| Doctor Strange (EUA) |
Após
explorar o universo de seus heróis mais conhecidos, a Marvel Studios abriu
espaço para trabalhar personagens não tão populares assim. Com o sucesso
advindo de suas produções cinematográficas, a MCU (Marvel Cinematographic Universe)
descobriu que sua fórmula cabia muito bem para seu gênero (de super-heróis), funcionando
para Guardiões da Galáxia, Homem Formiga e, agora, Doutor Estranho.
Um acidente
de carro faz o renomado neurocirurgião Stephen Strange (Bennedict Cumberbatch) perder
o movimento de suas mãos, seu principal instrumento de trabalho. Sua contínua
busca por recuperação o leva ao Kamar-Taj, local onde recebe seu treinamento
através da magia. A própria sinopse do Doutor Estranho já o difere dos demais
heróis da Marvel, os quais obtêm poderes por acidente ou através de testes. Além
disso, um diferencial chamativo, que o marketing dos trailers utilizou a seu
favor, é o uso da magia e do misticismo como a forma de luta – além da pura
briga “mano a mano” dos demais filmes.
E
por falar em magia, o que havia sido prometido em relação aos efeitos especiais
fora cumprido. Sequências longas de puro psicodelismo tomam a tela, construções
urbanas movendo-se para todos os lados lembram A Origem (Christopher Nolan) e a
direção de Scott Derrickson aproveita a oportunidade de exibir toda a
grandiloquência das lutas nas cenas de ação.
Quanto
ao roteiro, também de Derrickson, acompanhado de C. Robert Cargill, este parece
raso perante a complexidade que buscam abordar nos questionamentos que A Anciã
(Tilda Swinton) traz ao Doutor Estranho, interpretado com muita competência e
versatilidade por Cumberbatch.
Junto
aos acertos que a fórmula Marvel possui, vêm os erros. O vilão Kaecilius (Mads Mikkelsen), que tinha potencial para ser trabalhado, acaba sendo descartado
com indiferença. Ao longo do filme é criado expectativa para o vilão Dormammur,
expectativas estas que estão longe de serem supridas, com sua aparição resumida
a um mero alívio cômico.
Apesar
de um elenco memorável com Rachel McAdams e Chiwetel Ejiofor, ambos indicados
da Academia, o roteiro força situações para que estes apareçam de forma
gratuita e com diálogos expositivos. E ainda que metade do filme se prenda ao
desfecho final, até chegar lá a montagem dá uma impressão de que o Doutor
Estranho se tornou um mestre mago em um curto espaço de tempo, de forma não
convincente.
Mesmo
com os contratempos, Doutor Estranho se mostra como um filme bem realizado, o
qual garante uma boa experiência na sala de cinema. É um filme que foge, à sua
maneira, do que a MCU costuma mostrar e estabelece um gancho com os demais
filmes da franquia, entusiasmando para as próximas aparições do mago nas
telonas.

Assista ao vídeo com comentários sobre o filme.
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