Pular para o conteúdo principal

A Babá (2017) | O nerd prova o seu valor

Resultado de imagem para a babá netflixLogo na introdução somos apresentados a uma ambientação de colegial que respira o “American Way of Life” (O jeito de vida americano), impresso em uma fotografia saturada com luzes quentes e trilha sonora adolescente. O roteiro tem incluso os hormônios agitados da vivacidade juvenil, mas sem tropeços, com detalhes que tornam toda sua estrutura bastante enxuta ainda mais atraente à medida que revelam sua importância. A simplicidade da obra não a trás demérito, mas sim um entretenimento envolvente e fervilhante. 

Crítica: A Babá (2017)

O nerd prova o seu valor


O filme apresenta a história que discorre, inicialmente, sobre diversas crises de um estereótipo de aborrescente nerd. Sempre estamos com o Cee, o protagonista. Por vezes, a câmera subjetiva nos põe no local dele, literalmente. Essa estética entrega seu público alvo, todos aqueles que se identificam com o garoto, que já viram aquelas cenas, mostradas pelos “seus olhos” (câmera). Para esse público, o filme respira uma nostalgia junto a uma ficção envolvente e difícil de desagradar. 

O vermelho, cor que se imprime sobre cenas emblemáticas do filme, sempre caminhando através da fronteira entre a sensualidade, a violência e o perigo, principalmente nas cenas isoladas entre o garoto e sua babá. Os diversos elementos da cultura pop são constantes durante todo o filme. Os medos de Cee e suas desventuras caminham por sutis homenagens do suspense de Hitchcock e a vários clássicos do terror, como Sexta-feira 13. Todos esses elementos e estéticas fílmicas reforçam a lealdade do filme ao seu público alvo. Até os efeitos especiais, movimentos corridos de câmera, trazem muitas referências, propositais, ou não, a Scott Pilgrim

Os diálogos são trabalhados com um carinho único; a naturalidade acompanha a boa interpretação dos atores criando um ar de direção com referências à Tarantino – onde encontramos essa base inspiratória não só nos diálogos – junto a um humor e ação constantes. A sonoplastia junto aos diversos enquadramentos e movimentações de câmera seguem os passos dos momentos de tensão e a subjetividade emotiva dos personagens, principalmente de Cee, o que torna as cenas de suspense ainda mais envolvente.

A Babá não é um filme para devaneios e poéticas profundas, até porque essa prerrogativa não condiz com sua proposta. A obra tem pretensão apenas ao entretenimento nerd, a criação de uma prova de amor a cultura pop cinematográfica, seus diretores e aos filmes clássicos de terror, ficção, ação e aventura. Aos que buscam curtir um bom filme e tem empatia junto as referências citadas aqui, encontrará muitas outras ao assistir a obra, que é um ótimo programa para um feriado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Massacre da Serra Elétrica (1974): Salve-se quem puder

Não é pra todo mundo. Fato. Mas para qualquer fã de filmes de terror, O Massacre da Serra Elétrica original é quase como um obra de arte irretocável, sendo como um dos mais impactantes filmes de horror já feito na história da linguagem. Lançado em 1974 por Tobe Hooper ainda em início de carreira, a obra não apenas marcou a época como também serviu de ponto de partida para uma nova fase do horror no cinema, decolando em níveis além daqueles imaginados por Alfred Hitchcock e Roman Polanski . A história aqui, baseada na vida do psicopata real Ed Gein , o assassino cuja carnificina já havia ganhado as telas do cinema através do personagem de Norman Bates em Psicose , desenvolve um grupo perseguido incansavelmente por Leatherface, antagonista cuja máscara é um dos objetos mais reconhecíveis da história do cinema: você pode até não ter visto o filme, mas sabe que ele usa a pele de suas vítimas para esconder o seu rosto. O Massacre da Serra Elétrica:  Salve-se quem puder ...

Victoria e Abdul (2017) | Acerto em abordar a intolerância

Judi Dench é uma das damas britânicas de maior influência no cinema euro-estadunidense. Dona uma extensa e premiada filmografia, que inclui um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1999 por “Shakespeare Apaixonado” , a atriz tem como uma de suas mais conhecidas interpretações a do longa-metragem “Mrs Brown” (1997), onde encarna a histórica Rainha Victoria. Consagrada então como uma favorita dos britânicos para interpretar figuras de poder - feito também atingido por Helen Mirren com “A Rainha” (2006) -, a atriz volta a interpretar a monarca em “Victoria & Abdul - O Confidente da Rainha” (2017), filme produzido pela BBC que reafirma sua frutífera parceria com o cineasta Stephen Frears , explorada anteriormente no comovente drama biográfico “Philomena” (2013). Este gênero, inclusive, parece ser um dos que Frears é melhor sucedido; além do filme de 2013, ele também está por trás do já aqui citado “A Rainha” e, mais recentemente, da comédia dramática “Florence - Quem é Essa Mu...

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Humor jovem e frescor adolescente

Spiderman: Homecoming (EUA) Com outro  reboot lançado pela Sony Pictures, neste caso a encargo de Jon Watts ( "A Viatura" , 2015) o super-herói "cabeça de teia" volta aos cinemas. Desta vez, ele retorna carregando um grande diferencial: a Marvel, famosa gigante dos quadrinhos que é responsável pela criação do personagem e teve que vendê-lo anos atrás para a própria Sony, detém novamente do controle criativo sob ele. E foi a partir desta parceria entre os dois estúdios que "Homem-Aranha: De Volta ao Lar"  (2017) nasceu, trazendo referências à situação já em seu próprio título, e assim introduzindo o tão popular Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel (Ou "MCU", para os íntimos). E a proposta, como esperado por alguns fãs do gênero, surpreende de forma bastante positiva.  Diferente dos outros dois "filmes de origem" já lançados sobre o personagem, que foi previamente interpretado por Tobey Maguire (entre 2002 e 2007) ...