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Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) | DC de raiz


Batman vs Superman:
Dawn of Justice (EUA)
Há alguns anos, o gênero super-herói têm se alastrado pelos cinemas. Criou-se, a partir daí, um universo relacionando e compartilhando personagens, histórias e tramas. Com a grande ascensão de editoras e estúdios concorrentes, a DC Comics, assim como a Warner Brothers, buscaram em Batman vs Superman: A Origem da Justiça sair da inércia na qual se encontrava, e trazer aos fiéis fãs uma expectativa de recomeço.

Na direção, Zack Snyder é veterano em conduzir filmes do gênero, entretanto, mesmo com experiência, dirigir um filme com os dois heróis mais famosos da editora se mostrou um grande desafio. Desafio este que fora cumprido com grande competência e de forma versátil, com planos detalhes e planos sequência. Além de introduzir e prosseguir com a história do Homem Morcego, deveria continuar a história de Superman e dar início a Liga da Justiça. Snyder parece ter aprendido com os erros em Homem de Aço (2013) e trabalhou bem nisso, o que é claro ao não exagerar na destruição dos ambientes, ou em medir a grandiloquência das cenas de ação, não fazendo o espectador se desgastar, ainda que o filme tenha quase três horas de duração.

O roteiro de Chris Terrio e David Goyer é sustentado pelas motivações de ambas as partes dos heróis. Embora se perca um pouco ao introduzir mais personagens importantes, como a Mulher Maravilha (Gal Gadot), ganha pontos ao desenvolver muito bem os protagonistas. Batman (Ben Affleck) e Superman (Henry Cavill), em seus diálogos, conseguem transpassar com facilidade a rivalidade existente entre eles. Além disso, personagens coadjuvantes são evoluídos, como Perry White (Lawrence Fishburne) e Lex Luthor (Jesse Eisenberg), este último com incríveis monólogos que demonstram bem sua insanidade.

Não muito se destacaria o roteiro se não houvessem grandes atuações. Affleck se prova como um excelente Batman e Bruce Wayne. Com sua fúria, tristeza e sede de vingança, o ator traz à tona todo o tormento vivido pelo menino Bruce, desde que perdeu seus pais. Já Cavill acerta mais uma vez, e interpreta o Super-Homem de fato, o ora temido, ora amado deus. Como vilão, Eisenberg surpreende como Lex Luthor, com uma atuação caracterizada em sua forma de falar, gesticular e agir. E Gadot, como Mulher Maravilha, prova que para ser maravilha não precisa ter o corpo sarado, conforme as críticas reclamavam. A atriz israelense se sobressai quando surge, roubando a cena como a heroína.

Os efeitos visuais são fiéis à grandiosidade dos heróis e vilões presentes no filme. Todo aquele CGI que salta aos olhos se faz necessário quando nos deparamos com visão raio laser, voos, naves, alienígenas, etc. E a agitação da trilha de Hans Zimmer cai bem às cenas de ação, embora exagerada em cenas de puro drama.

Ainda que haja muitos acertos, o longa peca um pouco na montagem das cenas iniciais e final, tornando um tanto confusa por não estabelecer uma sequência. E a insistência de Lois Lane (Amy Adams) estar sempre onipresente já é exaustivo, mesmo que tenha melhorado bastante em relação ao filme antecessor. E ainda algumas cenas que se fazem desnecessárias, tornando o filme só mais longo.

Batman vs Superman cumpre com a missão de divertir, empolgar e ansiar pelo próximo filme. Recheado de fan services, não tem como o fã, que esperou três anos de produção, ficar indiferente com aquilo. Snyder, que não satisfez muito com seu trabalho em Homem de Aço, pode agora ficar, de certa forma, tranquilo, pois fez um bom trabalho, e deve continuar corrigindo seus erros. Resta a nós, o público, torcer para que o futuro dos filmes da DC sejam promissores e nos rendam muita diversão.

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