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Lino – Uma Aventura de Sete Vidas (2017) | Animação brasileira ganha seu espaço

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Com as franquias multimilionárias dos grandes estúdios de animação do mundo, é difícil para as animações brasileiras ganharem espaço em um mercado tão competitivo, no qual a força-motriz de distribuição está no dinheiro envolvido no projeto. Rafael Ribas, no entanto, aceitou o desafio e todas as suas dificuldades, tomando frente da animação 3D brasileira ao dirigir Lino – Uma Aventura de Sete Vidas.

Em um enredo simples, Lino tem um início dramático, no qual o protagonista se mal diz com a vida e se coloca como azarado. Reviravoltas depois, Lino (dublado por Selton Mello) se transforma em sua fantasia de gato gigante e luta para retornar ao seu corpo normal. As soluções que o filme encontra para fazer sentido são despretensiosas e comuns.

O roteiro dá a Lino e a seus coadjuvantes (com dublagens de Dira Paes e Paolla Oliveira) o carisma necessário para cativar a atenção do público - seja a criançada ou seus pais. As piadas no time certo garantem risadas e um bom humor, ainda que algumas sejam das mais bobas e frívolas, como a discussão tola da “bolacha x biscoito”.

O filme também não deixa a desejar na execução, com um 3D animado bem feito. Mesmo que seja perceptível algumas pequenas imperfeições, não prejudica a experiência do filme. Experiência contribuída também nas muitas aventuras do gato Lino, as quais são recheadas com referências – algo muito parecido com o que Toy Story 2 fez. Harry Potter, De Volta Para o Futuro e He-Man são algumas franquias com que a animação brinca.

Em sua conclusão, o fator prejudicial é a falta de sutileza em passar a mensagem, que já é construída durante toda a trama. Frases de efeito forçadas destoam do restante do filme, tornando-o demais. Hoje, está mais que provado que uma animação não precisa ser óbvia para ser entendível.

Lino  Uma Aventura de Sete Vidas, embora simples, cumpre com a sua proposta e nos entrega uma aventura divertida, que, mesmo com suas imperfeições, mostra como a animação brasileira tem grande potencial e merece ganhar maior visibilidade no cinema.

Crítica: Lino – Uma Aventura de Sete Vidas (2017)

Animação brasileira ganha seu espaço

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