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Passageiros (2016) | O clichê honesto

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Passengers (EUA)
Passageiros certamente possui uma das tramas mais genéricas dessa temporada pré-Oscar. Sequências, ideias, conceitos e discussões retiradas de inúmeros filmes que estudam a solidão no desconhecido do espaço, o que traz a sensação de repetição logo quando os créditos começam a surgir na tela. No entanto, é inegável que o filme se esforça em ser divertido, já que não é nem um pouco original. 

Chris Pratt e Jennifer Lawrance confirmam isto. Os únicos astros presentes em grande parte do filme possuem uma química incomparável, algo que indica a dedicação exemplar de ambos. Pratt, com a sua simpatia inconfundível, abraça o trabalho de ser o único homem presente na nave, que os transporta para outro planeta, de maneira eficaz o suficiente ao ponto de nunca cansarmos de suas reações diante do terror em que ele vive. Lawrence mantém o padrão, o charme usual e se esforça em prosseguir no ritmo que o filme requer.

A cinematografia e o design de produção são competentes o bastante para criar uma sensação de realismo com o lugar, o que traz enormes cenários decorados e recheados de detalhes distintos. Enquanto a montagem é empolgante ao apresentar atos divertidos, dramáticos e, por fim, um terceiro, que vai ficando mais denso com a aproximação do fim.

Já o roteiro é devidamente calmo e explicativo até quando se permite, algo que cada vez mais se encontra presente no cerne de filmes norte-americanos. A dinâmica entre os atores, no entanto, permite que tais explanações sejam passageiras (desculpem o trocadilho). Enquanto isso, o humor se firma como o primeiro passo que se esforça em desenvolver sem tensões a real problemática do filme para, como de costume, abraçar o romance e drama que os personagens exteriorizam.

No entanto, o terceiro ato, após abandonar as explicações, conceitos e sequências sentimentalistas, se fixa em uma intensa demonstração de cafonice. A tensão constante envolvida durante os atos anteriores se debruça com resoluções ágeis que não comprometem e que nem trazem uma alegoria menos óbvia do que a tradicional história de romance. O diretor Morten Tyldum, neste quesito, falha em desmitificar toda a essência do perigo vivido pelo casal.

Contudo, o elenco se esforça suficientemente em criação de química e tensão, assim como a trilha charmosa e assustadora do sempre competente Thomas Newton e do roteiro que se dedica em ser burlesco, a fim de, para a felicidade dos apaixonados por ficção cientifica, ser melhor que muita viagem interestelar por aí.

Comentários

  1. Por favor, me diz que você não se referia à Interestelar e sim à Perdidos em Marte ou Destino de Júpiter, ao final da crítica. Achei que falou pouco sobre a atuação dramática da Jennifer. A comédia foi puxada pelo Pratt, mas o drama, a Jenifer manda. rs'

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    Respostas
    1. Interstellar...UM DOS MELHORES FILMES DA MINHA VIDA S2!!!!!

      Muito bom mesmo ☺

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