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Tinha Que Ser Ele? (2017) | Pelo menos tinha que ser James Franco

Tinha Que Ser Ele? : Poster
Why Him? (EUA)
Os rumos da comédia hollywoodiana estão defasados há muito tempo. Geralmente se definem como uma união de blocos de humor que se apoiam em moldes dramáticos recorrentes ao gênero. E o que ainda nutre constantemente são pequenas ideias que funcionam como justificativa. 'Tinha Que Ser Ele?', além de trazer a junção atraente de Bryan Cranston e James Franco, possui uma compreensão geral sobre algumas características de seu humor. Mas não lhe resta muito além disso.

Por mais que Ned (James Franco) seja um personagem de profundidade montada sobre imediatismo, fica evidente desde sua primeira aparição que ninguém mais além do próprio Franco poderia vive-lo. O ator faz parte do seleto grupo industrial de artistas “versáteis”. Trabalhando ininterruptamente, faz drama, humor, fantasia, etc. E, mesmo que a maioria de seus filmes não tragam conteúdos realmente novos, sua presença é sempre marcante. Seu personagem Ned é um magnata rico e “inconsequente”; o roteiro escrito pelo próprio diretor John Hamburg baseado na ideia original de Jonah Hill, aposta nessa peculiaridade todas as tentativas de envolvimento. Junto a expressividade cômica de Franco, consegue, em poucos bons momentos, arrancar risadas sinceras. Mas, como não podia ser diferente, também gera uma embaraço irritante.

Quanto a Bryan, não há muito o que falar. Comparo seu trabalho com a presença de Robert De Niro em ‘Tirando o Atraso’, da Netflix. Mas é claro que ‘Tinha Que Ser Ele?’ é um filme imensamente menos bizarro e, nesse sentido, comportado. Aliás, é curioso que o filme até consiga se utilizar dessa breve sobriedade ao não criar sequências azucrinantes de humor excedente. 

Como é de se esperar, o filme é construído sobre um formato abertamente esquecível: pai ciumento não aprova namorado da filha. Interessado em conduzir uma trama que é enfadonha se vista por cima, a comédia não ultrapassa o óbvio. É frustrante perceber que as poucas risadas durante o filme são por motivos idênticos ou semelhantes a outros tantos. Seguir mesmas tramas e desfechos se tornou um processo tão lógico que sua “normatização” acaba tornando seu espectador refém. “Se você riu da cena daquele filme, vai rir dessa”. 

Para além de Ned (e o cômico Gustav, interpretado por Keegan-Michael Key), seus personagens são unilaterais. A filha “recatada”, a mãe cúmplice e igualmente acanhada, o pai empresário, o irmão mais novo “moderno”. O filme fica nessa utilização escassa de inventividade, entrelaçando-os em situações entediantes, cômicas ou absurdas. Aliás, diante sua aparente calmaria, o filme não sabe trabalhar com o quesito “absurdo”, transformando sua presença em um show indigesto de comédia.

Em meio a todo histrionismo, ‘Tinha Que Ser Ele?’ não alcança qualquer marca dentro do universo que se insere. Seus poucos bons momentos garantem a risada e até mesmo a visita; não oferece muita coisa, mas também não pede nada. Apesar de tudo, um filme que anseia ser agradável tendo como destaque elementos fáceis de se aceitar sem compromisso. 

Crítica - Tinha Que Ser Ele? (2017)

Pelo menos tinha que ser James Franco


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