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Os Últimos Cangaceiros (2015) | Anti-Heróis do Sertão

Foi em 1938, ano em que a morte de Lampião e seu bando correu por manchetes de todo o nordeste, que muitos afirmaram que o cangaço havia sido extinto. As Forças Volantes, organização militar criada com o intuito de exterminar os cangaceiros do sertão, acabaram por cumprir seu dever, carimbando, porém, o cangaço como um dos maiores marcos socioculturais da história do Brasil.

Mais de sessenta anos depois, O diretor Wolney Oliveira decide engavetar seu projeto sobre Virgulino Ferreira da Silva e virar os holofotes para José Antonio Souto e Jovina Maria da Conceição, que chamam atenção da mídia brasileira quando assumem ser, na verdade, Moreno e Duvinha, casal do bando do falecido rei do cangaço.

Apesar de inúmeros "Nordesterns", dramatizações que retratam o cangaço, Os Últimos Cangaceiros é o primeiro documentário sobre esse tema, sendo o produto de uma densa e detalhada pesquisa por vários estados brasileiros, interpolada pelas únicas filmagens reais do bando, feitas pelo jornalista libanês Benjamin Abrahão e  por imagens de clássicos do nosso cinema, como Baile Perfumado (1996) de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, O Cangaceiro (1951) de Lima Barreto e, claro,  Corisco e Dadá (1996) do cearense Rosemberg Cariry. Tudo isso rendeu ao filme certo destaque e prêmios como 3º Troféu Coral de documentário no Festival de Havana.

Num contexto histórico, é interessante a acentuada semelhança entre a história de Moreno, que após ser açoitado pela polícia local, virou um cangaceiro por vingança, e a construção de personalidade de um anti-herói contemporâneo. Os cangaceiros sempre tiveram uma forte ambiguidade em relação a sua imagem devido ao embate contra a repressora Ditadura Vargas, porém, usando métodos hediondos, ou, no mínimo, amorais, o que gerou certo incômodo durante a exibição. Pode-se assumir, entretanto, que houve uma espécie de perdão em virtude da valorização cultural, que banhou o documentário em bom humor e muito saudosismo.

Fato é que Os Últimos Cangaceiros é um documento precioso e único para a nossa história e, semelhante às imagens originais coloridas fotograma por fotograma, apresenta uma repaginação e um respiro para o cangaço, que ainda vive, como parte essencial da nossa cultura nordestina e brasileira.



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