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| Spider-Man (EUA) |
Diante de um mundo caótico e
polarizado como esse em que os dois dos principais personagens de cada editora
precisam guerrear antes de um acordo, há mais de dez anos, Sam Raimi,
lado a lado com a Sony, criou uma das mais competentes e ricas adaptações de
quadrinhos para os cinemas. Além de entretenimento para todos os públicos, a
história do aracnídeo no filme de 2002 é uma aula sobre humanidade.
Peter Parker, quando usa a
máscara, consegue ser, sem muita dificuldade, um dos heróis mais queridos por
leitores. A ligação com o adolescente inseguro, que não consegue agradar a
todos e muito menos dialogar com a garota que ama, é muito mais identificável
que Bruce Wayne, um milionário que conseguiu tudo devido ao império deixado
pelos pais, ou com Kal-El, um alienígena do planeta de Krypton.
Sam Raimi, fã apaixonado do
herói, compreendeu essas camadas e criou este apelo que todos sentimos pelo
cabeça de teia. O personagem capaz de voar entre os prédios é um rapaz
extremamente humano e que, mesmo enfrentando os seus vilões poderosos de
maneira fantasiosa, consegue ser gentil, amoroso e simpático, ao mesmo tempo
que não pode se sustentar e nem pagar um sanduíche para Mary Jane.
O roteiro, assinado por David
Koepp, respeita a essência de Peter e, sendo bom ator ou não, Tobey
Maguire encara bem o desafio de simbolizar a maior virtude do
personagem: o altruísmo. Sua sensibilidade em aprender com os erros e de
crescer com o sofrimento é colocado em tela como um atrativo muito mais
elegante que as cenas de pancadaria.
Já Willem Dafoe interpreta
Norman Osborn, o Coringa do personagem. Um vilão suficientemente perturbador e
que, apesar de sua armadura pouco funcional, surpreende com as suas atitudes
imprevisíveis de atacar o herói de todo modo. E vale ressaltar do monólogo
exemplar que o ator possui em frente a um espelho e da conversa surreal que ele
tem com o protagonista em um terraço.
O mesmo pode ser dito ao J.K
Simmons, que é eloquentemente cômico, e sobre Kirsten Dunst,
que na época fugia do estereótipo de mocinha tola que manda no herói. Pelo
contrário, na verdade, já que Mary Jane é uma garota que luta por seus sonhos, enfrenta a
violência dos pais e consegue ser apaixonante e humilde.
O universo criado por Stan
Lee e Steve Ditko é uma amálgama de como se criar uma
jornada do herói com mais ensinamentos que o esperado. Depois de Batman do Tim
Burton e de X-Men de Bryan Singer, Homem-Aranha, de
2002, é um filme de herói e fantasia extremamente competente e edificante. A
direção de arte e a composição musical funcionam bem, assim como o seu roteiro
e elenco, o que, por fim, nos faz lembrar porque continuamos revendo os filmes
e lendo os quadrinhos.


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