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Homem-Aranha no Aranhaverso (2019) | Animação surpreende por seus gráficos e trama

Homem-Aranha no Aranhaverso é aquele filme que a Sony estava desesperada em encontrar, já que não sabia mais como realizar um filme solo do herói, desde 2007, com Homem-Aranha 3, tanto que fez uma parceria com a Marvel Studios para continuar a franquia estrelada por Tom Holland. Depois de um Venom terrível, o estúdio, enfim, acerta com uma inesperada animação, mas sem o apelo emocional de Peter Parker. Essa é a vez de Miles Morales, garoto negro de 15 anos que se inspira no Aranha para resolver os seus problemas.

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A partir dessa introdução ao universo animado, o roteiro assume que já conhecemos a história do Aranha, visto que brinca com isso ao fazer um resumo de sua origem, passando, inclusive por todos os filmes do Sam Raimi, com uma piada divertidíssima sobre o terceiro filme da série. Depois disso, o roteiro mostra Morales, personagem que surgiu no Universo Ultimate dos quadrinhos. Com essa temática bem humorada, os fãs se surpreendem com homenagens aos filmes antigos e os novos fãs se surpreendem com piadas hilárias retiradas das páginas dos quadrinhos recentes do herói.

Estes novos fãs, por sinal, buscam identificação, assim como os mais velhos buscaram no Peter. Miles tem dificuldades em lidar com os seus poderes, com a vida no colégio, com as garotas. Além disso, ele é um jovem negro com descendência hispânica, com problemas na família e com uma puberdade de origem duvidosa. Ele se aproxima da personalidade de Peter, mas tem outra dinâmica. Até mesmo o contexto do tio de Miles é diferente do de Peter, apesar do destino fatal que o aguarda.

E mesmo que o filme seja sobre Miles, outros Aranhas surgem no projeto, graças ao conceito tão bem explorado dos quadrinhos: o multiverso. Felizmente o roteiro encontra espaço para desenvolver cada um, principalmente nas piadas e nas sequências de ação, que mostra como eles atuam de modo icônico. Isso torna todo o projeto mais fluído, dinâmico e extremamente bem executado, visto que a animação toda foi pensada para os personagens brilharem.

Falando em brilho: o visual da animação é algo que deixa todas as outras de heróis no chão, incluindo Os Incríveis 1 e 2. O universo animado de Miles conta com centenas de referências aos quadrinhos, como os quadros de pensamento. Tudo ocorre de maneira natural, como se fosse realmente páginas de um gibi, algo que o Hulk, de Ang Lee, tentou fazer em 2003. E as inúmeras referências aos gibis deixa qualquer fã em estado de êxtase. Observem tudo ao redor, desde a decoração do quarto dos personagens até a lista de contatos do celular do pai de Miles. É homenagem para todo lado.

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E os estilos de animação também são perfeitos, já que acenam para outros universos, como o estilo de desenho dos Looney Tunes, que possui um traço 2D tradicional, aos animes, com homenagens e referências constantes, e ao gênero noir e os seus clichês. O filme é como um grande easter egg, que tem influência na trama, e que não serve apenas como fan service. São referências sutis e que não atrapalham a história. Eles ajudam a contá-la. Assim como o elenco primoroso, que conta com Liev Shereiber, Mahershala Ali, Nicolas Cage, Hailee Steinfield, Jake Johnson, Chris Pine e tantos outros que estão claramente empolgados com os seus respectivos personagens.

Homem-Aranha no Aranhaverso é, provavelmente, o segundo ou terceiro melhor filme do personagem e uma obra de arte que consegue respeitar todos os seus estilos e formatos diferentes, sem causar uma bagunça na cabeça do público. Ele é emocionante, cômico, inteligente e importante para as crianças de hoje. Temos, finalmente, mais um herói que vai trazer identificação com o público e que, depois de Pantera Negra, marca o segundo filme da Marvel com protagonista negro. Um exemplo a ser seguido e que Stan Lee, desde o início, já tinha em mente.

Crítica: Homem-Aranha no Aranhaverso (2019)

Animação surpreende por seus gráficos e trama

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