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Bates Motel: O final perfeito para uma série perfeita

Chegou ao fim no dia 24 de abril a série Bates Motel, depois de cinco anos no ar. A série era uma prequel contemporânea do filme Psicose de 1960, onde retrataria a juventude do assassino Norman Bates para o tempo presente, mostrando sua relação com a mãe e o que fez ele ser o que é. A primeira temporada, lançada em 2013, abria as cortinas para os excelentes atores, que mostraram do que são capazes, Vera Farmiga e Freddie Highmore nos papéis de Norma e Norman Bates, respectivamente. 

Bates Motel: O final perfeito para uma série perfeita

Série fechou com chave de ouro, dando fim mais uma vez a uma era.


Desde o início da produção, Bates Motel carregava uma grande missão, de retratar a adolescência de um dos psicopatas mais famosos do cinema, que ficou conhecido pelas mãos do brilhante diretor Alfred Hithcock. Desde o princípio, a série teve uma liberdade criativa para relatar a obsessão que Norman sentia por sua mãe, e a última temporada foi responsável por englobar o enredo da adaptação do filme, deixando os telespectadores apreensivo por essa quinta e última temporada. 


A quinta temporada fechou o ciclo da história de forma inovadora em vários aspectos mas sem deixar a desejar, dando jus a obra original. Pra quem ainda não assistiu a última temporada ou nem começou a série, então cuidado com os SPOILERS que vão conter nesse texto. Pra relembrar, no final da quarta temporada Norma morre e o causador disso foi seu próprio filho Norman. Ele queria morrer junto de sua mãe, mas acabou sendo salvo pelo então xerife Alex Romero, que estava casado com Norma.



A nova temporada já começa com um salto no tempo de 2 anos, mostrando como Norman está depois da morte da sua tão amada mãe. Alex Romero está preso, Dylan casado e pai de uma menina fruto da sua relação com Emma. Norman parou de tomar os medicamentos um pouco antes de Norma morrer e a mãe começa a aparecer definitivamente na sua cabeça. Então é como se nada tivesse mudado, para ele. E a quinta temporada trabalhou muito bem isso, mostrando a perspectiva dele e também a nossa sobre o que estava acontecendo, o que ele estava vendo e as demais pessoas. 

Romero está cumprindo sua pena e contrata um assassino para matar Norman, que ele culpa pela morte de sua amada, mas quando não recebe notícias do assassino contratado, foge da prisão e põe seu plano em prática, nada melhor que se vingar com suas próprias mãos. Em Chicago, Dylan vive sua vida de casado com Emma, mas ele sente como se algo tivesse faltando em sua vida. Eles não fazem ideia do que aconteceu em White Pine Bay.




Outro arco importante na temporada, sendo algo fundamental do filme Psicose, é a introdução da personagem Madeleine Loomis, recém-chegada na cidade sendo bem parecida fisicamente com Norma. Norman, quando a conhece se apaixona, mas Madeleine é casada com o empresário Sam Loomis, que tem um caso extraconjugal com a assistente bancária Marion Crane - interpretada por nada menos que a cantora Rihanna.


Quando foi divulgado que Rihanna interpretaria a personagem chave do filme clássico, as opiniões ficaram bastante divididas, será que a cantora honraria a personagem? A aparência física também foi bastante questionada: Marion em Psicose era branca e loira, como a mãe de Norman, por sinal Norman quase sempre matava mulheres que lembrava a mãe. Então o público se questionava, mudando a aparência física e tão relevante pros assassinatos de Norman, não perderia a singularidade e a questão chave da história?

Muito se preocuparam em como a trama de Psicose seria apresentada na série, mas tudo foi feito de uma forma genial. Bates Motel se preocupou em manter sua integridade e originalidade, portanto não trouxe apenas uma releitura fiel aos eventos do filme, modificando significativamente o que todos acharam que iria ser previsível. Sim, estamos falando da tão aguardada cena do chuveiro, embalada pela música tema.


Nem a música permaneceu a mesma e muito menos quem morreu, algo que surpreendeu a todos, inclusive a mim. Fiquei me questionando se essa mudança não teria perdido a essência da história original, mas depois de rever consegui perceber a genialidade da alteração, como ela foi inteligente e como foi coerente com a trajetória que a série tomou nesses cinco anos. Marion não foi assassinada e Sam foi a vítima escolhida por Norman para ser morto no banheiro.

E os acontecimentos que se sucederam depois dessa morte foi bastante pertinente. Dylan vai até White Pine Bay depois que descobre sobre a morte de sua mãe. Norman se entrega para a polícia pela morte de Sam, Romero tenta de tudo para se vingar, “Norma” toma de conta do corpo de Norman e tenta se livrar da cadeia pelos crimes até então descobertos. Emma descobre que sua mãe morreu pelas mãos de Norman e vai até a cidade encontrar o corpo. Várias mortes acontecem nessa temporada de personagens relevantes, como Caleb, pai de Dylan e irmão de Norma, Romero, que morre pelas mãos de Norman, depois de olhar o corpo de sua amada, entre vários outros.


Bates Motel não poupou o realismo e mostrou um lado muito mais obscuro de Norman Bates. Temos que elogiar e enaltecer Freddie Highmore pela atuação e desenvolvimento do personagem durante esses anos (sentindo cheiro de Emmy?). Os criadores também usaram como trunfo a interação entre o protagonista e Norma,. Mesmo depois de morta, teve um papel ativo e essencial, ilustrando os pensamentos doentios de Norman, o encorajando a cometer e a ocultar diversos assassinatos. 

Mesmo que Norman tenha se tornado um criminoso impiedoso, foi dado ao personagem o único final feliz capaz de satisfazê-lo. Dylan, que mostrou grande empatia pela doença do irmão, principalmente nessa última temporada, o libertou da vida para que ele pudesse se juntar a sua amada mãe que estava esperando de braços aberto, para ficarem juntos por toda a eternidade.


E Dylan por sua vez teve seu tão merecido final feliz, com sua esposa Emma e sua filha. Nada mais justo para o personagem mais humano da série. Bates Motel fechou com chave de ouro, dando fim mais uma vez a uma era. Deixando Alfred Hitchcock onde estiver, feliz por sua obra-prima, eternizada.

 

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