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O Bom Dinossauro (2015) | Fórmula eficaz que não carrega inovação

O Bom Dinossauro (2015)
Com um considerável delay, o 16º filme de animação da Pixar Animation Studios, "O Bom Dinossauro", chegou aos cinemas brasileiros em Janeiro de 2016. O filme, que enfrentou diversas reviravoltas durante sua produção, possui em sua construção algumas características que já destacaram o estúdio, mas não consegue apresentar uma narrativa tão inovadora quanto suas outras produções. 

Dirigido por Peter Sohn (responsável pelo curta-metragem "Parcialmente Nublado", de 2009), a proposta de "O Bom Dinossauro" parte de uma pergunta que soa interessante: e se os dinossauros nunca tivessem sido extintos? E é a partir dessa teoria, brevemente apresentada nas sequências iniciais, que a trama volta-se para Arlo, um jovem e medroso apatossauro que perde-se de sua família após um acidente. No caminho de volta para casa, o protagonista aproxima-se de uma criança humana (com comportamento semelhante a um canino), a quem nomeia de "Spot" e constrói uma amizade bem no estilo "bicho de estimação". 

A influência da Jornada do Herói de Joseph Campbell não passa despercebida no roteiro do longa-metragem, que também faz referências a diversos filmes, desde "O Rei Leão" (1994) e "A Princesa e o Sapo" (2009) a "127 Horas" (2010) e "Parque dos Dinossauros" (1993). A verdade é que não parece muito um filme Pixar, apesar dos primorosos aspectos técnicos e das cenas "arranca-lágrimas". Isso não significa algo ruim, pois não afeta sua qualidade, mas indica um leve tom de mesmice que vem assombrando um estúdio tão conhecido por sua criatividade. Esse fantasma torna-se ainda mais explícito quando um trio de tiranossauros lembra os tubarões de "Procurando Nemo" (2003), ou quando recordamos que outros dois estúdios de animação beberam de fontes "pré-históricas": Dreamworks Animation com "Os Croods" (2013) e Blue Sky Studios com a franquia "A Era do Gelo" (2002). 

Em relação a seus aspectos visuais, a animação apresenta uma organização meio dualística e contrastante: enquanto os belíssimos cenários, elaborados em tecnologia fotorrealista, tornam cada frame um cartão postal, o design dos personagens parece ter sido elaborado por iniciantes. Talvez essa seja uma decisão tomada para tornar o filme agradável para as crianças pré-escolares; entretanto, causa certo estranhamento. De qualquer forma, os ambientes foram muito bem aliados ao 3D, que é aplicado de forma efetiva. Quanto ao sonoro, a trilha da dupla Mychael Danna e Jeff Danna soou-me bastante semelhante à do filme "Valente" (2012).

Em resumo, "O Bom Dinossauro" não deixa de ser um bom filme. Possui cenas-chave bem executadas (como a sequência dos vagalumes) e consegue emocionar. No entanto, seu tom meio "reciclado" não inova e, por conta disso, talvez passe direto da lista de clássicos Pixar.

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