gerações Y e Z, que abrange os nascidos entre os anos 80 e meados dos an...

O Rei do Show (2017) | O legado satisfatório de La La Land

Desde a abertura, O Rei do Show não hesita em nem um segundo em mostrar seu espírito. As cores vibrantes, os recursos sonoros, a música e, claro, a visão imediata de Hugh Jackman no papel principal, fazem dos primeiros minutos algo já memorável. Dessa forma, é difícil identificar o diretor Michael Gracey como quase que um novato na direção, mas fica ainda mais fácil perceber seu conforto e afinidade com a arte visual. O Rei do Show é livremente baseado na história de P. T. Barnum , empresário de peso na história do entretenimento americano, reconhecido por ser o criador do circo que conhecemos hoje. O longa se inicia, então, com uma introdução decente e breve, o que dispensa o uso de flashbacks e torna a história mais linear, sem fugir da temática do teatro. Conhecemos logo no começo a história secundária da trama - um pouco genérica -, entre Phineas Barnum ( Jackman ) e Charity ( Michelle Williams ). Mas o verdadeiro ouro do longa, que infelizmente não foi tão bem explorado...