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Objetos Cortantes | No limite da insanidade

Gillian Flynn, como sempre, não decepciona. Muito pelo contrário. O universo criado pela autora (que já foi inclusa na lista de leitura do ex-presidente americano, Barack Obama) explora a mágoa e a mente, além do rancor de uma família desestruturada de forma extrema e sombria, percorrendo pelos lados mais obscuros do ser humano.

Trabalhando em um jornal sem prestígio e recém-saída de um hospital psiquiátrico, Camilla Preaker só tem uma certeza: nada nesse mundo a faria voltar para sua cidade-natal, a pequena Wind Gap. Fugindo de um passado conturbado e problemas na família, a jornalista escapou de seu inferno pessoal oito anos antes, e o que mais deseja é esquecer esse lado de sua vida para sempre. Mas, quando crimes envolvendo meninas acontecem na velha Wind Gap e Camilla é a única com laços familiares na cidade, ela sabe que já não possui escolha (ainda mais porque seu editor-chefe não a dá nenhuma): ela precisa ir.

De volta para a pequena cidade no interior de Missouri e sem um mínimo de recursos, Camilla é obrigada a encarar o orgulho e bater à porta da sua antiga casa, que hoje hospeda sua mãe, controladora e neurótica; sua meia-irmã, uma desconhecida; e seu padastro, um personagem claramente descartável. De forma incisiva, mas lenta - o que otimiza a imersão do leitor na história - acompanhamos as investigações e até alguns conflitos éticos da jornalista em busca de sua matéria. No entanto, as aparições de sua meia-irmã, que se mostra uma manipuladora mirim, com apenas 13 anos, acabam por desviar sua atenção do que realmente tinha ido fazer.

E por mais que ela tente deixa o passado em seu lugar, longe de seu presente, as memórias de uma adolescência com discussões diárias com sua mãe, drogas e automutilações, além da estranha relação dos crimes com sua família, mexem de forma gradativa com seu bom-senso e sua saúde mental, desviando o foco e a atenção da obra de uma busca por jornalismo no mínimo compete (pois acredite, a personagem ainda tenta terminar seu trabalho com algumas cenas retóricas no livro) para a busca do que realmente estava acontecendo em Wind Gap.

Viciante e doentio, "Objetos Cortantes" seduz o leitor ao universo sombrio e sem volta, deixando evidente a habilidade de Gillian Flynn  em explorar a tênue linha entre a sanidade e a insanidade da essência humana. Diferente de seu livro mais famoso, "Garota exemplar", objetos-cortantes é mais ágil e intenso, carregando uma bagagem emocional durante toda sua estória e sem um pingo de moralidade.


Hasteando a bandeira de uma das melhores escritoras de thrillers psicológicos atualmente, Gillian Flynn traz uma obra competente e sensacional, Uma das provas é a futura adaptação do livro para minissérie pela  HBO, que contará com Amy Adams e Patrícia Clarkson no elenco como Camilla e sua mãe, respectivamente.





Eu, tentando entender o que está acontecendo:

Resenha - Objetos Cortantes (2015)

No limite da insanidade

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