Pular para o conteúdo principal

Homem-Aranha 3 (2007) | Em defesa do terceiro filme

Resultado de imagem para spider man 3
Resultado de imagem para spider man 3 poster
Spider-Man 3 (EUA)
Por mais bobo e inconsequente que Homem-Aranha 3 seja, é inegável que a capacidade de construir tensão e sequências de batalhas do diretor supere todos os pequenos erros da terceira parte da trilogia. Sam Raimi, pressionado constantemente pelo produtor Avi Arad e pela Sony, se viu obrigado a usar o Venon, vilão muito querido pelos fãs, o Homem de Areia, que já estava sendo preparado desde o segundo filme, e, por último, o Duende Júnior, vivido por James Franco

Com três bons vilões, o diretor desenvolveu aquilo que poderia executar com eficácia: as sequências de batalha. Deste modo, Raimi dirige todas as cenas com paixão, a qual cada uma fica pior que a outra até chegar na batalha final com todos os personagens em guerra. Dito isto, o mérito da montagem já fica em vantagem, visto que o montador Bob Murawski, vencedor do Oscar por Guerra ao Terror, oferece uma vasta gama de detalhes para tais sequências.

A música, por outro lado, continua a melancolia iniciada por Danny Elfman no primeiro filme, dado que o drama aumenta e que os personagens são colocados a prova na dor. Os efeitos especiais, do mesmo modo, continuam espetaculares, mesmo quando uma década já tenha se passado. O Homem de Areia, por exemplo, tem uma sequência de dois minutos assustadoramente bem realizada por captura de movimentos.

O roteiro, no entanto, é longo e recheado de reviravoltas que são desnecessárias, como 
aquela que inclui o arco de Harry Osborn no segundo ato. Além disto, Raimi, envenenado com a conexão dos personagens do universo do teioso, trouxe uma retcom que, apesar de convincente, continua sendo uma correção de continuidade, a qual estava resolvida desde o primeiro filme no fim do arco do tio Ben.

Contudo, os astros se esforçam em acompanhar a parte técnica e a megalomania do roteiro, como por exemplo, Tobey Maguire que, apesar de limitado, surpreende com as suas mudanças físicas e faciais durante a passagem dos atos. Maguire, desse modo, abraça a cafonice e se esforça como um excelente herói e Peter Parker. Já Kirsten Dunst continua se esforçando em ser uma mulher forte, uma vez que é dona de suas próprias escolhas.

O gosto amargo, por fim, não faz jus aos primeiros filmes. Ainda que seja um longa-metragem longo e inconsistente, a diversão empregada pelo diretor e pelos astros garante que a história passe rápido e seja, ao menos, empolgante. Por conseguinte, no último plano, durante a dança de Peter e Mary Jane, o que fica é a tranquilidade de que aquele universo acabou. Estamos ansiosos pelo próximo.  

Crítica:  Homem-Aranha 3 (2007)

 Em defesa do terceiro filme 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Massacre da Serra Elétrica (1974): Salve-se quem puder

Não é pra todo mundo. Fato. Mas para qualquer fã de filmes de terror, O Massacre da Serra Elétrica original é quase como um obra de arte irretocável, sendo como um dos mais impactantes filmes de horror já feito na história da linguagem. Lançado em 1974 por Tobe Hooper ainda em início de carreira, a obra não apenas marcou a época como também serviu de ponto de partida para uma nova fase do horror no cinema, decolando em níveis além daqueles imaginados por Alfred Hitchcock e Roman Polanski . A história aqui, baseada na vida do psicopata real Ed Gein , o assassino cuja carnificina já havia ganhado as telas do cinema através do personagem de Norman Bates em Psicose , desenvolve um grupo perseguido incansavelmente por Leatherface, antagonista cuja máscara é um dos objetos mais reconhecíveis da história do cinema: você pode até não ter visto o filme, mas sabe que ele usa a pele de suas vítimas para esconder o seu rosto. O Massacre da Serra Elétrica:  Salve-se quem puder ...

Victoria e Abdul (2017) | Acerto em abordar a intolerância

Judi Dench é uma das damas britânicas de maior influência no cinema euro-estadunidense. Dona uma extensa e premiada filmografia, que inclui um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1999 por “Shakespeare Apaixonado” , a atriz tem como uma de suas mais conhecidas interpretações a do longa-metragem “Mrs Brown” (1997), onde encarna a histórica Rainha Victoria. Consagrada então como uma favorita dos britânicos para interpretar figuras de poder - feito também atingido por Helen Mirren com “A Rainha” (2006) -, a atriz volta a interpretar a monarca em “Victoria & Abdul - O Confidente da Rainha” (2017), filme produzido pela BBC que reafirma sua frutífera parceria com o cineasta Stephen Frears , explorada anteriormente no comovente drama biográfico “Philomena” (2013). Este gênero, inclusive, parece ser um dos que Frears é melhor sucedido; além do filme de 2013, ele também está por trás do já aqui citado “A Rainha” e, mais recentemente, da comédia dramática “Florence - Quem é Essa Mu...

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Humor jovem e frescor adolescente

Spiderman: Homecoming (EUA) Com outro  reboot lançado pela Sony Pictures, neste caso a encargo de Jon Watts ( "A Viatura" , 2015) o super-herói "cabeça de teia" volta aos cinemas. Desta vez, ele retorna carregando um grande diferencial: a Marvel, famosa gigante dos quadrinhos que é responsável pela criação do personagem e teve que vendê-lo anos atrás para a própria Sony, detém novamente do controle criativo sob ele. E foi a partir desta parceria entre os dois estúdios que "Homem-Aranha: De Volta ao Lar"  (2017) nasceu, trazendo referências à situação já em seu próprio título, e assim introduzindo o tão popular Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel (Ou "MCU", para os íntimos). E a proposta, como esperado por alguns fãs do gênero, surpreende de forma bastante positiva.  Diferente dos outros dois "filmes de origem" já lançados sobre o personagem, que foi previamente interpretado por Tobey Maguire (entre 2002 e 2007) ...