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A Caricata Cinematografia de Wes Anderson

Ao pressionarmos o botão “reproduzir”, adentramos um novo mundo, criado por alguém puramente interessado em fazer-nos sentir algo; qualquer pontinha de sentimento vale, desde um sorriso que brota no canto da boca até o gosto amargo da revolta. O cineasta é, antes de tudo, um contador de histórias. E Wes Anderson aparenta retirar as suas de um livro de contos de fadas. O visual distinto das produções do diretor de O Grande Hotel Budapeste e Moonrise Kingdom encantou os amantes da sétima arte, tanto espectadores quanto críticos da famosa Academia.
O estilo marcante de Anderson torna fácil reconhecermos as películas de sua autoria. Caso o filme possua as características contidas na seguinte lista, é provável que seja do diretor e roteirista americano:

1. Elenco repetido
Dizem que figurinha repetida não completa álbum... mas preenche o elenco dos filmes de Anderson. Owen Wilson, seu colega de faculdade, colaborou várias vezes com o diretor, estrelando e co-escrevendo roteiros, como o de seu primeiro longa Pura Adrenalina. Bill Murray aparece em todos desde Três É Demais de 1998. Jason Schwartzman escreveu em parceria com ele Viagem a Darjeeling, atuando neste e em diversos outros filmes de Wes.

2. Roteiros simplistas com temáticas complexas
Seus roteiros são simples, porém é comum tratarem de assuntos sérios como perda e disfunção familiar. Anderson lida com essas temáticas de forma humorada e até um pouco ingênua. Seus personagens são excêntricos e, geralmente, de décadas passadas: a estória de Moonrise Kingdom, por exemplo, se passa em 1965.

3. Fotografia, cores, direção de arte, e mais cores
Os longas antigos de Wes Anderson já apresentavam sintomas do estilo que ele ficaria conhecido por ter, mas somente nos mais recentes é que os vícios do diretor ficaram mais evidentes.
Sua fotografia é simétrica, influência do seu ídolo Stanley Kubrick, conhecido adepto dos frames proporcionais. As cenas são longas, sem cortes frequentes, o que confere uma certa teatralidade às suas obras; é fã das plongée (aquelas vistas de cima!), das travelings (a câmera segue o personagem) e de imagens do ponto de vista de uma câmera parada montada em veículos em movimento.
Veste os cenários e os personagens minuciosamente de acordo com a sua famosa paleta de cores saturadas. O diretor é tão perfeccionista em relação a isto que, segundo a atriz que interpreta Agatha em O Grande Hotel Budapeste, Saoirse Ronan, a equipe levou dias para escolher o tom exato de suas meias entre vários beges! Seus esforços para atingir uma coerência cromática não são em vão: os filmes são cheios de detalhes visuais e imagens deliciosas.


4. Soundtrack retrô

Soundtracks recheados de rock britânico das décadas de 60 e 70 são outra marca registrada do diretor. Anderson também utiliza o pop romântico francês, visto em Moonrise Kingdom, mas sua trilha sonora mais marcante é a de A Vida Marinha com Steve Zissou, contendo músicas do David Bowie cantadas pelo Seu Jorge. O cantor canarinho participa do longa na pele do personagem Pelé e canta lindamente suas versões em português das canções do “camaleão do rock”.

O grande desafio de ter tantas marcas registradas é sorrateiramente empregá-las sem deixar o espectador com a impressão de estar assistindo ao mesmo filme repetidas vezes, o que Wes Anderson, com louvor, consegue. O seu retrato cômico de personagens peculiares, composto por cenas visualmente maravilhosas, acompanhadas de uma boa música, não enjoa.
O programa de humor Saturday Night Live fez um vídeo de como seria um filme de terror dirigido pelo americano. Contabilizem as “andersonices” e comentem quantas acharam!

Comentários

  1. Parabéns pela consistência do artigo. Sucesso, e que Deus continue a abençoá-la!

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