| Rogue One: A Star Wars Story (EUA) |
Ao
lançar um novo filme pertencente à franquia Star Wars, é inevitável não
estabelecer comparações com a trilogia clássica. Com um universo que pode ser
explorado de maneiras únicas e diferentes, chegou a vez de Rogue One: Uma
História Star Wars, o primeiro spin-off nos cinemas.
A
trama se passa no intermédio entre os episódios III e IV, apresentando uma nova
face da Aliança Rebelde na sua busca – e obtenção – da falha que levará à destruição da Estrela da Morte por Luke Skywalker. Com a direção de Gareth
Edwards, Rogue One ousa em trazer de volta elementos da franquia que foram tão
bem explorados na trilogia original, como a própria ascensão do Império e a
resistência dos rebeldes. E, ainda que faça uso disso, toma por um viés
diferente dos demais filmes.
A
construção da história do filme é feita de forma competente, apresentando os
personagens individualmente para que se crie uma espécie de empatia para com os
mesmos. Com maior tempo em tela, Jyn Erso (Felicity Jones) é facilmente
confundida como a protagonista, quando, na verdade, o protagonismo fica
inteiramente para a missão que Jyn e sua competente equipe de rebeldes
realizarão.
Isso,
no entanto, prejudica o envolvimento do público para com Jyn, cujo carisma não
chega perto do construído pela Rey (Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força).
Mas ao trabalhar a equipe como um todo, o envolvimento e química criada
funcionam. Principalmente com Cassian Andor (Diego Luna) e a própria causa
rebelde, como dos amigos Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Wen Jiang).
Rogue
One consegue explorar e reaproveitar toda herança deixada por George Lucas. A
essência que segue conquistando o público está presente no filme, exibindo
fanservices e criando uma áurea nostálgica com toda criação e design. As
criaturas e as novas ambientações mostram respeito pelo que lhes deram origem
e, juntamente ao primoroso trabalho de efeitos práticos e CGI, enchem os olhos
de qualquer pessoa que assistir.
E
por falar da excelente execução técnica, as sequências de ação são bem
construídas, sobretudo a sequência final, a qual é o estopim do filme e,
através de uma montagem eloquente, mostra em paralelo três situações de uma mesma
ocasião. A trilha sonora de Michael Gianchinno se encaixa perfeitamente às
cenas, emocionando quando tem que emocionar ou criando tensão quando deve.
Mesmo
sendo a maior referência de cultura pop, a saga Star Wars vai além do
entretenimento, da aventura e da jornada do herói. Em todos os filmes da saga,
a trama faz questão de abordar questões políticas pertinentes que dialogam com
situações que a humanidade vive desde sempre, como a opressão e a resistência.
Rogue One realiza isso muito bem e de forma corajosa, ao passo que são tomadas
decisões que fogem do que costuma ser visto na saga. A substância que faz Star
Wars ser o que é foi belamente contemplada em Rogue One – isso já é um bom
motivo para ir ao cinema.


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