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As Memórias de Marnie (2015) | Um cativante "até logo"

思い出のマーニー

O estúdio Ghibli é conhecido mundialmente por tratar de temas adultos. Cito, como exemplo, a natureza e a vida como uma grande tragédia colorida que possa ter uma luz ao chegar os créditos. A concorrente da Pixar em indicações e em lágrimas nos apresenta, infelizmente, seu último longa-metragem: As Memórias de Marnie (ou Quando Marnie Não Estava Lá).

O longa tem como fonte o livro da britânica Joan G. Robinson, de 1967, e é sobre a amizade de Anna, uma menina em um inicio de depressão, e Marnie, uma jovem misteriosa que Anna acredita ser uma pessoa de sua imaginação. O romance possui como base a orfandade da Inglaterra do Pós-Guerra, já o filme tem como elementos principais a formação de uma personalidade feminina.


Não é uma descoberta como a de Kaguya, mas há um conflito infantil perturbador, apesar de ser tímido. O que inclui um contato com o mundo, a mudança na fisionomia, os delírios juvenis, o sobrenatural da imaginação, as lembranças e os sonhos que despertam a liberdade, além do usual contato fundamental com a natureza. Anna é uma criança em crescimento, e os prazeres e desesperos encontram-se no ambiente colorido e claustrofóbico que o diretor Hiromasa Yonebayashi exibe. 

Anna desperta dos sonhos algo que emula a violência do mundo e o terror do crescimento. Mérito do roteiro que encanta em várias sequências com o pânico de uma vida infeliz que encontra alegria em uma imaginação alienante. Acompanhado da trilha encantadora e dos traços psicodélicos do estúdio.

As Memórias de Marnie não é maduro como Vidas ao Vento e nem atemporal como o Conto da Princesa Kaguya, mas merece um reconhecimento de encerrar de forma infantil, doce e onírica o estúdio que tanto quis emocionar com elementos humanos.

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