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Trumbo: Lista Negra (2016) | Hollywood mostra seus verdadeiros vilões

Trumbo (EUA)
O novo filme do diretor Jay Roach recria a paranoia política que cercou a América durante a perseguição do Congresso aos pretensos "comunistas". E, se o nome Dalton Trumbo não chama muito a atenção do público comum, tornam-se reconhecíveis nomes como  L. B. Mayer (diretor executivo da MGM), Kirk Douglas (astro de Spartacus) e Edward G. Robinson (famoso ator que entregou amigos e companheiros de partido), astros que remetem a uma época de ouro do cinema. O filme traz à tona quem são os verdadeiros vilões de Hollywood e mostra que suas armas eram a influência, o jogo sujo e a traição.

O filme tem início por volta de 1947, quando Trumbo já era o roteirista mais bem pago de Hollywood. Ele envolveu-se com o partido comunista ainda na década de 40, sendo indiciado e acusado de traição quando se negou a entregar companheiros. Assim como muitos, ele foi punido e afastado de suas funções e seu nome tornado maldito. Após a prisão, para se manter, o roteirista foi obrigado a trabalhar utilizando-se de pseudônimos. E com eles recebeu dois Oscars.

Em "Trumbo" fica bastante claro o posicionamento de alguns dos astros mais famosos das telas, como John Wayne (David James Elliott), conhecido por seus filmes de faroeste e mostrado como um republicano ferrenho. Mas é Hedda Hopper (Helen Mirren), a temida colunista social que surge como a verdadeira vilã. Hopper é mostrada como uma das principais cabeças do movimento de perseguição, uma pessoa que se utilizava de segredos para chantagear figuras importantes do cinema e convencê-las a contribuir com a causa. E, de fato, Mirren está estupenda, o que nos faz questionar o motivo de sua ausência na disputa de Melhor atriz coadjuvante deste ano. O maior destaque, porém, fica por conta de Bryan Cranston como Dalton Trumbo. O ator ameaça verdadeiramente acabar com os planos de Leonardo DiCaprio em receber finalmente seu primeiro prêmio. Completando o elenco de apoio está Diane Lane como a esposa e companheira do roteirista.

Bem, Dalton Trumbo foi apenas uma dentre tantas pessoas que se negaram a abaixar a cabeça diante da perseguição cruel e foram punidas por isso. Em um país em que o terror foi espalhado em nome de uma busca pela "paz" torna-se evidente que o que tivemos foi justamente o contrário: uma caça frenética a todos que pensavam de maneira diversa, tolhendo-lhes a liberdade, calando-os, prendendo-os e negando-lhes os direitos básicos, como o trabalho. O filme ainda tenta humanizar um pouco mais a figura de Dalton, trazendo aspectos de sua vida pessoal em família, as dificuldades com a educação dos filhos e a convivência com vizinhos e pessoas durante este período difícil da história.

Trumbo, mostra-se um filme de conteúdo e que infelizmente foi esquecido da lista de indicações ao Oscar; talvez por tratar de um tema que Hollywood ainda teima em esquecer: sua própria história.

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