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Assassin's Creed (2017) | Oportunidade mal aproveitada

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O histórico de adaptação de games às telonas não é muito promissor. O recente lançamento de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016) não obteve sucesso nem em crítica, nem em bilheteria, mesmo com o jogo sendo tão popular. Assim, qualquer nova adaptação já pode ser considerada arriscada, visto que a aceitação costuma ser baixa. No entanto, a Ubisoft decidiu explorar cinematograficamente uma das suas franquias de jogos mais famosas: Assassin’s Creed.


A direção ficou com a responsabilidade de Justin Kurzel, que já trabalhou ao lado do elenco principal em seu último filme, MacBeth: Ambição e Guerra (2015). O diretor executou um bom trabalho na direção ao explorar planos abertos e evidenciar o que ocorria em tela. Porém, o grande problema presente em Assassin’s Creed é a superficialidade do roteiro e isso nem a boa direção de Kurzel pôde resolver.


Um problema recorrente na adaptação dos jogos é que a complexidade que estes possuem não são bem exploradas. Assassin’s Creed é uma franquia rica em história, pois trabalha com fatos históricos do passado na época da Santa Inquisição em contraponto do presente, num conflito entre Templários e Assassinos. Essa riqueza de trama rendeu o lançamento da franquia de livros, a qual foi bem adaptada a esta mídia.

Claro que não é fácil transpor todos os aspectos que compõem o amplo universo dos games para 120 minutos. Mas o que leva a questionar a boa execução do roteiro é que este foi baseado nos jogos, criando uma história original a partir do mesmo, com novos personagens, mantendo o principal enredo e elementos.

Embora protagonizado por Michael Fassbender e coadjuvado por Marion Cotillard, o filme não valoriza o esforço dos atores, pois seus personagens acabam tendo desenvolvimento pobre, sem motivações convincentes, as quais não buscam cativar o público. E, para piorar, o enredo ainda faz uso de personagens e subtramas que nada acrescentam e ficam no limbo entre serem descartados ou desenvolvidos. Talvez se fossem descartados, o arco do personagem principal poderia ter sido melhor trabalhado, mas não é envolvente e acaba por ser apenas uma justificativa para as cenas de ação.

Falando nisso, um grande acerto do filme são as sequências de ação bem construídas e que suprem as expectativas enquanto filme de gênero. Com coreografia marcante e boa explanação do ambiente, a ação entusiasma e prende os olhos à tela. Grande parte das cenas de ação são retratadas na Espanha no ano de 1492, e os diálogos em espanhol entusiasmam e dão credibilidade às sequências.

Assassin’s Creed tinha muito potencial para ser uma grande adaptação. Privilegiado com um bom elenco e diretor, o roteiro fraco e preguiçoso desvalorizou o filme como um todo, que será recordado apenas como “mais um filme de ação” para muitos. A ação frenética vale o ingresso para quem gosta do gênero, mas o que poderia ser uma redenção para as adaptações de jogos, acaba entrando na lista dos filmes mal aproveitados. Uma pena.

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