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| À peine j'ouvre les yeux (TN/FR) |
Leyla Bouzid, diretora natural da Tunísia, já acumulou seis produções em seu currículo, que acaba por ganhar notoriedade após Assim Que Abro Meus Olhos (inicialmente lançado em 2015), seu mais recente longa-metragem, ser selecionado e premiado em festivais como o de Veneza, situação que logo em seguida o levou a ser indicado pelo país para lista de Melhor Filme Estrangeiro. Com uma temática relevante e de impacto coerente, que apoia-se na condição histórica de uma sociedade, o filme demora a instigar o espectador, mas consegue captar sua atenção nas sequências finais e mantê-la ainda durante os créditos.
O filme tem como protagonista Farah (Baya Medhaffar), uma garota de 18 anos que acaba por descobrir as liberdades da juventude, tais como o sexo e o álcool. Às vésperas da Primavera Árabe, ela assume o posto de vocalista de uma banda experimental, cujas músicas denunciam e criticam a situação política e social do país. Devido às atitudes autoritárias e de repressão da polícia, a questão preocupa Hayet (Ghalia Benali), mãe de Farah, colocando as duas em posição constante de confronto.
O principal acerto de Quando Abro Meus Olhos está em retratar os contrastes entre uma juventude revolucionária liberal e o conservadorismo tão presente em determinadas sociedades. Esta realidade existe ao redor do globo; se desconsiderarmos o idioma dos personagens, tudo é bastante próximo ao Brasil, principalmente durante o primeiro ato do longa-metragem, que arrasta-se bastante ao apresentar o cotidiano de Farah. Vemos aqui a garota que quer ser musicista, enquanto os pais, preocupados, buscam impor-lhe a carreira de médica. Há um marcante embate de ideais, apresentando jovens "rebeldes" que lutam por seus desejos e maior liberdade pessoal e social.
Quanto às denúncias de repressão, o filme está cheio delas. A primeira música da obra, que a intitula, apresenta um parâmetro da desigualdade social e ausência de perspectivas na Tunísia, sendo repetida outras vezes durante o longa-metragem. Toda a musicalidade presente está, inclusive, voltada em torno disso, o que a torna forte e previsível na mesma medida. Há também uma sutil (mas poderosa e necessária) crítica ao machismo presente na liga Árabe, com alusões à representação equívoca da mulher feminista e à violência sexual; um assunto que atinge diretamente Leyla Bouzid, uma mulher que ocupa cargo de destaque atrás das câmeras.
O ritmo narrativo, inicialmente lento, ganha fôlego a partir do segundo ato, onde impõe um conflito que extrai mais das performances da dupla feminina principal (Com Ghalia Benali, a mãe, entregando a atuação mais interessante e convincente). A conclusão da obra, posteriormente, entrega sequências onde há muita sinergia entre as duas.
Assim Que Abro Meus Olhos é um estudo de personagens com forte retrato temporal, mas que garante identificação e empatia entre o público pela universalidade de suas situações. Se aqui temos a Primavera Árabe no início da atual década, muito recorda-se da Ditadura Militar brasileira dos anos 60-80. É uma representação sólida da juventude e da música, assim como da revolução e, consequentemente, da violência.



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