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Paratodos (2016) | documentário necessário e inspirador


Paratodos (Brasil)
À primeira vista, o documentário "Paratodos" (2016), dirigido por Marcelo Mesquita, pode parecer um daqueles especiais televisivos onde indivíduos com deficiências físicas contam suas histórias de superação. No entanto, ainda em seus primeiros minutos, percebemos a grande ambição do filme que, dividido em atos, um para cada modalidade esportiva, apresenta bem mais do que atletas paralímpicos vencendo dificuldades. 

Rodado desde 2013, o documentário que, além do Brasil, traz cenas gravadas em outros países, esforça-se para sair do comum e apresenta seus personagens de forma a valorizar não só suas conquistas, mas revelar os estressantes bastidores de treinos e a rotina dos competidores paralímpicos, que muitas vezes é ainda mais complicada do que a de atletas regulares. A proposta é bastante importante para elevar a visibilidade destes atletas em nosso País, principalmente às vésperas de Olimpíadas, visto que seus feitos costumam ser bastante negligenciados por parte da mídia.

A decisão de dividir o documentário entre "atos" é muito coerente, especialmente devido ao foco em uma grande quantidade de atletas. Cada personalidade é introduzida ao público em seu tempo, de forma que os espectadores não fiquem confusos com a quantidade de pessoas e acontecimentos. A montagem, inclusive, é excepcional, "costurando" muito bem todas as histórias e trazendo recortes informativos que permitem a compreensão fluida de tudo. Conhecemos cada um; revemos seus momentos principais de vitória e derrota; nos situamos quanto às definições de algumas modalidades esportivas. Um recorte bem realizado de registros, com fatos e curiosidades interessantes, que até resultam em uma boa aula.

Apesar disto, é também nesta decisão onde encontramos algumas falhas; em seus 110min de duração, o documentário parece longo, e o ritmo entre as sequências é bastante diferente, construindo um caráter "heterogêneo". A fotografia, por exemplo, atinge um ponto exemplar durante o ato de canoagem, onde contribui para a narrativa visual de maneira bem mais impactante. A mixagem e edição de som, por sua vez, é mais notável durante as partidas de futebol. Desta forma, algumas cenas revelam-se bem mais atraentes do que outras.

Por fim, mesmo que "Paratodos" pareça grandioso com sua abordagem não tão piegas e com seus ápices de bela produção cinematográfica, ele não abandona sua essência documental. Câmeras e microfones à mostra não só relembram os espectadores que trata-se da realidade, mas nos aproximam de um mundo existente em que limites não significam impossibilidades. É um retrato necessário e inspirador, que certamente abrirá alguns olhos e motivará muita gente.

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