Exibido no festival de Berlim e em algumas premières ao redor do mundo, a versão live action de "Cinderela", produzida pelos estúdios Disney, e marcada para chegar ao Brasil dia 26 de Março, tem sido apontada como um dos filmes mais próximos a uma animação já produzida pela empresa. É com essa ideia que iremos revisitar o "Cinderela" de 1950, um dos clássicos de animação mais amados pelo público. Afinal, o que o torna clássico?
A escolha de Disney não poderia ser mais óbvia: o conto da gata borralheira é, de acordo com estudos diversos de psicologia, um dos mais identificáveis entre os indivíduos, atingindo principalmente uma grande parcela de crianças (especialmente as que possuem irmãos) e adolescentes. Walt Disney estava construindo um blockbuster. Para torná-lo ainda mais interessante, a produção do longa-metragem mesclou personagens de design cartunesco (nesse caso, os animais) e aspecto realista (personagens humanos, como Cinderela e Lady Tremaine), sendo produzido em 90% no modelo live reference (filmagem de atores para referência de movimentos).
O aspecto real de "Cinderela" lançou o longa-metragem no cinema de estrelismo Hollywoodiano, que encontrava força por volta da década de 50. Ilene Woods, voz da personagem-título, participava frequentemente de programas radiofônicos, em companhia de Disney. A atriz Helene Stanley, por sua vez, foi a modelo de Cinderela nas sessões de live reference, posição que futuramente viria a repetir com as personagens Aurora ("A Bela Adormecida", 1959) e Anita ("101 Dálmatas", 1961).

A "fórmula para sucesso", nessa produção, era investida de forma pesada: canções-chiclete, como "Bibiddi Bobiddi Boo", foram compostas, tornando-se populares até hoje. O Príncipe Encantado é o único príncipe dos filmes do estúdio a não ter nome (assim, qualquer garoto poderia ser o Príncipe, e qualquer garota poderia enxergar seu amado). Para o roteiro, a versão mais "feliz" e simples da história, escrita por Perrault, foi a referência escolhida. Tudo foi pensado para que "Cinderela" fosse um filme eterno.
No quesito estrutura, a produção é uma das primeiras animações a transmitir sentimentos narrativos por meio do campo visual. Em uma das cenas, por exemplo, quando as meio-irmãs de Cinderela rasgam o vestido rosa reformado pelos ratinhos, o enquadramento torna-se próximo dos personagens a cada tomada, e o fundo ganha tons sombrios e marcantes, passando de azul a vermelho e preto, o que contribui para o clima de tensão da cena. Em seguida, a protagonista corre chorando para um cômodo completamente escuro. Uma sequência importante para a trama, contada com o auxílio do processo semiótico.
Apesar de sustentar-se no seu aspecto realista, "Cinderela" mescla-se em peso com seu caráter fantasioso, compondo um filme harmônico. A cena em que os trapos da protagonista transformam-se em trajes de baile é a favorita de Walt Disney, e transmite o conceito principal da magia: metamorfose. A responsável pelas artes conceitais do filme, Mary Blair, encontra traços expressionistas, minimalistas e até surrealistas em seu trabalho, uma vez que também trabalhou com "Alice no País das Maravilhas" (1951) e "Peter Pan" (1953).
Assim como seu recente live action, "Cinderela" foi exibido no Festival de Berlim em 1951 e 1960, vencendo o Prêmio da Audiência em sua primeira participação no evento. Espera-se que a nova versão siga também o conceito de identificação do seu predecessor, tendo em vista que a campanha de marketing gira em torno da hashtag "#EuTbSouCinderela".


A "fórmula para sucesso", nessa produção, era investida de forma pesada: canções-chiclete, como "Bibiddi Bobiddi Boo", foram compostas, tornando-se populares até hoje. O Príncipe Encantado é o único príncipe dos filmes do estúdio a não ter nome (assim, qualquer garoto poderia ser o Príncipe, e qualquer garota poderia enxergar seu amado). Para o roteiro, a versão mais "feliz" e simples da história, escrita por Perrault, foi a referência escolhida. Tudo foi pensado para que "Cinderela" fosse um filme eterno.
No quesito estrutura, a produção é uma das primeiras animações a transmitir sentimentos narrativos por meio do campo visual. Em uma das cenas, por exemplo, quando as meio-irmãs de Cinderela rasgam o vestido rosa reformado pelos ratinhos, o enquadramento torna-se próximo dos personagens a cada tomada, e o fundo ganha tons sombrios e marcantes, passando de azul a vermelho e preto, o que contribui para o clima de tensão da cena. Em seguida, a protagonista corre chorando para um cômodo completamente escuro. Uma sequência importante para a trama, contada com o auxílio do processo semiótico.
Apesar de sustentar-se no seu aspecto realista, "Cinderela" mescla-se em peso com seu caráter fantasioso, compondo um filme harmônico. A cena em que os trapos da protagonista transformam-se em trajes de baile é a favorita de Walt Disney, e transmite o conceito principal da magia: metamorfose. A responsável pelas artes conceitais do filme, Mary Blair, encontra traços expressionistas, minimalistas e até surrealistas em seu trabalho, uma vez que também trabalhou com "Alice no País das Maravilhas" (1951) e "Peter Pan" (1953).
Assim como seu recente live action, "Cinderela" foi exibido no Festival de Berlim em 1951 e 1960, vencendo o Prêmio da Audiência em sua primeira participação no evento. Espera-se que a nova versão siga também o conceito de identificação do seu predecessor, tendo em vista que a campanha de marketing gira em torno da hashtag "#EuTbSouCinderela".


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