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O Menino do Dedo Verde | A vida, afinal, é a melhor escola que existe



Esse é um dos livros que devemos ler pelo menos uma vez na vida, O menino do dedo verde é adotado em diversas escolas ao redor do mundo. Este livro infantil foi escrito por um autor que gestou e se desenvolveu no mesmo ventre acadêmico que Saint-Exupéry, seu nome é Maurice Druon. O escritor Maurice Druon nasceu em 23 de abril de 1918 em Paris e morreu em 14 de abril de 2009 também em Paris, na França. De origem russa, tinha entre seus antepassados, um bisavô brasileiro, Odorico Mendes (1799-1864), escritor e jornalista que ficou conhecido por traduzir Homero e Virgilio. 


Passou a infância na Normandia e cursou os segundo grau no Liceu Michelet. Estudante de Ciências Política, iniciou-se no mundo da escrita aos 18 anos, quando publicou suas idéias em revistas e jornais literários. Após se distanciar do universo militar, entrega-se ao mundo da literatura e a partir de 1946 consagra-se como escritor e em 1948 recebe o primeiro prêmio de reconhecimento, o Prêmio Goncourt, pelas novelas “As Grandes Famílias”, além de ter recebido outros prêmios por esse conjunto de obras.

Entre os anos de 1950 e 1960, ele criou a série “Os Reis Malditos”, que foi traduzida para vários idiomas. Ficou mundialmente conhecido pelo seu único livro infanto-juvenil, “O Menino do Dedo Verde” (cujo título original é “Tistou les pouces verts”) publicado em 1957. No Brasil foi traduzido por Dom Marcos Barbosa.

De uma leitura fluida, simples como todo livro infantil deve ser, mas sem deixar de cumprir seu papel que é de explicar de uma forma fácil coisas que são profundas. A história desse livro nos faz refletir sobre a guerra, o por que ela existe e seu significado para os homens que estão envolvidos na política e aqueles que constroem armamento bélico, tudo isso na perspectiva de uma criança que não é como as outras.

Tistu, é filho do homem mais rico da cidade de Mirapólvora, dono de uma fábrica de canhões muito requisitado no mercado bélico mundial. Quando o Sr. Papai o matricula na escola recebe uma triste notícia de que Tistu não poderia ir a escola, pois ele não era igual as outras crianças.

Então o Sr. Papai contrata os melhores profissionais da cidade para que ensinem ao seu filho aquilo que não se aprende com um professor. As coisas da vida deveriam ser vivenciadas na pele. O jardineiro de sua casa, Sr. Bigode, sem querer descobre que Tistu tem o polegar verde, que faz brotar sementes adormecidas das plantas facilitando o crescimento de maneira grandiosa.

Sr. Bigode torna-se muito próximo a Tistu e compartilham o segredo sobre o dedo verde. Deixando claro caro leitores o dedo de Tistu não era verde, é chamado assim pois faz crescer a vegetação. O próximo a ensinar é o Sr. Trovões, diretor do presídio que apresenta a lei dos homens. Tistu percebe como as prisões são cinzentas e tristes, e tenta colorir tudo com as cores da natureza.

Com o doutor Milmales aprende que a saúde é uma dádiva muito delicada, descobre que sua diferença é boa e milagrosa, que pode ajudar. As flores trazem felicidade e elas devem florir para todos. Sem distinção. Mas a guerra chega à Mirapólvora, Tistu é o único capaz de compreender o que tem que ser feito. 

E a famosa cena da flor que é colocada no cano de uma arma nos leva a perceber como podemos ser intolerantes e irracionais. Será que pétalas e ramos podem exorcizar as dores que as balas derramam? A vida desperdiçada pelas bombas? Tistu nos ensina a lutar com cores e aromas. O menino do dedo verde faz germinar a flor inocente da nossa infância, que há muito tempo estava adormecida. Basta que ele nos toque com seu polegar.




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