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Anne with an ‘E’ - 1ª temporada (2017) | O respiro fresco de uma volta à infância

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No meio de tantas séries sombrias, dramáticas e violentas, Anne with an ‘E’ é o respiro fresco de uma volta a infância, sem deixar de lado reflexões e críticas sobre assuntos tão presentes no cotidiano. Baseada no livro “Anne of Green Gables” da escritora canadense L. M. Montgomery, publicado em 1908.

Acompanhamos Anne Shirley (Amybeth McNulty), uma órfã que é adotada, por engano, pelos irmãos Marilla e Matthew Cuthbert (Geraldine James e R. H. Thomson), que, inicialmente, queriam um menino para ajudá-los a cuidar de Green Gables, sua propriedade. Apesar de Anne acabar cativando a rígida Marilla e o calado Matthew, ela ainda tem que enfrentar muitos obstáculos na sua nova vida no povoado de Avonlea. 

Crítica: Anne with an ‘E’ - 1ª temporada (2017)

O respiro fresco de uma volta à infância


A série envolve com um roteiro cheio de delicadezas e sutilezas, dando tempo para o desenvolvimento dos personagens e das relações entre eles, aproveitando-se do clima sereno e bucólico do cenário. Tudo isso contribui para que a história aborde temas importantes e relevantes, como o papel da mulher, adoção, preconceito, morte, puberdade, ideal de beleza, suicídio e até religião, utilizando esse povoado fictício como plano de fundo para reflexões sobre nossa sociedade atual.

Todo o enredo cresce com a direção, a fotografia e a direção de arte, trazendo da leveza a angústia do ambiente bucólico e deixando-o tão real e empático quando a história que ele conta, com planos mais longos, uma câmera calma e cenários encantadores. Até os enquadramentos são utilizados para nos passar sentimentos que os próprios personagens não podem dizer. Como uma cena em que estão duas pessoas no mesmo cômodo, mas o ângulo, filmado de fora, coloca uma parede entre os dois, indicando mágoas passadas. Apesar de cada episódio ter um diretor diferente, a série mantém sua coerência ao mesmo tempo que cada um consegue deixar sua assinatura nessa história fascinante.  

Mas o grande destaque é a personagem Anne, que passou por coisas terríveis na sua curta vida, mas tem na sua fértil imaginação um alicerce para suportá-las. Ela é autêntica, determinada, sincera e nunca limita suas ambições futuras pelo fato de ser mulher. Essa personalidade única leva das risadas às lágrimas já no primeiro episódio, e isso é, em grande parte, mérito da sua intérprete Amybeth McNulty, que está maravilhosa - usando as palavras de Anne.

Da linda abertura feita com pinturas à ansiosa espera da segunda temporada, a série cativa pelas coisas simples da vida. E, ao meu ver, pode ter um significado especial para meninas e mulheres, o que não diminui a experiência de todos que têm um pouco de imaginação.

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