O
histórico de adaptação de games às telonas não é muito promissor. O recente lançamento de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016) não obteve
sucesso nem em crítica, nem em bilheteria, mesmo com o jogo sendo tão popular.
Assim, qualquer nova adaptação já pode ser considerada arriscada, visto que a
aceitação costuma ser baixa. No entanto, a Ubisoft decidiu explorar
cinematograficamente uma das suas franquias de jogos mais famosas: Assassin’s
Creed.
A
direção ficou com a responsabilidade de Justin Kurzel, que já trabalhou ao lado
do elenco principal em seu último filme, MacBeth: Ambição e Guerra (2015). O
diretor executou um bom trabalho na direção ao explorar planos abertos e
evidenciar o que ocorria em tela. Porém, o grande problema presente em Assassin’s
Creed é a superficialidade do roteiro e isso nem a boa direção de Kurzel pôde
resolver.
Um
problema recorrente na adaptação dos jogos é que a complexidade que estes
possuem não são bem exploradas. Assassin’s Creed é uma franquia rica em
história, pois trabalha com fatos históricos do passado na época da Santa
Inquisição em contraponto do presente, num conflito entre Templários e
Assassinos. Essa riqueza de trama rendeu o lançamento da franquia de livros, a qual foi bem adaptada a esta mídia.
Claro
que não é fácil transpor todos os aspectos que compõem o amplo universo dos
games para 120 minutos. Mas o que leva a questionar a boa execução do roteiro é
que este foi baseado nos jogos, criando uma história original a partir do mesmo,
com novos personagens, mantendo o principal enredo e elementos.
Embora
protagonizado por Michael Fassbender e coadjuvado por Marion Cotillard, o filme
não valoriza o esforço dos atores, pois seus personagens acabam tendo
desenvolvimento pobre, sem motivações convincentes, as quais não buscam cativar
o público. E, para piorar, o enredo ainda faz uso de personagens e subtramas que
nada acrescentam e ficam no limbo entre serem descartados ou desenvolvidos. Talvez
se fossem descartados, o arco do personagem principal poderia ter sido melhor
trabalhado, mas não é envolvente e acaba por ser apenas uma justificativa para
as cenas de ação.
Falando
nisso, um grande acerto do filme são as sequências de ação bem construídas e
que suprem as expectativas enquanto filme de gênero. Com coreografia marcante e
boa explanação do ambiente, a ação entusiasma e prende os olhos à tela. Grande
parte das cenas de ação são retratadas na Espanha no ano de 1492, e os diálogos
em espanhol entusiasmam e dão credibilidade às sequências.
Assassin’s
Creed tinha muito potencial para ser uma grande adaptação. Privilegiado com um
bom elenco e diretor, o roteiro fraco e preguiçoso desvalorizou o filme como um
todo, que será recordado apenas como “mais um filme de ação” para muitos. A
ação frenética vale o ingresso para quem gosta do gênero, mas o que poderia ser
uma redenção para as adaptações de jogos, acaba entrando na lista dos filmes
mal aproveitados. Uma pena.

Comentários
Postar um comentário
Deixe sua opinião!