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Quarto | O preço da liberdade


Preso em um quarto, Jack nem sabia o que havia lá fora. Não sabia que existiam mais pessoas além dele, de sua mãe e do velho Nick. Não sabia que sua mãe estava sendo mantida presa contra sua vontade há sete anos e muito menos o que ela sofria à noite, quando o Nick vinha "visitá-la". Para Jack, um menino de cinco anos que nunca saiu do quarto, que dormia no armário e acordava na cama, lá era o que havia do mundo. Era sua casa e seu refúgio, onde brincava, comia e crescia com sua mãe. Mal ele sabia que existia vida lá fora, e que o que sua mãe mais queria na vida era sair do quarto, coisa que arriscaria alto para conseguir.

"Quarto", um dos livros mais fortes e inquietantes que já li, conta a estória de um garoto, filho de uma mulher raptada que é mantida por anos presa, sendo abusada quase todos os dias pelo sequestrador, o velho Nick. O livro, um verdadeiro exemplo do poder e da emoção que as palavras carregam, gerando inquietação por conta das reações de Jack, que tem o primeiro contato com o mundo "real", algo que há pouco ele nem sabia exatamente que existia, e desespero, que engolimos ao perceber a hesitação do garoto em perder a vida que havia mantido até aquele momento.

A despedida de um passado limitado para dar espaço a um futuro desconhecido assusta, e essa temática é trabalhada com o protagonista, já que o novo é aterrorizante para ele, assim como é para muitas pessoas. Essa transição é trabalhada de forma profunda, às vezes até demais. As palavras da narração em primeira pessoa do garoto contam, de modo infantil, as pertubações que tanto Jack quanto sua mãe passam, tais como seus problemas psicológicos, as reações ao fato de estarem trancados e suas dificuldades em aceitar os anos que passaram presos à outra realidade, não é exatamente fácil de aceitar.

O livro "Quarto", de Emma Donoghue, publicado em 2010, traz palavras poderosas carregadas de mágoas, todas contadas pela visão de um garoto de cinco anos. O depoimento de algo que não é tão distante da realidade quanto todos gostaríamos de admitir não faz as lágrimas descerem, mas deixa um aperto de antemão ao lermos a capa e a sinopse do livro e uma reflexão sobre a estória agoniante, tal como uma provável dor de cabeça ao terminamos. A obra não deve ser banalizada, muito menos subestimada pelo seu narrador, e sim observada. Aos que pretendem ler o livro, desejo a todos força nesse caminho sem volta, mesmo que muitas vezes a monotonia nos faça parar.


Saindo para pensar, depois desse livro: 

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