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A Cura (2017) | Monotonia insustentável

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Do momento que se iniciou a divulgação de trailers de A Cura, muitas expectativas foram criadas entorno. Antes mesmo da sua estreia, o filme já chamava atenção devido sua estética e o ar de suspense e terror. O diretor Gore Verbinski, que já experimentou o gênero em O Chamado (2002), dessa vez apostou em um terror psicológico que, em contrapartida, se mostrou deveras superficial.

A Cura é um dos filmes que tem grande potencial, mas não aproveita as oportunidades para trabalhar o roteiro. A trama cumpre com a missão de envolver o público logo no início, tecendo um tom misterioso, o qual desperta a curiosidade do espectador. O primeiro ato abrange o equilíbrio entre a construção estética e o teor de suspense.

Esse equilíbrio, porém, fica restrito apenas às primeiras sequências. Quando o longa tem a necessidade de desenvolver a sua história, o roteiro de Justin Haythe fica obcecado em criar um mistério que perdure todos os 127 minutos de projeção. E, ainda que o protagonista interpretado por Dane DeHaan se esforce, os diálogos expositivos tornam o filme enfadonho e cansativo, testando a paciência de quem está assistindo. Neste ponto, nem mesmo a impecável fotografia e beleza estética sustenta a mediocridade do roteiro.

Já na metade da obra, fica bem óbvio o que está acontecendo ali, mas o diretor insiste em trazer um suspense onde não existe, pois a superficialidade do texto trouxe consigo a previsibilidade, o que é agravado pelas tantas referências que Verbinski fez questão de expor.

À medida que o filme vai se construindo, a sensação de “eu já vi isso antes” surge. O que faz questionar se A Cura não é apenas um aglomerado de referências – as quais vão desde O Bebê de Rosemary (1968) até O Iluminado (1980) – que se perde e fica preso num clichê sem identidade.

Mas, ainda que de forma muito mal aproveitada, A Cura traz consigo uma discussão que questiona a compulsão por trabalho, o estilo de vida workaholic e suas consequências. O que poderia ser um ótimo terror psicológico dos últimos anos, acaba sendo apenas mais um filme frívolo, que cairá no esquecimento assim que o espectador sair da sala de cinema. 

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