
Um antigo desejo do renomado diretor Martin Scorsese finalmente ganha forma. Silêncio é a nova obra do diretor e, desde sua estreia nos EUA (em dezembro de 2016), tem dividido opiniões.
O
filme, que é uma adaptação do livro “Chinmoku” (O Silêncio, 1966), do escritor
católico japonês Shusaku Endo, retrata a história de dois missionários
portugueses que vão até o Japão e presenciam a dizimação de
japoneses convertidos ao cristianismo. A partir disso Scorsese consegue traduzir à tela um
tema controverso com imparcialidade que se faz necessária.
O
roteiro de Jay Cocks faz questão de apresentar as religiões e seus impactos sob
as duas perspectivas. De um lado, a postura ofensiva dos japoneses em detrimento
de sua religião local – o budismo – e do outro, padres jesuítas entrando em
outro país, convertendo e impondo a população às suas crenças ocidentais, uma prática
comum no continente africano e na América (vide a nossa herança religiosa). O
que o texto de Silêncio pretende é abraçado por seu elenco.
Andrew
Garfield, protagonizando como Padre Rodrigues, se entrega ao personagem ao lado
de Adam Driver, como Padre Gerupe. Já Liam Neeson, com seus poucos minutos em
tela, transmite sua vergonha num olhar ultrajado em contraste ao olhar de
desespero de Garfield. Além de todo elenco japonês, com atuações instigantes.
No
entanto, o desenvolvimento se estende e toma o tempo que deveria ser destinado
ao ato final. O ritmo denso de Silêncio não se mantém nas últimas sequências,
sendo genericamente realizada com grandes elipses e uma narração maçante,
assumindo desequilíbrio e confusão.
A
complexidade dos personagens engrandece o longa de Scorsese, o qual interpela a
relação entre a fé e a fraqueza humana com a disparidade entre culturas. Todas
as questões abordadas foram bem acentuadas por uma bela e tênue fotografia e
uma trilha sonora quase que silenciosa.
Com
toda sua narrativa hermética, Silêncio é necessário ao público. Scorsese
arrisca em trazer um filme suscetível à diferentes interpretações, pois dialoga
diretamente com o subjetivo de cada um. Enquanto em tela, a obra é de encher os
olhos, mas o seu real valor está nos minutos de reflexão quando os créditos
começam a subir.

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