Os Saltimbancos Trapalhões -
Rumo a Hollywood (Brasil)
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Se existiu um grupo de vários integrantes, um mais invejável que o outro, além de Monthy Python, foi,
sem dúvida, Os Trapalhões. As suas apresentações artísticas atravessaram
gerações e, mesmo com todas as gags espalhafatosas de décadas de mais de 30
anos atrás, o bando seguiu um status cultural que as chanchadas não garantiram
pra si.
Há 35 anos estreava o primeiro
Saltimbancos Trapalhões, com o
conjunto completo. Hoje, em 2017, presenciamos um revival inesperadamente bom o
suficiente para reencontrar as gerações anteriores, e de ser leve para ser
lembrado como uma boa comédia da adolescência atual.
Os
Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood já é uma piada em seu
título que fica mais engraçado logo após a sua primeira sequência. Didi, uma
criança em um corpo de homem, sonha que vence um Oscar com o seu trabalho no
circo como escritor, diretor, produtor, ator, faxineiro e em outras áreas que
foram boas para o reconhecimento da academia. Com isto, o personagem entende
que os seus sonhos precisam ser guiados e levados a sério para o sucesso inigualável
do ambiente.
Só com essa piada e sinopse
desenvolvida em seus primeiros cinco minutos, o personagem dialoga com uma
animação extremamente precária, faz piadas com os nomes e com os
próprios artistas, como aquela do Sylvester
Stallone e outra sensacional com o Tom
Hanks. Depois o personagem acorda, entende a sua sina e começa a cantarolar
com todos do circo enquanto os créditos iniciais surgem na tela.
Neste pontapé, Didi, Dedé,
Barão, Tigrana e tantos outros demonstram a inspiração corretíssima para
protagonizarem o filme. O humor, infantil em 99% do tempo, é bobo,
carnavalesco, recheado de novas gags, incluindo várias com animais em
computação gráfica, e, por fim, com muitas canções contagiantes de uma bem-vinda
picardia.
A fundamentação do grupo
também retorna com um foco na paródia, o que se relacionava lado a lado com a
chanchada no início de tudo. As músicas se atualizaram, assim como as piadas,
que trazem elementos millennials, como os trocadilhos em inglês e com outros
filmes citados nos diálogos.
Desse modo, fica fácil notar que a distinção que o
grupo tinha dos demais era o valor financeiro e de público que os filmes
sempre garantiam. A falecida Embrafilme, por exemplo, se sustentou em muitos de
seus trabalhos que tinham a força necessária para enfrentar os longa-metragens norte-americanos da época. Uma rigidez pouco discutida durante os anos.
E diante da contribuição
imensa de uma fase de ouro do cinema brasileiro, Didi, emocionando e chorando,
como sempre, retorna aqui com uma coragem considerável de enfrentar as tolices
do humor atual.
É o suficiente? Em 2017, sim.

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