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Eu, robô - O suprassumo da ficção científica


Primeira Lei da Robótica: Um robô não pode ferir um humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

A renomada e conhecida Susan Calvin, psicóloga robocista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc, gostava mais de robôs do que de pessoas. Esse foi um dos principais motivos que a motivou a especializar na área: ficar cada vez mais longe dos seres humanos. Em meio a sua terceira idade, a cientista resolve conceder uma entrevista sobre sua carreira e os avanços da robótica. É com essa personagem que encaramos a maioria dos contos do clássico "Eu, Robô", um dos 500 livros escritos pelo bioquímico russo naturalizado americano, Isaac Asimov.

Segunda Lei da Robótica: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos,  exceto no caso em que tais ordens entram em conflito com a Primeira Lei.

O Bom Doutor, como era conhecido Asimov, trouxe, no formato de nove contos, um pouco de sua epifania de um futuro possivelmente distante, onde os robôs acompanham crianças, realizam viagens intraestelares e fazem de tudo para ajudar os humanos. Ou, pelo menos, quase. A filosofia e as ideias do livro publicado em 1950 ainda são avançadas para nossa época. E com a exceção de dois contos, pelos quais demorei vidas pra terminar, o livro corre descontraidamente pelas minhas mãos e agrada até os que pouco conhecem sobre o assunto.

Terceira Lei da Robótica: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda lei. 

Sensíveis, cativantes e atrativos, por mais que às vezes lentos demais, Isaac Asimov conseguiu encantar minha alma de leitora e me deixar sedenta por mais livros de ficção científica e por mais robôs. Ao contrário do longa metragem em que o livro foi baseado, ele não traz uma possível guerra entre robôs e humanos, mas um conceito muito mais provocativo. Uma previsão de um possível futuro, onde os robôs podem se passa por humanos e há uma aproximação, não necessariamente prejudicial, da tecnologia com as relações humanas. Essas ideias podem assustar, a priori, mas trazem uma reflexão contemporânea e, de certa forma, revolucionária, similar a de filmes como Ex-Machina, "O Passageiro do Futuro", entre outros. 

Agora, se as previsões do Bom Doutor se realizarão ou não, não posso responder. Leia o livro e tire suas próprias conclusões. Mas de algo eu posso ter certeza: você certamente não se arrependerá.

Avaliação:


Cheque o trailer da adaptação cinematográfica, dirigida por Alex Proyas e estrelado por Will Smith:


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