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Spotlight: Segredos Revelados (2016) | O choque necessário

Spotlight (2016)
Quando chegam os créditos finais de ‘Spotlight- Segredos Revelados’ dificilmente quem o assistir sairá da sessão sem um sentimento de revolta dentro de si após ter visto um vislumbre do caso encoberto pela igreja católica em uma tentativa desesperada de manter imaculada sua imagem manchada há séculos. 

Muitos filmes já apresentaram fatos similares, como, por exemplo, o excelente ‘Dúvida’ de 2007. Dúvida, no entanto, é o que o primoroso roteiro de Tom McCarthy menos quer causar. Mais que um filme, ‘Spotlight’ é uma denúncia e um alerta para uma terrível realidade que inacreditavelmente continua ocorrendo e em sua maioria impunemente por todo o mundo.

Durante a elaboração de um processo, a equipe de jornalistas investigativos Spotlight do jornal Boston Globe começa a realizar gravíssimas descobertas de crimes sexuais cometidos por padres durante vários anos; quanto mais se aprofundam em suas pesquisas, mais se dão conta que estão diante algo grandioso demais diante suas especulações.

Corajosamente, o filme jamais tenciona suavizar o peso necessário da história real. Mesmo sem mostrar absolutamente nada sexualmente gráfico, as descrições explícitas nos relatos das vítimas de abusos são o suficiente para gerar sensações de incômodo, especialmente quando pelo menos duas delas mencionam uma comparação dos padres em questão com uma figura divina; o que induz uma alienação perturbadora.

Composta por Howard Shore, a sutil trilha sonora traz uma leveza à narrativa com melodias suaves. A fotografia do japonês Masanobu Takayanagi faz um contraste interessante entre a luz e a escuridão com os ambientes da equipe de jornalistas e dos representantes da igreja, respectivamente.

O elenco é excelente. Cada personagem carrega uma característica pessoal que os define até o ponto em que ocorre uma desconstrução gradativa à medida que a investigação se aprofunda. Bater de frente contra a maior instituição religiosa do mundo não é exatamente o maior temor da equipe, mas sim saber que o que aconteceu com essas crianças poderia ter acontecido com qualquer um deles ou com seus filhos e que continuará acontecendo se não puderem ajudar.  Um filme verdadeiramente necessário, angustiante e com um tema que infelizmente permanece extremamente atual.

Avaliação:


Comentários

  1. "Quando pelo menos duas delas mencionam uma comparação dos padres com uma figura divina; o que prova uma alienação perturbadora."

    Nossa! que critica mais preconceituosa. O filme em nenhum momento pretende atacar a fé de ninguém, nem mostrar que as pessoas que acreditam em Deus , padres ou Igreja são alienadas. O que ele está fazendo tratar sobre o poder da Igreja Católica. Seus argumentos são ridículos

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    Respostas
    1. Acredito que o crítico esteja se referindo à comparação dos Padres Pedófilos à imagem divina. Se refere à associação dessa grave violação à algo "permitido por deus". Fruto, evidentemente, de uma 'alienação perturbadora', como é dito.

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