Há 15 anos, o gênero de super herói havia se manifestado internamente entre os diretores que nunca tiveram curiosidade em ler um quadrinho. Casos de Bryan Singer com os X-men, Sam Raimi com o Homem-Aranha e Ang Lee com o Hulk. Nesse meio de filmes criados individualmente em cada estúdio, surgiu Demolidor, um herói mais pé no chão (pelo menos no papel) e com um estilo totalmente diferenciado dos demais daquele período.
Demolidor, atuado por Ben Affleck,
já tem um começo em que o ator já está com a sua fantasia. Sua estória de origem é
exemplificada através de flashbacks interessantíssimos de 15 minutos, quando
sua vida passa em segundos nos seus olhos cegos. Em seguida, o personagem já
cumpre o papel de divertir durante as cenas de ação com uma pegada deveras urbana. Mais
adiante, o protagonista se apaixona por Elektra, uma assassina que luta artes
marciais e é tão violenta quanto o mesmo. Os dois se envolvem em uma trama
de famílias e disso para frente, o filme, por fim, se torna uma ação super heroica
diferente daqueles tradicionais filmes do gênero. Isso quer dizer que ainda há
a imagem do “Tio Ben”, assim como permanece um romance para ser salvo e frases
de efeitos como “Com grandes poderes (...)”, a diferença aqui, é como tais
ideias são executadas. E isso é mérito do diretor Mark Steve Johnson.
Com essa trama, até agora muito
bem elogiada, o filme caminha com uma naturalidade permanente até hoje nos
filmes de heróis. As atuações são aceitáveis, as cenas de ação são empolgantes,
a trilha sonora original, apesar de esquecível, cumpre o papel de acompanhar o
filme nos momentos de embates, e é claro, o filme, mesmo sendo sombrio, é como
uma história em quadrinho. Com personagens inúteis na qual torcemos e com
aqueles que amamos odiar. No caso, aqui, o protagonista e o vilão do filme, respectivamente.
O problema de o filme ser o que
é, só começa quando pausamos para observar o que o roteiro está fazendo com os atores. Os diálogos
do filme são totalmente toscos, e os interpretes são substituídos digitalmente de repente de uma forma insignificante. Diferentemente do Homem-Aranha,
que é convincente até para ganhar um Oscar de melhores efeitos visuais, ou os então os
X-men, que usam uma corda que os penduram, mas que acabam sendo uma excelente
escolha diante de personagens digitais. E, citando, é claro, as coincidências gritantes
que o roteiro possui ao tratar o personagem principal como uma besta em certo momento
em que um jornalista desinteressante na trama surge no meio da rua e explana em apenas uma
oração quem é o vilão e verdadeiro culpado por mortes que aconteceram há 30
anos.
Isso acontece em Hollywood. E
aqui, o caso chega ao extremo quando assume que o espectador é uma criança.
Contudo, o mais lamentável, é que os atores e as ideias tentam nos tratar como
adultos, o problema foi a pressa e a falta de inspiração durante a execução. Cito, como exemplo, cenas de romance entre os protagonistas e uma cena brilhante em
que o personagem principal não enxerga mais sua amada, pois a mesma se protegeu
da chuva que lhe dava um pequeno acesso de visão. Cena inspirada, assim como
tantas outras, dentro de um roteiro preguiçoso de um filme mediano, como tantos
outros.


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