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Silêncio (2017) | Fé colocada à prova

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Um antigo desejo do renomado diretor Martin Scorsese finalmente ganha forma. Silêncio é a nova obra do diretor e, desde sua estreia nos EUA (em dezembro de 2016), tem dividido opiniões. 

O filme, que é uma adaptação do livro “Chinmoku” (O Silêncio, 1966), do escritor católico japonês Shusaku Endo, retrata a história de dois missionários portugueses que vão até o Japão e presenciam a dizimação de japoneses convertidos ao cristianismo. A partir disso Scorsese consegue traduzir à tela um tema controverso com imparcialidade que se faz necessária.

O roteiro de Jay Cocks faz questão de apresentar as religiões e seus impactos sob as duas perspectivas. De um lado, a postura ofensiva dos japoneses em detrimento de sua religião local – o budismo – e do outro, padres jesuítas entrando em outro país, convertendo e impondo a população às suas crenças ocidentais, uma prática comum no continente africano e na América (vide a nossa herança religiosa). O que o texto de Silêncio pretende é abraçado por seu elenco.

Andrew Garfield, protagonizando como Padre Rodrigues, se entrega ao personagem ao lado de Adam Driver, como Padre Gerupe. Já Liam Neeson, com seus poucos minutos em tela, transmite sua vergonha num olhar ultrajado em contraste ao olhar de desespero de Garfield. Além de todo elenco japonês, com atuações instigantes.

No entanto, o desenvolvimento se estende e toma o tempo que deveria ser destinado ao ato final. O ritmo denso de Silêncio não se mantém nas últimas sequências, sendo genericamente realizada com grandes elipses e uma narração maçante, assumindo desequilíbrio e confusão.

A complexidade dos personagens engrandece o longa de Scorsese, o qual interpela a relação entre a fé e a fraqueza humana com a disparidade entre culturas. Todas as questões abordadas foram bem acentuadas por uma bela e tênue fotografia e uma trilha sonora quase que silenciosa.

Com toda sua narrativa hermética, Silêncio é necessário ao público. Scorsese arrisca em trazer um filme suscetível à diferentes interpretações, pois dialoga diretamente com o subjetivo de cada um. Enquanto em tela, a obra é de encher os olhos, mas o seu real valor está nos minutos de reflexão quando os créditos começam a subir.


Crítica - Silêncio (2017)

Fé colocada à prova

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