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| Spider-Man 2 (EUA) |
Sam Raimi, sem cometer o erro de repetir a história do primeiro
filme, aposta no desenvolvimento humano de seus personagens e universo. Logo em
seus créditos de abertura, o diretor cria uma homenagem aos quadrinhos e
relembra o filme original com ilustrações de Alex Ross, um deus dos desenhos da
nona arte. Em seguida, o diretor pontua o infeliz dia a dia do personagem que,
sendo um herói, não consegue agradar os demais e, principalmente, ser feliz.
+ Crítica: Homem-Aranha (2002) | A história de origem definitiva
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O personagem, deste modo, observa a sua vida desmoronar enquanto
os seus dias como Homem-Aranha não têm fim. A sua amada Mary Jane não é
correspondida e se relaciona com outro homem, a sua tia está à beira da falência,
o seu melhor amigo deseja a sua morte e os seus estudos e empregos estão por um
fio. Além disto tudo, um novo vilão surge em Nova York com planos maquiavélicos
de destruição em massa.
O herói, sem energia para continuar, opta por abandonar os seus
poderes e responsabilidades em busca de uma vida tranquila e saudável. Já neste
breve argumento, o roteiro desenvolve um drama que ofusca todos os outros ícones
e deuses da editora. A depressão, doença cada vez mais comum na contemporaneidade,
surge sem dimensões na vida do rapaz e o atinge com toda a infelicidade possível,
o que o desenvolve e aumenta as suas camadas vulneráveis. O roteiro, em vista
disto, surpreende com as relações, ao invés das inúmeras sequências de batalha.
Se dedicando, além de tudo, no humor, Sam Raimi resgata de seus
astros algumas participações cômicas e tragicômicas, como o J. Jonah Jameson,
interpretado sabiamente por J.K Simmons como o editor do Clarim Diário, que
prova, sem muita dificuldade, o seu talento para o humor debochado. Já a sequência
do elevador, ainda que curta, rende risos por causa do ridículo da situação.
Por outro lado, o horror, assim como a ação, se desenvolve como um
trunfo do diretor que, com a edição energética, oferece sequências intensas de
tensão, como a da sala de cirurgia, que remete imediatamente ao Evil Dead,
também dirigido por Rami, e na batalha antológica do trem, o qual o diretor explora
todos os lugares da cena com muita empolgação em sua montagem e música. Na verdade,
toda a sua construção narrativa durante a luta é digna de aplausos.
Por último, o filme ainda mostra a sua capacidade de construção de
vilão, com Alfred Molina interpretando o trágico Otto Octavius com uma versão
menos maligna e mais humana que os quadrinhos, o que nos faz torcer pelo mesmo.
Sam Raimi, por conseguinte, presenteou os fãs e leitores de gibis com um
clássico moderno do gênero que, ainda que apresente cenas inspiradas de ação,
desenvolve os seus personagens com muito amor.


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