| Harry Potter and the Philosopher's Stone (U.K) |
O cinema contemporâneo
desesperadamente busca, de modo medíocre, em muitas vezes, decolar com uma saga
adolescente com conteúdo e qualidade. No entanto, há mais de 15 anos, J.K Rowling já presenciava a emoção incomparável de sentir a energia e paixão das crianças
ao enxergarem pela primeira vez o seu universo. Harry Potter e a Pedra
Filosofal é uma adaptação fiel do livro homônimo escrito pela britânica mais
rica da Inglaterra, que, por consequência da dedicação da equipe da Warner
Bros, funciona perfeitamente bem como um primeiro passo.
Em 2001, no auge da
expectativa pelo O Senhor dos Anéis, Homem-Aranha e outros universos, Chris
Columbus descobria a sua “América”. O diretor, ao lado de seu roteirista, Steve
Kloves, resgataram de maneira bem-sucedida os principais elementos que o livro
desenvolve, o que inclui a perfeição dos detalhes dos inúmeros ambientes, a essência
dos personagens e o conteúdo juvenil, que é divertido e, ao mesmo tempo,
inspirador para qualquer criança.
Além disso, o trabalho funciona perfeitamente como uma aventura oitentista, já que possui monstros que assustam, personagens caricatos e situações de perigo que causam calafrios diante da gravidade de risco, como a sequência inovadora do jogo de quadribol que, apesar de longa, é empolgante, diferente e, para o deleite dos puristas, extremamente fiel. E no quesito já discutido, os efeitos se destacam e não se intimidam diante da perfeição que a WETA apresentaria no mesmo ano. Os monstros digitais, mesmo com alguns pequenos detalhes preguiçosos, são bem realizados, perdendo apenas para os efeitos práticos, que exibem uma diferença gritante entre personagens com máscaras e maquiagens das criaturas computadorizadas, além de realçar o realismo.
Já os atores cumprem a personificação de jeito natural e particular. Enquanto Maggie Smith e Alan Rickman nos presenteiam com personalidades e atitudes distintas, os astros mirins se esforçam em conferir ao espectador algumas das melhores atuações, como a Emma Watson que claramente não possuía todo o talento de hoje, mas que procura ao máximo se divertir com os seus diálogos de "sabe tudo".
A direção de arte, do mesmo modo, contribui para os diversos casos exemplares de competência. O ambiente, assim como o figurino, maquiagem e fotografia são alegóricas e trazem constantemente a sensação de realismo ao castelo de Hogwarts. Já a música de John Williams é mais uma proeza do compositor que criou uma trilha e tema tão gostosos de se ouvir quanto a de Star Wars e Superman. O único elemento prejudicado do saldo final é a montagem que não deixa claro o passar dos meses na trama, mesmo ao revelar sutilmente as suas estações.
Por fim, é inegável que Harry Potter começou maravilhosamente bem em uma franquia de grande potencial. Apesar de alguns diálogos expositivos e de situações repetidas do roteiro, o filme encerra com uma boa introdução ao universo que apresentou tantos sentimentos para a vida toda.

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