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Deadpool (2016) | Humor e violência em boa medida

Deadpool (EUA)
Wade Wilson é um ex-agente das Forças Especiais que passou a trabalhar como mercenário. Após descobrir que está com um câncer terminal, aceita a proposta de se submeter a um tratamento experimental que pode curá-lo e torna-lo praticamente um super-herói. As coisas não saem exatamente como ele esperava e então passa a procurar o causador de seu novo pesadelo em busca de vingança adotando o nome de Deadpool.

Depois da frustrada tentativa de levar às telas o mercenário tagarela dos quadrinhos da Marvel em ‘X-Men Origens: Wolverine’, o destino de Deadpool no cinema parecia estar fadado ao esquecimento ou ser lembrado eternamente pelo péssimo filme no qual fez participação. Sete anos depois eis que a Fox dá uma segunda chance e entrega um dos mais engraçados e violentos filmes de super-heróis já realizados até o momento. Extremamente fiel aos quadrinhos, ‘Deadpool’ apresenta exatamente o que prometeu nos trailers de divulgação, um filme sangrento, divertido e politicamente incorreto até a medula, mas com um pouco de ternura e romance no meio dessa violência toda.

Nada escapa da metralhadora giratória de piadas do personagem, desde a franquia X-Men até ícones da cultura pop em geral. No que diz respeito às tradicionais liberdades que a Fox toma na hora de adaptar HQ's, a boa notícia é que felizmente uma das mais famosas características de Deadpool nos quadrinhos foi mantida na sua nova versão cinematográfica e com resultado mais do que satisfatório: a tão comentada quebra da quarta parede, elemento esse já usado em diversos filmes, mas em ‘Deadpool’ é tão perfeita a utilização desse recurso que acaba não soando repetitivo em momento algum. Outra festejada escolha é a metalinguagem que se encontra presente durante todo o filme; Ryan Reynolds tira sarro de si mesmo, de suas outras tentativas em filmes baseados em quadrinhos e tudo mais que possa zoar. É um filme que em momento algum quer se levar a sério e que agrada tanto quem é fã de quadrinhos como também aqueles que jamais leram uma linha sequer.

Uma das coisas que eu mais temia, além do fato de me decepcionar por conta de minhas expectativas elevadíssimas, era se conseguiriam equilibrar bem o humor com a ação sem um dos dois soar forçado ou fora do tom. Pois bem, não equilibraram... Uniram com perfeição as duas coisas de forma brilhante resultando numa violência bastante cartunesca com um toque à lá ‘Kill Bill’. Desde ‘Kick Ass- Quebrando Tudo’ eu não assistia a um filme baseado em HQ tão divertido e violento ao mesmo tempo quanto ’Deadpool’. Prepare-se para quase duas horas de muita ação e comédia e para perder as contas de tanta referência que surge na tela a cada minuto. 

A trilha sonora é excelente, parece uma daquelas compilações ecléticas escolhidas a dedo por Quentin Tarantino para seus trabalhos. As canções executadas no filme variam de “Mr. Sandman” das Chordettes até ‘You’re the Inspiration’ do Chicago. Como quase que tradicionalmente todos os filmes relacionados com a Marvel possuem cena pós-créditos, ‘Deadpool’ também tem uma cena bem no final mesmo, aliás, falando nos créditos, é preciso ressaltar quão engraçados são tanto os créditos iniciais como também os hilariantes créditos de encerramento; acreditem, vale muito a pena conferir até o final da projeção.

O ano mal começou e já temos aqui um dos melhores e mais engraçados filmes de 2016. Sem dúvidas um grande presente para aqueles que o aguardavam com ansiedade (este que vos escreve é um deles) desde a divulgação das primeiras imagens e trailers. Excelente.


Avaliação:


Comentários

  1. Não sou fã do personagem, como vc mesmo sabe, Alucard, mas, pela sua crítica, acho que vou assistir, rsrsrs. Grande Abraço.

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