| Kong: Skull Island (EUA) |
O Godzilla de 2014 foi fiel ao original de 1954. Ambas as tramas se concentraram no mistério e na criação de expectativa, o acabou transformando o monstro em uma sombra durante grande parte da obra. Desse modo, Kong: A Ilha da Caveira, assim como o King Kong de 1933, é uma intensa aventura suscetível que simplesmente não cansa de suas sequências de batalhas fantasiosas e empolgantes.
O filme, logo em seu início, desenvolve uma trama “original”. Sem similaridades com aqueles baseados na pós-depressão
de 1929, a obra se determina em oferecer nada mais que inúmeras cenas absurdas
de ação. A história, já conhecida por muitos, é uma odisseia lúdica que viajou
dos anos de 1980 até 2017, com uma inspiração forte em clássicos de Steven Spielberg.
O diretor Jordan Vogt-Roberts, muito dedicado, por
sinal, se exibe com uma vontade de se diferenciar dos anteriores. Logo na
introdução, o roteiro parte em busca de uma trilha deixada por O Franco Atirador, Rambo, Apocalypse Now e outros, em que os heróis estão perdidos quando estão longe
da guerra.
O Vietnã, desse modo, se torna a Ilha da Caveira. O design de produção, neste
sentido, constrói no Havaí um paraíso inexplorado, belíssimo e pronto para ser destruído
pela óbvia ganância do homem. Até que surge o Kong.
A criatura, sem clichês, aparece como um ser muito maior que os seus anteriores e que, mesmo sem todos os
detalhes impressionantes do monstro de Peter
Jackson, se sai muito bem em assustar instantaneamente em sua primeira cena.
Os efeitos visuais oferecido pela Lucasfilm se divertem ao criar outros seres da
ilha que assustam quando é preciso, como a aranha gigante e o polvo, algo que traz a sensação constante de perigo.
Já o roteiro, como uma
surpresa inesperada, aposta nas homenagens. O filme se concentra em misturar alguns daqueles que criaram uma geração inteira de cinéfilos de todo mundo. Os clássicos japoneses,
de guerra e de aventura se transformam e saem do estereótipo de longa-metragem
sem trama, e que ainda fazem a obra fluir de maneira muito singular.
Enquanto isso, os heróis da
vez são comuns e até mesmo previsíveis, infelizmente. O único que se destaca
como esperado é o personagem de Samuel
L. Jackson que oferece uma atmosfera
inspirada em um Robert De Niro que
pode enlouquecer a qualquer momento, como nos clássicos que tratam da derrota
do Vietnã, algo que traz uma contextualizada interessante e sádica ao
personagem que trocou os Vietcongs por monstros gigantes, o que acaba sendo a mesma coisa para o vilão.
No entanto, o foco não é este. O diretor
e seu roteiro apostam muito mais nas lutas de criaturas do que em seus
personagens. Uma falta de confiança que coube muito bem na construção de
universo, por mais estranho que isso possa parecer. A fotografia, por exemplo, vai
contra a maré. Enquanto as atuações e personagens ficam no superficial, a obra
envolve aquele universo com um estilo colorido que traz sensações de desenhos
animados em que a violência diverte, mas não choca, graças ao design e
ambientações que brindam planos belíssimos para a narrativa e 3D.
No fim, Kong agrada como
prometeu. A viagem ao parque de diversões dos tokusatsus foi comprometida com
bastante intensidade e dedicação. Inclusive, a cena pós-créditos confirma isto muito
bem.

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