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| Spider-Man 3 (EUA) |
Por mais bobo e inconsequente que Homem-Aranha 3 seja, é inegável
que a capacidade de construir tensão e sequências de batalhas do diretor supere todos os pequenos erros da terceira parte da trilogia. Sam Raimi, pressionado
constantemente pelo produtor Avi Arad e pela Sony, se viu obrigado a usar o Venon, vilão
muito querido pelos fãs, o Homem de Areia, que já estava sendo preparado desde
o segundo filme, e, por último, o Duende Júnior, vivido por James Franco.
Com três bons vilões, o diretor desenvolveu aquilo que
poderia executar com eficácia: as sequências de batalha. Deste modo, Raimi
dirige todas as cenas com paixão, a qual cada uma fica pior que a outra até
chegar na batalha final com todos os personagens em guerra. Dito isto, o mérito
da montagem já fica em vantagem, visto que o montador Bob Murawski, vencedor do
Oscar por Guerra ao Terror, oferece uma vasta gama de detalhes para tais
sequências.
A música, por outro lado, continua a melancolia iniciada
por Danny Elfman no primeiro filme, dado que o drama aumenta e que os
personagens são colocados a prova na dor. Os efeitos especiais, do mesmo modo,
continuam espetaculares, mesmo quando uma década já tenha se passado. O Homem
de Areia, por exemplo, tem uma sequência de dois minutos assustadoramente bem
realizada por captura de movimentos.
O roteiro, no entanto, é longo e recheado de reviravoltas
que são desnecessárias, como
aquela que inclui o arco de Harry Osborn no
segundo ato. Além disto, Raimi, envenenado com a conexão dos personagens do
universo do teioso, trouxe uma retcom que, apesar de convincente, continua
sendo uma correção de continuidade, a qual estava resolvida desde o primeiro
filme no fim do arco do tio Ben.
Contudo, os astros se esforçam em acompanhar a parte
técnica e a megalomania do roteiro, como por exemplo, Tobey Maguire que, apesar
de limitado, surpreende com as suas mudanças físicas e faciais durante a
passagem dos atos. Maguire, desse modo, abraça a cafonice e se esforça como um
excelente herói e Peter Parker. Já Kirsten Dunst continua se esforçando em ser
uma mulher forte, uma vez que é dona de suas próprias escolhas.
O gosto amargo, por fim, não faz jus aos primeiros filmes. Ainda
que seja um longa-metragem longo e inconsistente, a diversão empregada pelo
diretor e pelos astros garante que a história passe rápido e seja, ao menos, empolgante. Por conseguinte, no último plano, durante a dança de Peter e Mary Jane, o que fica é a tranquilidade de que aquele universo acabou. Estamos ansiosos
pelo próximo.


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