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Homeland | A alienação e o patriotismo de uma nação

Os ataques às torres Gêmeas em setembro de 2001 provocaram drásticas mudanças em todas as vertentes dos Estados Unidos; sua cultura foi remodelada, a interpretação dos cidadãos em relação ao mundo tornou-se mais desconfiada e medidas de segurança nunca chegaram a parâmetros rígidos como se encontram atualmente. É nesta infindável tensão que observamos em Homeland as inúmeras dobraduras existentes no governo e na CIA em suas tentativas em conter possíveis ataques terroristas.

Entre os membros da Al-Qaeda de maior periculosidade, está Abu Nazir, um dos terroristas mais procurados dos Estados Unidos, cujas atividades causaram profundas feridas no território americano e nos países aliados. Durante uma operação realizada pelo Delta Force, um dos complexos de Nazir foi tomado, cuja equipe é surpreendida ao encontrar um prisioneiro de guerra americano em uma da cela. 



Nicholas Brody é um sargento fuzileiro naval capturado em 2003 e considerado desaparecido e morto desde então. Após oito anos, sua esposa Jéssica e seus filhos Chris e Dana foram capazes de superar a perda e reconstruir suas vidas apesar do doloroso impacto. Jessica atualmente vive um relacionamento com Mike Feber (melhor amigo de Brody), mas possui uma dor de cabeça ao lidar com Dana, que está passando pela crise adolescente e possui poucas memórias do pai; Chris era muito jovem quando Brody desapareceu e sequer se lembra de quem ele era. As feridas da família são magoadas novamente com o retorno de Brody, que também tem dificuldade em se adaptar após um longo período de tortura.


10 meses antes, uma agente da CIA chamada Carrie Mathison conduzia uma operação não autorizada no Iraque. Apesar de ter sido proibida, ela entrou em contato com um prisioneiro que trabalhava para Abu Nazir e que estava prestes a ser executado. "Um prisioneiro americano passou para a Al-Qaeda", essa foi a mensagem dita por ele. Aos olhos da pátria e dos membros da CIA, Brody é visto como um herói, mas Carrie enxerga-o como um efetuador de um ataque terrorista organizado por Abu Nazir. Com a ajuda de seu chefe e mentor, Saul Berenson, Carrie conduz uma investigação para impedir que um novo atentado ocorra.

Produzida por Howard Gordon e Alex Gansa, Homeland nos deleita com uma trama complexa que possui forte influência da realidade. Seus planos são caóticos e estressantes, o que causa agonia e apreensão. A dúvida sobre o que pode acontecer está sempre presente e os ótimos truques dos roteiristas nos mostram que o futuro que a história pode levar é imprevisível.

A série nos mostra o lado íntimo de seus personagens, Carrie Mathison, interpretada pela ótima Claire Danes, apesar de ser uma figura única com olhar perspicaz e mente afiada,. Seu reflexo também é encontrado em Brody, assim como em Saul.



Homeland é uma série capaz de nos aterrorizar e nos fazer refletir sobre nós mesmos, por mostrar através da uma ficção bem construída o que um ser humano pode realizar e pensar em nome do poder, da política e da religião.


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