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O Bebê de Bridget Jones (2016) | O retorno suficiente

Bridget Jones's Baby (EUA)
Dentre os méritos da continuação, Renée Zellweger prova que definitivamente é a personagem-título. O fato da atriz ter se negado a engordar foi aproveitado no roteiro que justifica que, aos 43 anos, a personagem vive seu período mais pleno, tendo chegado ao seu peso certo e aprendido que o mundo não gira em torno do seu amor por Mark. Bem, pelo menos ela tenta e é consciente de que viver ao lado do homem dos seus sonhos talvez não seja a melhor solução para seus problemas de autoconfiança. Seu cenário permanece caótico, e volta e meia ela vive o drama da solidão, já que algumas amigas estão casadas e seu melhor amigo gay resolveu adotar uma criança. 

Dirigido mais uma vez por Sharon Maguire, o filme evita a grande reviravolta que todos detestaram no terceiro livro: a morte de Mark. O roteiro dá ênfase a uma história passada num período anterior ao livro lançado em 2014 e que revoltou muitos dos fãs. O que podemos dizer é que o O Bebê de Bridget Jones, assim como os outros filmes da série, não é um filme feminista, como algumas pessoas dizem. Embora a personagem lute para ser uma boa profissional, todos os seus discursos enfatizam que sua grande frustração é sentir-se um peixe fora d'água em diversas ocasiões. O que a diferencia é sua capacidade de manter-se dançando seja qual for a música que toque. Bridge, embora tenha seus momentos de terrível solidão, sempre irá em busca de algo que compense suas frustrações. 

A série de sucesso baseada nos livros de Helen Fielding chega em sua terceira edição deixando de lado um dos principais personagens, interpretados por Hugh Grant, e trazendo uma Bridget antenada com o mundo atual: seu diário e suas listas agora são escritos em um iPad e ela utiliza o Tinder para novos encontros. Daniel (Hugh Grant) é a grande ausência, mas a chegada de Jack (Patrick Dempsey) mantém a dinâmica assumida desde o primeiro filme e a eterna dúvida entre seguir um novo amor ou ficar ao lado do homem sonho. Meta conseguida: durante todo o filme vivemos a gangorra sentimental de torcer para um, ou para outro. Nada parece ser fácil para ela, e com a chegada de uma gravidez indesejada não seria diferente. Afinal, quem será o pai? O Nobre Mark ou o milionário Jack?

Embora o filme não tem feito grande sucesso na América, podemos dizer que não decepcionará os fãs de Bridge e os personagens de seu universo, que aparecem visivelmente envelhecidos. É um filme que deve ser assistido sem grandes pretensões e curtido como uma comédia que é. Esperamos, para o bem da série, que este seja o último.

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