| Alien: Covenant (EUA) |
+ Alien, o Oitavo Passageiro (1979) | Ridley Scott de raiz
Alien:
Covenant é o segundo filme prequel da
franquia e aborda a missão colonizadora da nave espacial que está no título do
filme. A direção ficou sob responsabilidade do idealizador Ridley Scott, mas a
roteirização é de John Logan e D.W. Harper, que se perdem em referências e
trazem uma narrativa esquecível e sem criatividade.
Trabalhar
com uma franquia tão bem estabilizada no cinema é um risco que facilmente leva
os criativos a contar histórias repetidas e maçantes. É uma mera ilusão de que
o sucesso obtido na época em que o gênero era novidade vá se repetir, deixando
de lado todas as outras circunstâncias que permeiam o cinema contemporâneo. Isso
foi o que aconteceu com o Alien que, ao tentar se renovar, caiu no problema que
atinge a maioria dos filmes: a genericidade.
O
filme, assim como seu antecessor, Prometheus (2012), também foca numa
tripulação, cujo carisma pode ser igualado a zero. Os personagens apáticos e
sem desenvolvimento não despertam nenhum interesse e empatia. Nem mesmo a
protagonista Daniels (Katherine Waterson) consegue convencer perante à sua causa
– o que é uma pena, pois a expectativa de ter alguém a altura de Ellen Ripley (Sigourney
Weaver) era inevitável.
O
único personagem, porém, que consegue chamar atenção e ao mesmo tempo cativar o
público à tela é o androide David (Michael Fassbender), que tem atuação dupla
no filme. A sua crueldade visceral é totalmente harmônica com seus monólogos,
trazendo falas marcantes ao personagem. Covenant é sustentado boa parte
por sua forte presença em tela.
A
narrativa confusa do longa acaba por dar voltas e não cumprir com a proposta de
apresentar uma digna história de origem, ficando num limbo entre o suspense e o
terror. A trama dos personagens acaba ganhando mais foco e nem mesmo as
questões apresentadas em Prometheus tiveram uma boa solução, tendo uma
resolução meia-boca e não convincente.
No
entanto, Alien: Covenant tenta de forma até um pouco excessiva de referenciar
os filmes clássicos. Utilizando a tecnologia ao seu favor, cria a esperança de
ver um xenomorfo em boa qualidade – o que se torna um ponto a favor do filme.
Mas
fora as criaturas – que melhoraram seu design -, o visual intergaláctico não
transpõe nenhuma originalidade, uma vez que o espaço já foi retratado várias vezes
no cinema e a produção se tornou vítima disso.
A
boa intenção de Ridley Scott é percebida, mas é a execução e a construção da narrativa que não suprem o que os fiéis fãs da franquia Alien esperavam. Alien:
Covenant não cumpre sua proposta e apresenta um filme que perde em
originalidade, se mantendo apenas por sua bela trajetória no cinema.

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