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Homem-Aranha 2 (2004) | Adaptação de "Homem-Aranha Nunca Mais" consegue ser fiel e atual

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Spider-Man 2 (EUA)
Sam Raimi, sem cometer o erro de repetir a história do primeiro filme, aposta no desenvolvimento humano de seus personagens e universo. Logo em seus créditos de abertura, o diretor cria uma homenagem aos quadrinhos e relembra o filme original com ilustrações de Alex Ross, um deus dos desenhos da nona arte. Em seguida, o diretor pontua o infeliz dia a dia do personagem que, sendo um herói, não consegue agradar os demais e, principalmente, ser feliz. 

+ Crítica: Homem-Aranha (2002) | A história de origem definitiva

O personagem, deste modo, observa a sua vida desmoronar enquanto os seus dias como Homem-Aranha não têm fim. A sua amada Mary Jane não é correspondida e se relaciona com outro homem, a sua tia está à beira da falência, o seu melhor amigo deseja a sua morte e os seus estudos e empregos estão por um fio. Além disto tudo, um novo vilão surge em Nova York com planos maquiavélicos de destruição em massa.

O herói, sem energia para continuar, opta por abandonar os seus poderes e responsabilidades em busca de uma vida tranquila e saudável. Já neste breve argumento, o roteiro desenvolve um drama que ofusca todos os outros ícones e deuses da editora. A depressão, doença cada vez mais comum na contemporaneidade, surge sem dimensões na vida do rapaz e o atinge com toda a infelicidade possível, o que o desenvolve e aumenta as suas camadas vulneráveis. O roteiro, em vista disto, surpreende com as relações, ao invés das inúmeras sequências de batalha.

Se dedicando, além de tudo, no humor, Sam Raimi resgata de seus astros algumas participações cômicas e tragicômicas, como o J. Jonah Jameson, interpretado sabiamente por J.K Simmons como o editor do Clarim Diário, que prova, sem muita dificuldade, o seu talento para o humor debochado. Já a sequência do elevador, ainda que curta, rende risos por causa do ridículo da situação.

Por outro lado, o horror, assim como a ação, se desenvolve como um trunfo do diretor que, com a edição energética, oferece sequências intensas de tensão, como a da sala de cirurgia, que remete imediatamente ao Evil Dead, também dirigido por Rami, e na batalha antológica do trem, o qual o diretor explora todos os lugares da cena com muita empolgação em sua montagem e música. Na verdade, toda a sua construção narrativa durante a luta é digna de aplausos.

Por último, o filme ainda mostra a sua capacidade de construção de vilão, com Alfred Molina interpretando o trágico Otto Octavius com uma versão menos maligna e mais humana que os quadrinhos, o que nos faz torcer pelo mesmo. Sam Raimi, por conseguinte, presenteou os fãs e leitores de gibis com um clássico moderno do gênero que, ainda que apresente cenas inspiradas de ação, desenvolve os seus personagens com muito amor.

Crítica: Homem-Aranha 2 (2004)

Adaptação de "Homem-Aranha Nunca Mais" consegue ser fiel e atual

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