| King Kong (EUA) |
A técnica, não tão usada
atualmente, de stop motion já tinha os seus precursores. Contudo, a obra
assinada por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, gênios da época,
é uma aula de como se trabalhar a montagem a serviço da história e do espetáculo
visual, o que tornou o filme em um clássico de catástrofe e um dos mais
originais blockbusters de todos os tempos, quiçá, um dos mais importantes.
A trama, conhecida já por
todos, é sobre o sonho de Carl Dehan, um “coxinha” moderno que planeja tudo e
engana a todos em busca de concluir o seu filme. A vítima protagonista é Ann,
uma atriz de teatro que se aventura pelo cinema dramático, sem saber o que lhe
aguarda na misteriosa e assustadora, já em seu nome, Ilha da Caveira.
Durante o caminho, os
personagens são desenvolvidos dubiamente e a construção de tensão se firma
quando eles chegam na ilha. De uma tribo nativa até dinossauros, de plantas enormes
até um gorila de oito metros, somos apresentados ao universo de Kong, o monstro carinhoso
e aterrorizante que perturba, assim como cria empatia.
Para começar, a música
magistral de Max Steiner compreende
os caminhos guiados pelo desespero de Carl, Ann, Kong e outros que se
surpreendem a cada metro da ilha. A criação de tensão se deve ao trabalho de
som do compositor que transforma toda a aventura em uma densidade tragicômica e,
muitas vezes, original para o público pouco habituado de 1933.
Em seguida, a criação de
efeitos visuais e técnicas práticas exibem uma alegoria que,
sem dúvida, transformam Kong na oitava maravilha do mundo, pelo menos naquele
ano. Os monstros são calculosamente
bem explicados em seus detalhes faciais e em posturas que o caracterizam e,
como cereja do bolo, que ainda desenvolvem as suas transformações durante os
100 minutos da fita. Um exemplo de paciência cinematográfica.
A criatura conseguiu criar a sua história no cinema moderno. Por mais
precário que seja em seu roteiro, o monstro ficou no coração de muitas pessoas
como, enfim, algo positivo. Kong tem seus méritos.

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