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King Kong (1933) | Os mistérios do início do século

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King Kong (EUA)
King Kong é, de fato, um filme do início do século XX. O racismo em cima dos nativos, o machismo ao redor de Ann Darrow e a mensagem de superioridade dos homens diante de outras espécies, são detalhes condizentes com muitos filmes das décadas de 1920 e 1930. Com estes argumentos, a obra seria só mais um tradicionalismo do período, no entanto, o que o diferencia de tantos outros, como o Mundo Perdido de 1925, é a capacidade de assustar e de criar emoções que só o cinema sabe oferecer tão bem. 

A técnica, não tão usada atualmente, de stop motion já tinha os seus precursores. Contudo, a obra assinada por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, gênios da época, é uma aula de como se trabalhar a montagem a serviço da história e do espetáculo visual, o que tornou o filme em um clássico de catástrofe e um dos mais originais blockbusters de todos os tempos, quiçá, um dos mais importantes.

A trama, conhecida já por todos, é sobre o sonho de Carl Dehan, um “coxinha” moderno que planeja tudo e engana a todos em busca de concluir o seu filme. A vítima protagonista é Ann, uma atriz de teatro que se aventura pelo cinema dramático, sem saber o que lhe aguarda na misteriosa e assustadora, já em seu nome, Ilha da Caveira.

Durante o caminho, os personagens são desenvolvidos dubiamente e a construção de tensão se firma quando eles chegam na ilha. De uma tribo nativa até dinossauros, de plantas enormes até um gorila de oito metros, somos apresentados ao universo de Kong, o monstro carinhoso e aterrorizante que perturba, assim como cria empatia.

Para começar, a música magistral de Max Steiner compreende os caminhos guiados pelo desespero de Carl, Ann, Kong e outros que se surpreendem a cada metro da ilha. A criação de tensão se deve ao trabalho de som do compositor que transforma toda a aventura em uma densidade tragicômica e, muitas vezes, original para o público pouco habituado de 1933.

Em seguida, a criação de efeitos visuais e técnicas práticas exibem uma alegoria que, sem dúvida, transformam Kong na oitava maravilha do mundo, pelo menos naquele ano. Os monstros são calculosamente bem explicados em seus detalhes faciais e em posturas que o caracterizam e, como cereja do bolo, que ainda desenvolvem as suas transformações durante os 100 minutos da fita. Um exemplo de paciência cinematográfica.

A criatura conseguiu criar a sua história no cinema moderno. Por mais precário que seja em seu roteiro, o monstro ficou no coração de muitas pessoas como, enfim, algo positivo. Kong tem seus méritos. 


Crítica - King Kong (1933)

Os mistérios do início do século 

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