| Cinema Novo (Brasil) |
É inevitável não devanear, durante o
primeiro contato com a obra Cinema Novo, sobre o pouco
interesse dos demais em discorrer sobre este movimento homônimo. Enquanto 1960,
o cinema nacional possuía o apoio requintado da distribuidora DiFilme, hoje,
infelizmente, grande parte dos longas brasileiros são produzidos, distribuídos
e comercializados sem encanto ou intenção alguma de atingir alguém com a arte.
A Globo Filmes e suas "Globochanchadas" encontram em suas inúmeras salas
definições similares ao ápice da tolice e mediocridade, algo que o movimento
conhecido mundialmente se dedicava em ser do contra.
Inclusive, o público
contemporâneo contribui no falecimento constante das produções competentes,
como aconteceu com tantos filmes independentes do ano. Já em 1960, o nosso
cinema merecidamente era valorizado por muitos outros tipos de movimentos e
pelos brasileiros que notaram a essência logo após o justo reconhecimento que
tantos cineastas tiveram em Cannes e em Berlim. Esse status deu uma devida relevância
que, mesmo com tantas obras incomparáveis, se perdeu na preguiça das gerações conseguintes em conhecer essa parte tão exemplar do cinema mundial.
Ao longo de seus dez anos de
movimento, o grupo cinematográfico se inspirou de modo eficaz e revolucionário
na cultura tão diversificada do país, o que ocasionou várias discussões sobre
ciências sociais, história e, obviamente, política. Durantes estes anos, os
temas traziam embates pertinentes e personagens escritos e imaginados como a
essência do Brasil, o que, desse modo, influenciou e presenteou tantos outros
movimentos que tinham sido criados antes na Europa e na América do Norte.
Por meio disto, Eryk Rocha,
filho de Glauber Rocha, apresenta ao longo do documentário vários registros,
documentos e entrevistas impressionantes que ocorreram durante as décadas
posteriores ao movimento. Os entrevistados explanam como e porquê a causa foi necessária
nessa amálgama ideológica que deu valor aos ilustres diretores do movimento,
como Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra e tantos
outros. Com isso, o filme mostra pontos de vistas sem diálogos
expositivos em off, e sim com imagens que casam perfeitamente bem com o que é
dito, o que demonstra o esforço da montagem primorosa que optou por cenas
relevantes que causam empatia e apreciação.
Assim, a picardia e erudição
ao redor dos mesmos é dita com a camaradagem que dava a sensação de família que
sempre apoiava no que dava no projeto do outro. Seja com conselhos ou em
montagens, os cineastas foram dignos em acolher o elemento do colega de
trabalho com a sua substância pessoal que, por fim, se tornava mais uma camada
pro cineasta necessitado. Dito isso, Rocha exibe um filme riquíssimo de imagens belas de recortes notáveis da nossa cultura que, graças à montagem e
edição de som, une sequências inteiras de filmes distintos em longas passagens
que conectam um no outro de modo que crie similaridade perfeita entre os trabalhos
da época.
E com tantos momentos históricos
na década, como o golpe e o miolo da revolta artística, os cineastas se
esforçaram em trazer arte e vida ao período. E como disse o crítico e cineasta
Eric Rohmer: “Todo filme é um documento de sua época”, a motivação dos cineastas que se inspiraram na arte de fazer
arte se tornou a nossa herança. Hoje, em 2016, temos a sorte de entender a importância da mesma.
Essa é a magia do cinema.

Assista ao vídeo com comentários sobre o filme.
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